quarta-feira, 11 de maio de 2011

DIA MAU

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” (Efésios 6:13 ARA)

Se há dia mau, é por que há dia melhor. A gente quer ser otimista, olhar tudo com fé na vitória, focar no Reino vindouro, não se deixar abalar, deixar as circunstâncias de lado e seguir sorridente… Mas atire o primeiro analgésico quem nunca se deprimiu ou desanimou diante de um dia ou semana difícil.
Há tempos e ciclos na vida da gente em que os dias são literalmente maus: nada dá certo, chove no dia “errado” e faz sol tarde demais, a gente erra o assado justo com a visita mais chique, o terno não entra, o computador não liga e o carro falha. Mas preste atenção: não existe vida ruim, embora posssa haver algum dia ruim. O coração da gente pode se apertar num dia, dois, três, uma semana – mas amanhece um dia e a alma se dá conta do dom da vida, da misericórdia recém renovada, da alegria que vem pela manhã. O choro termina, meu irmão, pode ter certeza. A época do Natal para mim foi marcada muitos anos por tristezas e disssabores. Mas aleluia, eu comemoro o fato e não a data – meu Redentor vive, nasceu para morrer por mim.
Foco e concentração é tudo quando se tem um objetivo e todo cristão tem um alvo. O dia mau existe, é uma realidade, está aí para nos aperfeiçoar em santidade e paciência. Mas não é e nunca deve ser o foco da vida de ninguém, por mais turbulento que seja. Por sofrido que seja. Por apavorante que possa ser, o Senhor é Soberano e tem para nós dias melhores à frente. Foque no melhor, esse é o alvo, apesar do que esteja acontecendo agora.
O foco é no alvo e o alvo é o Reino Celestial, assentado com Cristo. Vida vitoriosa neste mundo sim, com certeza. Mas não imaginemos que isso é vacina contra dissabores e encrencas que tiram nosso ânimo e por vezes nosso fôlego. Eu sei o quanto os dias podem ser maus, creia-me. Mas meu desânimo não me vence, não me supera, pois maior é Aquele que está em mim.

“Deus amado, perdoa minha fraqueza de ânimo quando as dificuldades superam minha força. Fortalece-me e ensina-me a ser mais forte em Ti.” Mário Fernandez

quarta-feira, 4 de maio de 2011

VIVENDO ATOS 2, HOJE!

“…e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.” (Atos 2:47b)
Nos últimos domingos temos ido a diferentes igrejas, pois mudamos de cidade e ainda não decidimos qual igreja iremos frequentar, assim temos ido conhecer algumas. O interessante é que, na maior parte das igrejas, temos ouvido mensagens similares, onde os pastores têm chamando a atenção do povo para a necessidade de vivermos a vida cristã e manifestarmos a comunhão descrita nos últimos versículos de Atos 2.
Também meu esposo escreveu uma mensagem na semana passada, no site ICHTUS, com o título “Você pode orar comigo?“, onde ele falou sobre a necessidade de não só prometermos orar, mas realmente e no ato do pedido orarmos uns pelos outros. Enfim, tudo isso levou-me a lembrar de uma série de outros pequenos gestos que, como cristãos, nunca deveríamos deixar de praticar, porque só o fato dos incrédulos verem, muitas vezes lhes damos testemunho. Demonstramos o amor e cuidado de Deus pelas outras pessoas com gestos como uma visita, como receber pessoas em nossa casa, fazer um favor, atendermos uma necessidade, cumprimentarmos os visitantes no final do culto. Enfim, atos que hoje em dia, por causa da vida tão ocupada que levamos, deixamos de praticar.
Logo que nos casamos, meu marido e eu compartilhamos de momentos maravilhosos na casa de um casal de amigos, que eram mais velhos que nós, que já tinham alguns anos de casados e, portanto, mais experiência e também mais problemas e dificuldades para lidarem. No entanto, eles sempre se dispuseram a abrir sua casa e suas vidas e nos receberam e compartilhavam conosco o que tinham. Eram tardes abençoadas e que trazemos na lembrança, com muitas saudades, até hoje. E sabe o que era mais importante? Não era a mesa farta ou o requinte do que nos era servido, porque os nossos lanches sempre eram café com leite e pão caseiro; mas era o tempo e o amor que este casal dedicou a um jovem e inexperiente casal que precisava de orientação e amizade. Como foram preciosas aquelas tardes de sábado na casa do Edvaldo e da Selma. Hoje estão longe de nós, morando em outro país, mas sempre lembrados e imitados por nós.
Também agora, ao chegar em Campinas, Deus nos abençoou ricamente através da vida de outros dois casais que abriram mão da sua comodidade e nos ajudaram, Vinícius e Márcia abrindo sua casa e nos acolhendo por três semanas, não se importando com a bagunça e com todo o transtorno de receber uma outra família inteira em sua casa e nos ajudando e emprestando seu carro e tempo para que nós pudéssemos nos estabelecer aqui. E também a Hélia e o Hélio que doaram de seu tempo, carro e gasolina, andando conosco, percorrendo imobiliárias e casas e apartamentos até que achássemos o lugar para morarmos. Certamente que esses casais têm suas obrigações, dificuldades e lutas, mas apesar disso se dispuseram a ajudar a um outro irmão. O que faz isso? Só posso dizer que é amor, amor a Deus e ao próximo, e viver o que o povo de Atos vivia.
Infelizmente, nossos dias têm sido muitas vezes cheios de preocupações e atividades que têm nos roubado o prazer e a alegria de fazermos pequenos gestos, atos abençoadores. Faz com que nos preocupemos que, se tiver de receber em casa, teremos de ter uma casa maior, mais bem arrumada, local adequado ou uma mesa farta; se tiver de fazer uma visita ou de ajudar alguém a ir em um determinado lugar teremos de refazer e remanejar nossas agendas. Emprestar o carro, jamais! “Carro é como mulher, não se empresta”. Interessante que nos tempos de Atos eles tinham tudo em comum… mas naquele tempo não existia carro, não é?
E o que me dizer de cumprimentar os visitantes ao final do culto? “-ah… mas sabe, é que eu coordeno um ministério na igreja e no final do culto tenho de correr atrás das pessoas do meu ministério pra acertarmos os últimos detalhes do próximo programa, e ai não sobra tempo de cumprimentar os visitantes”. Pois é, essas são desculpas que eu também usei por muito tempo. Peço a Deus que me ajude a viver de modo diferente e a ser mais atenta aos meus irmãos e suas necessidades e assim praticar e viver conforme os primeiros cristãos e mostrar ao mundo como é viver numa comunidade onde as pessoas se amam e se cuidam.
Certamente que se eu e você, meu irmão, conseguirmos colocar isso em prática, vamos cair na graça do povo. E Deus vai acrescentar diariamente os que vão sendo salvos, porque o mundo está carente e sedento de amor. Sandra Torres - ICHTUS.com.br

