quarta-feira, 1 de junho de 2011

AINDA QUE... TODAVIA

Ainda que a oliveira não floresça, nem haja fruto na vide, ainda que o produto da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimento, ainda que as ovelhas sejam exterminadas, e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação. Habacuque 3:17-18.

O livro de Habacuque é o oitavo dos profetas menores. Embora tenha mais de dois mil e quinhentos anos, sua mensagem é atualíssima. Os tempos podem mudar, mas o coração dos homens não. Ele ainda é prisioneiro das mesmas ambições, desejos e inclinações pecaminosas. Henrietta Mears diz: “o livro de Habacuque começa num vale profundo e termina nas alturas excelsas”. Ou seja, ele vai do desespero à esperança, do temor à verdadeira fé.
Desde a queda de Adão e, consequentemente, de toda a raça, - como está escrito:Porquanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Romanos 5:12 - o sofrimento tornou-se algo inerente na vida diária do ser humano. Todos, indistintamente, passarão por sofrimentos. O sofrimento vem para o rico e para o pobre, para o crente e para o descrente. A verdade é que o sofrimento não faz acepção de pessoas.A palavra de Deus é clara em dizer: Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. Não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpoRomanos 8:22-23.
Deus tem uma medida de sofrimento para cada ser humano. É verdade que muitos, por suas escolhas erradas, atraem o sofrimento para suas vidas, por não saber discernir o precioso do vil, e por querer andar segundo a sua própria vontade em detrimento da vontade de Deus. Lembre-se do que a palavra de Deus diz em: não vos enganeis: Deus não se deixa escarnecer. Tudo que o homem semear, também ceifará. O que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. Gálatas 6:7-8.
Diante dessa verdade, fica uma pergunta inquietante: o que temos semeado em nossas vidas? É certo que a colheita desses frutos virá. O apóstolo Paulo tinha em sua mente plena convicção de que todas as coisas que lhe aconteciam estavam debaixo da soberania de Deus. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Romanos 8:28.
A maldade, o pecado provocado por outras pessoas contra os filhos de Deus, está debaixo da soberania do Pai e não foge de seus propósitos em trabalhar na vida do seu povo. Nenhuma pessoa vai dizer ou fazer algo para um amado do Pai, gerando qualquer desconforto, sem que o próprio Deus não conheça e de alguma forma não o tenha permitido. O salmista diz: Pois tu, ó Deus, nos provaste, tu nos refinaste como se refina a prata. Tu nos deixaste cair no laço, e cargas pesadas nos colocaste nas costas. Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças, passamos pelo fogo e pela água, mas nos trouxeste a um lugar de abundância. Salmos 66:10-12. Toda circunstância gerada contra os eleitos de Deus está no seu controle.
O problema é que o ser humano não quer demonstrar fraqueza, não quer reconhecer sua total incapacidade, e, muito menos, sair do controle, ou seja, render-se. Porém, o Senhor só opera na fraqueza, ou melhor, no reconhecimento da fraqueza. Este mundo é a grande escola de Deus para o tratamento do ser humano. Deus precisa imprimir seu caráter na vida de seus filhos. E como Ele vai fazer isso? Através do sofrimento. Assentar-se-á como fundidor e purificador de prata, purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como a prata. Então eles trarão ao Senhor ofertas em retidão. Malaquias 3:3. Esse versículo bíblico intrigou algumas mulheres num determinado estudo bíblico. Elas ficaram pensando o que essa afirmação significava em relação ao caráter e a natureza de Deus. Descobriram que, no refinamento da prata, é preciso que o artesão fique sentado segurando a mesma no centro da chama, onde ela é mais quente, para queimar as impurezas. Deve manter seus olhos na prata o tempo todo em que ela estiver nas chamas, pois se a prata ficar um minuto a mais que o devido, pode ser destruída. O refinamento da prata termina somente quando o artesão vê sua imagem nela.
Nossos dias são dias de conflitos, solidão, estresse, ansiedade, depressão e medo, e todos, sem exceção, estão sujeitos às tempestades da vida. As adversidades chegam sem pedir licença. O profeta Habacuque declarou embaixo da dependência de Abba: “Ainda que”! Não importa a dor, a perda, o sofrimento, quando os olhos estão postos no Deus de toda a graça, pode-se caminhar feliz pelo vale da sombra da morte e, ainda assim, estar alegre e exultante na soberania de Deus. Este mundo é a escola de Deus para tratar com todo o ser humano. As adversidades só têm um propósito: tirar aquilo que não agrada o grande Refinador. Deus quer imprimir em cada um de seus filhos a Sua imagem, ou seja, o caráter de Jesus Cristo. E nós precisamos disso. O salmista é claro em dizer: Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos. Bem sei, ó Senhor que as tuas leis são justas, e que em tua fidelidade me afligiste. Salmos 119:67-71-75.