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A FINALIDADE DA CRUZ



Estou crucificado com Cristo; 
logo, já não sou eu quem vive, 
mas Cristo vive em mim... 
Gálatas 2.19b-20

A ilusão do “símbolo” do 
Cristianismo
Os elementos anticristãos do mundo secular dariam tudo para conseguir eliminar manifestações públicas da cruz. Ainda assim, ela é vista no topo das torres de dezenas de milhares de igrejas, nas procissões, sendo freqüentemente feita de ouro e até ornada com pedras preciosas. A cruz, entretanto, é exibida mais como uma peça de bijuteria ao redor do pescoço ou pendurada numa orelha do que qualquer outra coisa. É preciso perguntarmos através de que tipo estranho de alquimia a rude cruz, manchada do sangue de Cristo, sobre a qual Ele sofreu e morreu pelos nossos pecados se tornou tão limpa, tão glamourizada. Não importa como ela for exibida, seja até mesmo como joalheria ou como pichação, a cruz é universalmente reconhecida como símbolo do cristianismo – e é aí que reside o grave problema. A própria cruz, em lugar do que nela aconteceu há 19 séculos, se tornou o centro da atenção, resultando em vários erros graves. O próprio formato, embora concebido por pagãos cruéis para punir criminosos, tem se tornado sacro e misteriosamente imbuído de propriedades mágicas, alimentando a ilusão de que a própria exibição da cruz, de alguma forma, garante proteção divina. Milhões, por superstição, levam uma cruz pendurada ao pescoço ou a tem em suas casas, ou fazem “o sinal da cruz” para repelir o mal e afugentar demônios. Os demônios temem a Cristo, não uma cruz; e qualquer um que não foi crucificado juntamente com Ele, exibe a cruz em vão.

A “palavra da cruz”: 
poder de Deus

Paulo afirmou que a  palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus (1 Coríntios 1.18). Assim sendo, o poder da cruz não reside na sua exibição, mas sim na
sua pregação; e essa mensagem nada tem a ver com o formato peculiar da cruz, e sim com a morte de Cristo sobre ela, como declara o evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16), e não para aqueles que usam ou exibem, ou até fazem o sinal da cruz.
O que é esse evangelho que salva? Paulo afirma explicitamente: venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei... por ele também sois salvos... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1 Corintios 15.1-4). Para muitos, choca o fato do evangelho não incluir a menção de uma cruz. Por quê? Porque a cruz não era essencial à nossa salvação. Cristo tinha que ser crucificado para cumprir a profecia relacionada à forma de morte do Messias (Salmos 22), não porque a cruz em si tinha alguma ligação com nossa redenção. O imprescindível era o derramamento do sangue de Cristo em Sua morte como prenunciado nos sacrifícios do Antigo Testamento, pois sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9.22); é o sangue que fará expiação em virtude da vida (Levítico 17.11).
Não dizemos isso para afirmar que a cruz em si é insignificante. O fato de Cristo ter sido pregado numa cruz revela a horripilante intensidade da maldade inata ao coração de cada ser humano. Ser pregado despido numa cruz e ser exibido publicamente, morrer lentamente entre zombarias e escárnios, era a morte mais torturantemente dolorosa e humilhante que poderia ser imaginada.
E foi exatamente isso que o insignificante ser humano fez ao seu Criador! Nós precisamos cair com o rosto em terra, tomados de horror, em profundo arrependimento, dominados pela vergonha, pois não foram somente a turba sedenta de sangue e os soldados zombeteiros que O pregaram à cruz, mas sim nossos pecados!