E para os que não nasceram de novo, Deus precisa levá-los ao fim de si mesmos, para que reconheçam a Cristo como único Senhor e Salvador. Deus está com os olhos fitos em cada um de seus eleitos, cuidando de cada um como a menina dos olhos, dizendo: Ainda que meu pai e minha mãe me desamparassem, o Senhor me recolheria. Salmos 27:10. E, também: Pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de modo que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, jamais me esquecerei de ti. Isaías 49:15.
Por vezes, a tendência do cristão é ficar com os olhos fitos na figueira e esperar frutos dela: alimento, figo, ou melhor, o doce do figo. Mas, quando isso não acontece, quando o fruto não vem, o que fazer? Habacuque começa sua profecia com choro e medo, e a termina cantando e confiante. O que produziu a mudança em seu coração? Certamente foi a certeza da soberania de Deus em todos os aspectos da história do seu povo. O Senhor tem o seu caminho na tormenta, e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. Naum 1:3-b. E, também: Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. Salmos 46:1-3. Quando se mantém o olhar somente para figueira, depara-se com fraqueza e desespero. É preciso aprender, pela graça de Deus, a olhar firmemente para o autor e consumador da fé. Certamente, quando os olhos estão postos naquele que pode todas as coisas, não precisamos entrar em desespero, pois sabemos que Ele está no controle de TUDO!
O sofrimento, na vida do ser humano, baseia-se em perdas: seja da saúde, do emprego, afeto, bens materiais ou até mesmo de um ente querido. Toda pessoa que passou por alguma perda, via de regra sente-se culpada por isso. Mas, é bom lembrar que, como seres finitos, todos estão sujeitos a perdas e não se tem como evitá-las. Se não há como evitar o sofrimento, pode-se torná-lo menos doloroso ao buscar e andar na presença de Deus Pai. Tu me farás ver a vereda da vida; na tua presença me encherás de alegria, com delícias perpétuas à tua direita. Salmos 16:11. Isto porque: Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Salmos 46:1.
Muitas vezes, aquele que está sofrendo procura não falar e até mesmo nem pensar naquilo que traz sofrimento, como um meio de fuga. Por outro lado, só encontraremos a cura ao extravasarmos todo sentimento que causa a dor. Quando se evita falar acerca desse sentimento, o corpo reage de forma negativa, trazendo doenças físicas e emocionais. O rei Davi foi claro ao dizer: Enquanto me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido o dia todo. Pois de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor tornou-se em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Salmos 32:3-5. Quando confessamos nossos pecados primeiro ao Senhor e também a um irmão de confiança, estamos dando o primeiro passo para a cura.
Jesus foi claro ao dizer: Disse-vos estas coisas para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições. Mas tende bom ânimo! Eu venci o mundo. João 16:33. Ele e somente Ele pode dar graça aos seus filhos para viverem tanto nos dias fáceis e alegres, quanto nos dias difíceis e tristes. Muitas pessoas, quando recebem um não de Deus, em momentos de dor, ficam duras como o salmista: A minha alma recusou ser consolada. Salmos 77:2-b. Toda pessoa vitimizada por um ego doído acha-se no direito de não receber o consolo de Deus. Não se dobra à soberania de Deus, pois quer que a sua vontade seja feita tanto na terra como também deveria ser feita no céu. E, assim, jamais poderá tocar na dor do outro, pois recusa-se a receber o consolo que somente o Pai celestial pode conceder. Bendito seja o Deus e Pai de nosso senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Somente aquele que passou ou está passando pela tribulação pode ser consolado por Deus e, assim, pode ser um canal de bênçãos para aqueles que também estão sendo atribulados.
Que o nosso Deus e Pai possa abrir os olhos do nosso entendimento para que possamos enxergar além da tristeza e assim glorificar seu Santo nome! Amém. Por: Maurício Torres - www.palavradacruz.com.br