A cruz revela a malignidade 
do homem e o amor de Deus

Assim sendo, a cruz revela, pela eternidade adentro a terrível verdade de que, abaixo da bonita fachada de cultura e educação, o coração humano é enganoso... mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto ( Jeremias 17.9), capaz de executar o mal muito além de nossa compreensão, até mesmo contra o Deus que o criou e amou, e que pacientemente o supre. Será que alguém duvida da corrupção, da maldade de seu próprio coração? Que tal pessoa olhe para a cruz e recue dando uma reviravolta, a partir de seu ser mais interior! Não é à toa que o humanista orgulhoso odeia a cruz!
Ao mesmo tempo em que a cruz revela a malignidade do coração humano, entretanto, ela revela a bondade, a misericórdia e o amor de Deus de uma maneira que nenhuma outra coisa seria capaz. Em contraste com esse mal indescritível, com esse ódio diabólico a Ele dirigido, o Senhor da glória, que poderia destruir a terra e tudo o que nela há com uma simples palavra, permitiu-se ser zombado, injuriado, açoitado e pregado àquela cruz! Cristo a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz (Filipenses 2.8). Enquanto o homem fazia o pior, Deus respondia com amor, não apenas Se entregando a Seus carrascos, mas carregando nossos pecados e recebendo o castigo que nós justamente merecíamos.

A cruz prova que existe 
perdão para o pior dos pecados

Existe, ainda, um outro sério problema com o símbolo, e especialmente o crucifixo que exibe um Cristo perpetuamente pendurado na cruz. A ênfase está sobre o sofrimento físico de Cristo como se isso tivesse pago os nossos pecados. Pelo contrário, isso foi o que o homem fez a Ele e só podia nos condenar a todos. Nossa redenção aconteceu através do fato de que Ele foi ferido por Jeová e sua alma [foi dada] como oferta pelo pecado (Isaías 53.10); Deus fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos (Isaías 53.6); e, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados. (1 Pedro 2.24).
A morte de Cristo é uma evidência irrefutável de que Deus precisa, em Sua justiça, punir o pecado, que a penalidade precisa ser paga, caso contrário não pode haver perdão.
O fato de que o Filho de Deus teve que suportar a cruz, mesmo depois de ter clamado a Seu Pai ao contemplar em agonia o carregar de nossos pecados [Se possível, passe de mim este cálice! (Mateus 26.39)], é prova de que não havia outra forma de o ser humano ser redimido. Quando Cristo, o perfeito homem, sem pecado e amado de Seu Pai, tomou nosso lugar, o juízo de Deus caiu sobre Ele em toda sua fúria. Qual deve ser então, o juízo sobre os que rejeitam a Cristo e se recusam a receber o perdão oferecido por Ele! Precisamos preveni-los!
Ao mesmo tempo e no mesmo fôlego que fazemos soar o alarme quanto ao julgamento que está por vir, precisamos também proclamar as boas notícias de que a redenção já foi providenciada e que o perdão de Deus é oferecido ao mais vil dos pecadores. Nada mais perverso poderia ser concebido do que crucificar o próprio Deus! E ainda assim, foi estando na cruz que Cristo, em seu infinito amor e misericórdia, orou: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23.34). Assim sendo, a cruz também prova que existe perdão para o pior dos pecados, e para o pior dos pecadores.

Cuidado: não anule a 
cruz de Cristo!

A grande maioria da humanidade, entretanto, tragicamente rejeita a Cristo. E é aqui que enfrentamos outro perigo: é que em nosso sincero desejo de vermos almas salvas, acabamos adaptando a mensagem da cruz para evitar ofender o mundo. Paulo nos alertou para tomarmos cuidado no sentido de não pregar a cruz com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo (1 Coríntios 1.17). Muitos pensam: “É claro que o evangelho pode ser apresentado de uma forma nova, mais atraente do que o fizeram os pregadores de antigamente. Quem sabe, as técnicas modernas de embalagem e vendas poderiam ser usadas para vestir a cruz numa música ou num ritmo, ou numa apresentação atraente assim como o mundo comumente faz, de forma a dar ao evangelho uma nova relevância ou, pelo menos, um sentido de familiaridade. Quem sabe poder-se-ia lançar mão da psicologia, também, para que a abordagem fosse mais positiva. Não confrontemos pecadores com seu pecado e com o lado sombrio da condenação do juízo vindouro, mas expliquemos a eles que o comportamento deles não é, na verdade, culpa deles tanto quanto é resultante dos abusos dos quais eles têm sido vitimados. Não somos todos nós vítimas? E Cristo não teria vindo para nos resgatar desse ato de sermos vitimados e de nossa baixa perspectiva de nós mesmos e para restaurar nossa auto-estima e autoconfiança? Mescle a cruz com psicologia e o mundo abrirá um caminho para nossas igrejas, enchendo-as de membros!” Assim é o neo-evangelicalismo de nossos dias.
Ao confrontar tal perversão, A. W. Tozer escreveu: “Se enxergo corretamente, a cruz do evangelicalismo popular não é a mesma cruz que a do Novo Testamento. É, sim, um ornamento novo e chamativo a ser pendurado no colo de um cristianismo seguro de si e carnal... a velha cruz matou todos os homens; a nova cruz os entretêm. A velha cruz condenou; a nova cruz diverte. A velha cruz destruiu a confiança na carne; a nova cruz promove a confiança na carne... A carne, sorridente e confiante, prega e canta a respeito da cruz; perante a cruz ela se curva e para a cruz ela aponta através de um melodrama cuidadosamente encenado – mas sobre a cruz ela não haverá de morrer, e teimosamente se recusa a carregar a reprovação da cruz”.