quinta-feira, 26 de maio de 2011

INGREDIENTES PARA UMA RECEITA VENCEDORA

Se existe uma verdade evidente na vida, especialmente no mundo empresarial e profissional é esta: “Coisas acontecem”. E sem qualquer razão aparente coisas que nós não conseguimos explicar:
. Uma venda importante que esperávamos concluir depois de despender esforço extraordinário, de repente não se realiza.
. Perdemos nosso principal cliente sem nenhum aviso prévio ou causa compreensível.
. Não recebemos a promoção que estávamos esperando ou a recebemos e ela não é aquilo que esperávamos.
. Um membro chave da equipe de repente pede demissão ou vai para a concorrência, depois de você termos investido tempo e
  dinheiro em seu treinamento.

Quando coisas assim acontecem, geralmente ficamos a imaginar: “O que eu fiz para merecer isso?”, ou mesmo, “Por que Deus fez isso comigo?”  Ás vezes, não  encontramos explicação satisfatória; outras, porém, recebemos resposta ao nosso “por que?” A história a seguir fornece ilustração maravilhosa: 

Uma menina estava dizendo à mãe como tudo em sua vida parecia dar errado: ela não estava indo bem em matemática; o namorado terminara com ela; e sua melhor amiga estava de mudança. Tudo parecia estar desmoronando. Enquanto a filha desfiava sua história dolorosa, a mãe fazia um bolo. Fazendo uma pausa, interrompeu-a para perguntar se ela gostaria de um lanchinho.

            A filha respondeu: “De jeito nenhum, mãe. Você sabe que eu amo seu bolo!”

            “Tudo bem, beba então um pouco de óleo de cozinha”, respondeu a mãe, empurrando a garrafa de óleo em direção à sua filha. “Eca!”, disse a filha.

            “Você gostaria de alguns ovos crus?”, perguntou a mãe, segurando-os diante da jovem. “Não, mãe. Isso deve ser horroroso!”

            “Você gostaria de comer um pouco de farinha, então?” – indagou a mãe. “Ou quem sabe um pouco de fermento?”

            “Mamãe, por que você está me perguntando estas coisas? Tudo isso deve ter um gosto horrível!” 

A mãe respondeu: “Sim, todas essas coisas são ruins isoladamente. Porém, quando reunidas de forma correta, fazem um bolo maravilhosamente delicioso. E se você deixar de incluir um só ingrediente que seja, o resultado não será tão bom.”

“Deus trabalha de forma semelhante”, prosseguiu a mãe. “Muitas vezes perguntamos por que Ele nos deixa passar por tempos tão difíceis e ruins. Mas Deus sabe que quando Ele junta todas essas coisas, em Sua onisciência e perfeita ordem, elas sempre resultam em algo para o nosso bem! Nós temos apenas que confiar Nele. Ao final, todas as coisas se combinarão para fazer algo maravilhoso!”

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados de acordo com o Seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos(Romanos 8.28-19).

Você está passando por algum momento de dificuldade pessoal  ? 