A cruz é o lugar onde nós 
morremos em Cristo

Eis o “x” da questão. O evangelho foi concebido para fazer com o eu aquilo que a cruz fazia com aqueles que nela eram postos: matar completamente. Essa é a boa notícia na qual Paulo exultava: Estou crucificado com Cristo. A cruz não é uma saída de incêndio pela qual escapamos do inferno para o céu, mas é um lugar onde nós morremos em Cristo. É só então que podemos experimentar o poder da sua ressurreição (Filipenses 3.10), pois apenas mortos podem ser ressuscitados. Que alegria isso traz para aqueles que há tempo anelam escapar do mal de seus próprios corações e vidas; e que fanatismo isso aparenta ser para aqueles que desejam se apegar ao eu e que, portanto, pregam o evangelho que Tozer chamou de “nova cruz”.
Paulo declarou que, em Cristo, o crente está crucificado para o mundo e o mundo para ele (Galatas 6.14). É
linguagem bem forte! Este mundo odiou e crucificou o Senhor a quem nós amamos – e, através desse ato, crucificou a nós também. Nós assumimos uma posição com Cristo. Que o mundo faça conosco o que fez com Ele, se assim quiser, mas fato é que jamais nos associaremos ao mundo em suas concupiscências e ambições egoístas, em seus padrões perversos, em sua determinação orgulhosa de construir uma utopia sem Deus e em seu desprezo pela eternidade.
Crer em Cristo pressupõe admitir que a morte que Ele suportou em nosso lugar era exatamente o que merecíamos. Quando Cristo morreu, portanto, nós morremos nEle:  julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou (2 Coríntios 5.14-15).
“Mas eu não estou morto”, é a reação veemente. “O eu ainda está bem vivo”. Paulo também reconheceu isso:  não faço o bem que prefiro, mas o...mal que não quero, esse faço (Romanos 7.19). Então, o que é que “estou crucificado com Cristo” realmente significa na vida diária? Não significa que estamos automaticamente mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus (Romanos 6.11). Ainda possuímos uma vontade e ainda temos escolhas a fazer.

O poder sobre o pecado

Então, qual é o poder que o cristão tem sobre o pecado que o budista ou o bom moralista não possui? Primeiramente, temos paz com Deus pelo sangue da sua cruz (Colossesces 1.20). A penalidade foi paga por
completo; assim sendo, nós não tentamos mais viver uma vida reta por causa do medo de, de outra sorte, sermos condenados, mas sim por amor Àquele que nos salvou. Nós amamos porque ele nos amou primeiro (1 João 4.19); e o amor leva quem ama a agradar o Amado, não importa o preço. Se alguém me ama, guardará a minha palavra ( João 14.23), disse o nosso Senhor. Quanto mais contemplamos a cruz e meditamos acerca do preço que nosso Senhor pagou por nossa redenção, mais haveremos de amá-lO; e quanto mais O amarmos, mais desejaremos agradá-lO.
Em segundo lugar, ao invés de “dar duro” para vencer o pecado, aceitamos pela fé que morremos em Cristo. Homens mortos não podem ser tentados. Nossa fé não está colocada em nossa capacidade de agirmos como pessoas crucificadas, mas sim no fato de que Cristo foi crucificado de uma vez por todas, em pagamento completo por nossos pecados.
Em terceiro lugar, depois de declarar que estava crucificado com Cristo”, Paulo acrescentou:  “logo, já não
sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Galatas 2.20). O justo viverá por fé (Romanos 1.17; Galatas 3.11; Hebreus 10.38) em Cristo; mas o incredulo só pode colocar sua fé em si mesmo ou em algum programa de auto-ajuda, ou ainda num guru desses bem esquisitos.
Quando Cristo morreu, Ele exclamou em triunfo: Está consumado ( João 19.30), usando uma expressão que, no grego, significa que a dívida havia sido quitada totalmente.
Muitos cristãos vivem em incerteza , com medo de que tudo será perdido se eles falharem em viver uma vida suficientemente boa, ou se perderem sua fé, ou se voltarem as costas a Cristo. Existe uma finalidade abençoada da cruz que nos livra dessa insegurança. Cristo jamais precisará ser novamente crucificado;
nem os que foram crucificados com Cristo ser “descrucificados” e aí “recrucificados”! Paulo declarou: porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus (Colossences 3.3). Que segurança para o presente e para toda a eternidade! Dave Hunt - Revista Betel - www.assbetel.com.br 

quarta-feira, 23 de março de 2011

EFÊMERO x ETERNO

“Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus.” (João 8:54 ARA)

Jesus tinha no que se gloriar, afinal Ele andava pelas ruas curando enfermos, fazendo cegos enxergarem e paralíticos andarem, levantou mortos e trouxe palavras de uma sabedoria ímpar. Por que motivo então Ele preferia dizer que glorificava ao Pai? Ele é o herdeiro de todas as coisas, que diferença fazia?

A diferença, meu querido leitor, é que a glória deste mundo é passageira, é efêmera, é transitória. Como uma nuvem que vem e logo se dissipa, como um vento que logo cessa. Nada deste mundo vale a pena e Jesus nos ensina isso de uma forma maravilhosa aqui. Alguns talvez pensem nas vidas, nas almas, nas pessoas, mas quero dizer que também penso nelas. Só que considero que elas também não são deste mundo, apenas passam por ele. Somos peregrinos em terra estranha, não pertencemos a este mundo como o ouro e a prata corrompidos desta realidade.

Já o eterno, aquilo que vai durar para sempre, não é deste mundo. Jesus não era deste mundo e sabia disso. Viveu aqui como homem mortal, tanto que morreu. Passou por aqui sujeito e tudo como nós, tanto que teve fome. Experimentou nossas dores e sofrimentos, tanto que chorou. Mas nem isso o contaminou e no momento oportuno, partiu de volta para sua origem, no Reino Celestial. Sabedor de que isso aconteceria, Ele viveu seus dias glorificando ao Pai Celestial, para por Ele ser glorificado em momento oportuno.
Meu querido leitor: se Jesus é o exemplo maior de sua vida, se a obra e dedicação Dele te inspiram, permita que este aspecto também te inspire e sirva de referência. Glorifique apenas ao Pai e espere confiadamente que, no tempo oportuno, Ele mesmo se encarregará de recompensá-lo. Isso é acumular tesouros no céu. Isso é servir ao Senhor sem pretender recompensa.

“Pai, muda meu coração para que cada vez mais eu trabalhe e me dedique a Te glorificar, não a mim. Ensina-me a valorizar o eterno.” Mário Fernandez

segunda-feira, 21 de março de 2011

LIGADO

“Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus.” (João 8:54 ARA)

Misericórdia. Eu queria ter esta atitude como o Mestre teve. Ao ser reconhecido como alguma coisa importante, apontou a glória para o Pai. Meu coração se inclina a ficar ‘alegrinho’ com qualquer elogio ou palavra mais motivadora. Não deveria ser assim.

A verdade é que todos nós gostamos de ser reconhecidos, o que não é necessariamente mau, desde que não seja doentio. Ouvi um pregador dizendo uma vez “Uau! Eu sou o cara”. Sem comentários. Jesus de Nazaré, humilhado diante do povo e dos principais da época, fossem grandes ou pequenos, ricos ou pobres, só foi exaltado mais tarde, após sua morte. Foi somente com a ressurreição que Jesus foi exaltado diante daquele mesmo povo, daqueles mesmos poderosos, anjos e querubins, principados e potestades. Meu Deus, a maioria de nós quer ser exaltado agora mesmo…

O segredo? Este texto me ajudou a ver que Jesus estava sempre tão ligado ao Pai, literalmente dependente Dele até para ser exaltado, que funcionava. E nós? Dizemos que a Bíblia é nossa fonte de fé e prática, mas nos escusamos de levar alguns textos à cabo. Assim como agradecemos sem lembrar do Senhor quando somos elogiados ou exaltados. Não recusamos os manjares deste mundo. Muitos de nós vivem assim suas vidas e não compreendem por que outros tão mais “simples” são mais íntimos de Deus e o Senhor opera em suas vidas.

Nem me parece que seja questão apenas de humildade, mas sim de real dependência. Se disserem que tem talento, diga “para glória de Deus”. Se te elogiarem, diga “graças a Deus”. Se encherem muito sua bola diga “aleluia” e sussurre “misericórdia”. Pergunte ao Senhor até onde almoçar quando tem opções. Estar ligado ao Pai é questão de decisão, mais do que qualquer outra coisa.