Por Jim Lange

domingo, 22 de maio de 2011

OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO

Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. Filipenses 3:18.
Paulo, o apóstolo censurado pelos estigmas da cruz, censura aqui, afirmando com lágrimas, que há muita gente adversária da cruz de Cristo. Este antagonismo não é ranhetice de um povo estranho ou de uma turma forasteira. Trata-se da aversão visceral de uma tropa de elite da própria igreja. É um pessoal disfarçado que anda entre os filhos de Deus.
Os opositores da cruz de Cristo não são tipos exóticos, isto é, estrangeiros. São endógenos, forjados nos intestinos da comunidade. É gente da própria igreja e não do mundo. É um grupo que tem a linguagem correta, mas um espírito de hostilidade.
Paulo se refere a eles como muitos. Não se iludam: o pelotão é grande. A tática do “velho capitão” é infiltrar o maior número possível de agentes secretos na igreja de Cristo. Estes têm a farda de anjos, mas as entranhas são de demônios. São crentes na passarela e hereges nos bastidores. O discurso pode ser perfeito, mas o concurso é puro despeito.
O apóstolo chora diante deste quadro triste. Em sua biografia, nós o vemos cantar louvores debaixo da taca; mas ele não suporta a dor causada pelos adversários da cruz de Cristo. A farsa do humanismo é um lamento inconsolável para quem sabe discernir o valor da salvação eterna, patrocinada por Cristo crucificado.
Na lamentação do apóstolo, nos percebemos algumas particularidades destes antagonistas mascarados. Ele destaca alguns traços para nos ajudar a identificar os opositores da cruz de Cristo no seio da igreja. Vejamos como Paulo os percebe: O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. Filipenses 3:19.
Primeiro: O destino deles é a perdição. A palavra destino, no grego, é telos, que pode ser traduzida também como: propósito. O intento dos inimigos da cruz de Cristo é a não salvação dos perdidos. Apesar de estarem na igreja, eles não são salvos e, sendo assim, o seu encargo principal é impedir aqueles que seriam salvos, de serem salvos. Eles procuram ocultar a mensagem da cruz, para que os perdidos não sejam alcançados pela graça.
Nem sempre é uma ocultação teológica. Eles até pregam a mensagem, mas o espírito como anunciam não é de um crucificado: são invejosos e disputam um lugar no espaço como se precisasse de reconhecimento dos irmãos.
Por outro lado, se Deus tivesse outro meio para a salvação dos pecadores fora de Cristo crucificado e não tenha usado este método, então, temos que admitir que Deus seja mau, muito mau, porque submeteu o seu Filho a um sofrimento atroz, tendo ele outra escolha. Porém, se esta é a única opção, não há como não apresentá-la aos perdidos, já que esta é a alternativa sine qua non para a salvação dos pecadores.
Como os inimigos da cruz de Cristo são o joio no meio do trigo; ou os lobos com peles de cordeiros; eles não somente fingem que são salvos, como também atrapalham a salvação dos perdidos. A finalidade deles é a perdição dos pecadores. Não pregam o evangelho em sua essência, pois o que os motiva é a condenação eterna dos incrédulos.
Jesus definiu a turma destes ímpios com esta censura severa: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Mateus 23:13.
Lamento dizer: quem não evangeliza ou promove a evangelização dos perdidos, por meio de Cristo crucificado, é um inimigo figadal da cruz de Cristo.
Segundo: o deus deles é o ventre. Aqui temos a base de sua adoração. Os contendedores da cruz de Cristo são viscerotômicos, isto é, vivem da veneração de suas entranhas. São pessoas devotas aos seus apetites, endeusando as suas ambições carnais.