Se nem Jesus disse que estava ali para se glorificar, quem somos nós para querer alguma coisa. Nossa ligação com Ele deve nos levar para mais perto Dele e não do nosso ego.
“Pai, quero realmente entender e viver o que seja uma dependência total completa de Ti. Ajuda-me e fortalece-me.” Mário Fernandez

quarta-feira, 9 de março de 2011

O ENVENENANGELHO

Cansei de ser “evangélico”! Sei que está em moda dizer isto, mas não digo por causa da moda, como quem vai sendo manobrado como massa, mas sim por causa do nó na garganta mesmo, do aperto no peito e da triste constatação do imenso engano que cegou a igreja evangélica espalhada por todos os lados. Graças a Deus nunca fui “gospel”, mas ser “evangélico” não diz mais o que deveria dizer e não representa tudo o que Deus me chamou para ser Nele em amor e Graça e que está para muito além das portas das igrejas (com “i” minúsculo). Meu lugar, e o convite que recebi, é para ser do Reino e deste privilégio não abro mão.
O que digo certamente será combatido pelos “santos”, pelos “homens de ‘deus’”, por “pastores” e “gente da visão”. Serei chamado de “perturbador da fé”, “insubordinado”, “sem fé”, “sem aliança”, “sem cobertura”, dirão que estou causando escândalo ou coisas semelhantes a estas, mas assumo o que estou dizendo com a convicção de quem não vai pular do barco naufragando, mas que tem a vontade firme na rocha de ganhar a quantos conseguir, dentro e fora do barco, com minha pregação simples, sem arranjos, sem perverção e o mais sincera/verdadeira possível.
Estou enojado e farto de Atos (feiticeiramente) Proféticos, Teo-loteria da Prosperidade, declarações esquizofrênicas de autoridade, coberturas espirituais e recados dados por um “deus” que nunca cumpre o que promete e muda de idéia e direção como quem troca de sapato. Apóstolos, pastores e bispos que subiram no pináculo do templo e se fazem mediadores entre “deus” e os homens tentando fazer-se iguais a Deus, dizendo o que seu rebanho pode ou não pode fazer, julgando o servo alheio, sob a pena de não ordenar mais a bênção de “deus” aos seus discípulos através de sua autoridade. Campanhas de promoção barata e tentativas algemadas de lotar templos com gente que vem enganada e enganando-se, tentando frustradamente, de todos os jeito s, alcançar a inalcançável oração para a qual Deus não disse “amém”, mas que o “profeta” declarou que aconteceria. É gente que lê e ouve o Evangelho, mas leva pra casa e para o coração o envenenangelho.
Há lugar firme na rocha! Mas estes loucos teimam em construir suas casas/templos na areia. Negaram a cruz, afirmando não haver nela salvação suficiente, inventando quebras humanas de maldições hereditárias e uma santidade apenas moral/sexual/farisaica, sem ética e sem caráter, sem verdade de vida no Evangelho. Não crêem que a armadura de Deus, o capacete da salvação, o escudo da fé, a couraça da justiça, o cinturão da verdade e o calçado do evangelho da paz são equipamentos dados gratuitamente a todos os que crêem, até mesmo aos mais pequeninos na fé e não somente a uma “elite sacerdotal” detentora de uma “revelação nova”.
Denuncio estes lobos enganadores, raça de víboras, envenenadores do Evangelho que, não se contentando em mudar apenas uma vírgula ou til da revelação, perverteram todo o sentido da Palavra, ensinando doutrinas perversas que nada tem a ver com o Caminho/Boa Nova anunciada em Jesus, o Filho de Deus.
Não creio, de modo algum, em um “deus” que só age ou me livra do mau/mal se eu orar/verbalizar/declarar/profetizar meu pedido. Eu creio em um Deus que ouve minhas orações, sim! Todas elas. Muito antes delas me virem aos lábios. Ele me livra de vales da sombra da morte que eu nem imagino que se levantaram contra mim e vou andando em fé.
Meu Deus não se apresenta em “shows da fé”, não faz politicagem, não dá “jeitinho”, não me abençoa só porque sou fiel, mas em Graça e amor me reconciliou com Ele, sem merecimento algum, sem justiça própria, mas justificado mediante a fé Naquele que por mim se entregou mesmo sendo eu um pecador.
Os cantores de Deus não estão nos palcos das TVs, não lotam auditórios, nem ginásios, não são performáticos, mas estão cantando e louvando a Deus dentro das prisões, no silêncio do seu quarto louvando somente a Deus. Não buscam seu próprio interesse de vender mais CDs, não são idólatras de sua própria imagem.
É triste ver tantos amigos, colegas de ministério, gente querida e de Deus, mas que estão fascinados e tentados pela possibilidade de transformar as pedras em pães, de jogar-se do pináculo do templo e venderem suas almas ao principado deste século de sucesso, holofotes e aplausos. Minha oração é para que estes se arrependam e creiam no Evangelho. Abandonem o envenenangelho pregado por interesses pessoais, medidos em números e não na verdade de Deus produzida em amor. Por favor voltem ao Evangelho!
Há um lugar de liberdade e vida pacificada, plenificada, renovada todos os dias. Sem trocas, sem barganha, sem modificar ou acrescentar nada à Palavra revelada em Jesus, nem mesmo as novas interpretações e revelações exclusivíssimas que alguns falsos mestres e falsos apóstolos dizem ter recebido. O caminho antigo ainda é o Novo e Vivo Caminho em Deus. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo é nossa garantia irrevogável que (todas) as nossas maldições e dores foram levadas sobre Ele. Está dito! Está escrito! Quem ouvirá? Quem vai crer em nossa pregação?
O Deus que disse “arrependam-se e creiam no Evangelho” te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!  Pablo Massolar

terça-feira, 1 de março de 2011

O DOM DIVINO DA DADIVOSA DÁDIVA

O DOM DIVINO DA DADIVOSA DÁDIVA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá 


"Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim é mister socorrer os necessitados e recordas as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar do que receber. Atos 20:35"
As primeiras atividades do ser humano foram cultivar e guardar o Jardim do Éden. Cultuar e cultivar são cognatos, isto é, têm a mesma origem. O culto e o cultivo precisam dos mesmos cuidados e apresentam resultados semelhantes: colheita, ceifa e coleta. “Não há substituto para o trabalho árduo”, nesta safra do sucesso com dignidade.
Ainda que o suor do rosto seja uma consequência do pecado, o trabalho é uma benção divina e, como disse Martinho Lutero, “o simples ordenhar de vacas pode ser feito para a glória de Deus”. O Criador dá comida a cada ave, mas não constrói os seus ninhos. A ordem é: se alguém não quer trabalhar, também não coma. 2 Tessalonicensess 3:10.
Charles Wagner foi perfeito ao dizer: “seria mais fácil contar as estrelas do que enumerar os esplendores do trabalho”. Alguém já disse, também, que o dicionário é o único lugar onde você encontrará sucesso antes de trabalho. Porém, o maior esplendor e o mais rico sucesso do trabalho é granjear para poder doar. Felizes são os colaboradores que cooperam de coração e dão com desprendimento.
As plantas dão frutos e os santos dão a vida e o produto dos seus ganhos com exultação. Ninguém traz coisa alguma quando chega ao planeta terra e ninguém leva nada quando sai dele. Ora, se a vida tiver outra dimensão, então “um ato generoso será sua própria recompensa”. Eu não preciso de galardões se houver profunda alegria na doação.
É do filósofo Francis Bacon: “dinheiro é como esterco: só é bom se for espalhado”. Um doutor em filosofia comentando este pensamento assegurou-me: “esterco amontoado fede; espalhado fertiliza. Se você quiser ver uma cultura viçosa e fértil, adube o seu campo; se quiser ter uma vida rica de significado, invista na redenção das pessoas”. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Marcos 8:36.
Segundo a Bíblia, o valor de uma alma é maior que o Universo. Aplicar os recursos materiais na proposta que visa à salvação eterna de uma pessoa é o maior investimento que se pode fazer aqui na terra. Talvez seja neste sentido que Jesus tenha dito: Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Mateus 6:19-21.
A pergunta que não pode se calar é: como posso enviar um depósito do banco na terra para o banco do céu? Quem sabe não seja esta a resposta de Jesus! E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos. Lucas 16:9.
Fazer amigos era o projeto final de Jesus. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. João 15:15.
Além da evangelização dos pecadores, que é fundamental, há um empenho na aplicação das riquezas, no que diz respeito ao suporte para com os irmãos mais necessitados. No reino de Deus existe uma ênfase em cuidar dos pobres, de modo consciente.
O velho John Rockfeller disse certa feita, que: “o homem mais pobre que conheço é aquele que não tem nada mais do que dinheiro”. Ter riqueza e não saber distribuí-la é uma pobreza de alma sem limite. Ser rico sem afeto é ser afetado em sua ambição de ter. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? 1 João 3:17.
O pecado fez do ser humano um receptor por excelência. A sede principal de quase toda a humanidade é ganhar, receber, armazenar e usufruir sozinho, por isso, o trabalho tem apresentado uma faceta vil no sentido de só amealhar e aumentar os seus dividendos, solidificando o patrimônio do ambicioso que não quer compartilhar.
A bolsa egoísta e avarenta procura escancarar a sua boca ávida e, o seu fundo profundo parece nunca ter fim. Tudo indica que não há um basta para o desejo apaixonado de ter cada vez mais. Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade. Eclesiastes 5:10.
O problema desta ganância é o descontentamento íntimo. Um bolso cheio de dinheiro e um coração vazio de significado é a receita mais eficaz para se instalar um miserável. Por causa disso, “o cristão é chamado para tornar imateriais suas posses materiais”.
O apóstolo Paulo disse que: mais bem-aventurado é dar, do que receber. Por quê? O mar da Galiléia recebe, mas também dá. É um lago piscoso onde a vida fervilha. O mar Morto recebe apenas; consequentemente esse açude esbanja somente morte. O princípio é: Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? 1 Coríntios 4:7.
Primeiro se recebe, para em seguida, se dá. A dádiva é um dom de Deus a quem recebeu graciosamente com desprendimento. Ninguém chegou ao mundo tendo alguma coisa. Tudo lhe foi dado. Até mesmo as suas conquistas. Sem os dons naturais, a inteligência, a saúde, as oportunidades... Neste caso, de quem é a glória? Com isto, quem sabe que o receber é tão-somente uma bênção divina, acaba sabendo dar com generosidade.
Alguns fazem caridade de má vontade, enquanto outros só fazem por dever. Mas os bem-aventurados se doam e dão com alegria. Uma dádiva sacada a interesse é puro comércio. Há muitos que contribuem visando o troco embutido. São os agiotas da fé.
Muitos que contribuem, têm os olhos fixos apenas na colheita. Semeiam o grão pensando somente na grana que vão receber em troca do seu plantio. Ofertam esperando o transbordamento da medida em suas tulhas entulhadas de cobiça.
É verdade que Deus nunca fica devendo a ninguém, pois a lei da semeadura e da ceifa é generosa, mas, também, é verdade que este tipo de culto não cultiva a dádiva dadivosa com alegria e abnegação. Estes cultivadores, de fato, estão querendo saber é da safra no paiol. A questão aqui sempre fica por conta do produto final no celeiro.
Os avarentos não dão nada a ninguém, pois a sua receita é sempre receber e poupar ao máximo. Os negociantes esperam pelo lucro e aplicam cada centavo de acordo com os resultados. Porém, os bem-aventurados dão com júbilo, uma vez que a sua trajetória é um verdadeiro jubileu de aleluia. Eles são sábios no dizer de Jim Eliot, quando “abdicam daquilo que não podem manter com o objetivo de ganhar aquilo que não podem perder”.
A felicidade dos contribuintes bem-aventurados é a bem-aventurança de contribuir com liberalidade, generosidade e regozijo. Alguém disse que: “a maneira de dar vale mais do que o que se dá”. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. 2 Coríntios 9:7.
Há três princípios básicos que nortearam a história da dadivosa dádiva na vida da Igreja. Primeiro: ganhe tudo o que você puder, honestamente. Segundo: economize tudo o que você puder, abertamente. Terceiro: dê tudo o que você puder, generosamente.
Observemos alguns outros princípios que devem orientar a nossa atitude na maneira como contribuímos. Segundo Ambrósio: “é mais importante dar o que somos do que o que temos”. De acordo com George Muller: “Deus julga o que nós damos pelo que guardamos”. E conforme Peter Marshall: “contribui de acordo com tua renda, para que Deus não torne a tua renda segundo a tua contribuição”.
Alexandre Pope dizia com relação à contribuição à igreja: “dar não é propriamente um modo de levantar dinheiro; é a maneira de Deus levantar homens”. De fato, Deus não precisa de nada, muito menos de dinheiro. Ele criou o Universo sozinho. Nós, sim, é que precisamos ser libertos da ganância e da avareza.
Se a fé de uma pessoa não afeta a sua bolsa, então a sua fé é uma balsa furada e ela vai afundar em meio a sua navegação. Mas, à proporção que a bolsa vai se esvaziando, o coração, concomitantemente, vai se enchendo de contentamento, por ser parceiro no investimento que promove a redenção dos pecadores, que Deus ama apaixonadamente.
Há um adágio irlandês que diz: “três coisas não podem ser ensinadas: generosidade, poesia e uma voz sonora”. O velho Adão não é generoso, é apenas “conveniente”. A verdadeira generosidade é um dom da graça ao novo homem em Cristo. Se formos novas criaturas, seremos generosos na semeadura e liberais na colheita. Note apenas este axioma bíblico. Porventura, fitarás os olhos naquilo que não é nada? Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus. Provérbios 23:5.
Mais algumas observações pertinentes ao assunto, levantadas por um internauta inquiridor. Onde devo contribuir? – Onde você está recebendo a comida espiritual. Você deve ofertar na cocheira que o nutre espiritualmente. Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas àquele que o instrui. Gálatas 6:6.
Mas eu não sou membro desta comunidade onde estou sendo alimentado. Eu devo contribuir com ela? – Só há uma Igreja na terra. A Igreja de Jesus Cristo. Você deve compartilhar os bens materiais com quem lhe compartilha os bens espirituais.
E se houver um ministério mais necessitado? Eu posso contribuir ali? – Imagine um proprietário de dois restaurantes; um bem frequentado e lucrativo, o outro, deficitário. Eu como sempre no primeiro, mas quero pagar no segundo. Agora, pergunto eu: está certo? É correto pagar a conta e dar a gorjeta ao garçom do restaurante onde não tomei a refeição? Sua resposta foi um sonoro – não.
Como fazer com este carente e deficitário? – Esta é uma questão do proprietário. Vejamos como o apóstolo Paulo esclarece o auxilio que a igreja gentílica deveria à igreja da Judéia, nestes termos: Isto lhes pareceu bem, e mesmo lhes são devedores; porque, se os gentios têm sido participantes dos valores espirituais dos judeus, devem também servi-los com bens materiais. Romanos 15:27. Há uma cooperação na Casa de Abba.
Agora concluindo, anotemos este último item. O dom divino da generosidade é a manifestação da graça de Abba promovendo as dadivosas dádivas em seus filhos, para que sejam participantes no suprimento da sua própria Casa. Aquele que dá com alegre desprendimento é alguém liberto, que dá sem ostentação e fora dos holofotes. Concorda?