O culto dos adversários do evangelho da graça é movido aos instintos intestinais e aos desejos da carne. Eles vivem de bajulação com o objetivo de satisfazer a sua fome de reconhecimento. A ênfase do louvor neste preito encontra-se na personalidade pública e nunca no altar privativo diante do Senhor. Paulo diz que eles cultuam a koilia, isto é, a concavidade vazia de um estômago faminto por fama, mas que come qualquer porcaria.
Eles não sabem discernir o Pão do céu do pão dormido; o pão duro do humanismo. Não sabem distinguir o Maná de Deus do menu da religião; a ceia do Senhor, dos brioches da revolução francesa; o Pão nosso de cada dia, que é Cristo, do sustento diário.
A propina também faz parte deste culto idólatra do deus guloso. Desde Esaú, que vendeu a sua primogenitura por um prato de comida, até os esfomeados pós-modernistas, que negociam a ênfase da cruz por uma posição no pódio religioso, a tática é a mesma. É a profanação do sagrado e a secularização do santo.
O “deus ventre” é ainda ventríloquo, pois a sua boca fala inspirando a marionete da hipocrisia religiosa. Ao sonegar a pregação da cruz de Cristo, o divo das feições falsificadas promove a conduta humanista como se fosse o verdadeiro estilo de vida cristã. Essa é a tática mais perigosa dos inimigos da cruz de Cristo: a proclamação do humanitarismo como se fosse o cristianismo em sua essência.
Terceiro: a glória deles está na sua infâmia. Se há um fulgor que se realça no procedimento dos inimigos da cruz de Cristo é o investimento na desonra dos outros. Os oponentes do evangelho vivem saboreando o prato podre da vergonha alheia. Eles se estimulam com as fofocas e se nutrem das sujeiras que gostam de destacar. Como abutres, apreciam a carniça e se deleitam naquilo que causa embaraço e infâmia em alguém.
Uma vez que o evangelho se agrada em cobrir com amor as feridas da vergonha, os contrários às boas notícias se especializam em espalhar o seu mau cheiro por todo lugar. O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. Provérbios 10:12.
Uma das peculiaridades do evangelho é garantir com amor a decência do humilhado. Não se trata de encobrir o pecado alheio, mas de assumi-lo como sendo seu, enquanto avoca para si a dívida do devedor. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 Pedro 4:8.
É bom ressaltar. Não é encobrir o pecado, mas cobri-lo. Não se trata de ocultação de cadáver, mas de tomar a dívida do culpado, pagando-a como se fosse sua própria dívida. Foi assim que o nosso Senhor Jesus Cristo fez conosco.
A glória dos inimigos da cruz de Cristo visa detonar a imagem dos trôpegos, tornando-os motivo de escândalo perante os outros. Os humanistas se aperfeiçoam num moralismo esnobe e numa religiosidade mascarada, para, em seguida, deslustrar todos os que pisam na bola. Eles se vangloriam com o fracasso dos outros.
Quarto: só se preocupam com as coisas terrenas. Se você quiser reconhecer um inimigo da cruz de Cristo na igreja, veja a sua ênfase. A sua agenda enfoca apenas os assuntos relacionados com o aqui e o agora. Eles são terrenos e vivem enterrados com as preocupações das coisas que o fogo vai consumir. Só pensam nos eventos perecíveis.
Essa mentalidade rasteira valoriza somente os tesouros do chão. Para eles o patrimônio econômico é mais importante do que os bens eternos. O dinheiro da “igreja” vale mais do que a salvação de uma alma. O saldo da conta bancária na terra tem mais significado do que os depósitos em pessoas, enviados para o “banco celestial”. Eles não aquilatam a estima que Abba nutre pelas pessoas carentes e perdidas.
Os inimigos da cruz de Cristo, que andam entre nós, são humanistas de carteirinha, gente de bons antecedentes criminais, mas também, são os mentores da não pregação do evangelho de Cristo crucificado. Eles procuram impedir a proclamação da nossa morte e ressurreição com Cristo, e, quando não conseguem, adaptam a mensagem usando uma linguagem semelhante, enquanto boicotam os pregadores nos bastidores.
Com disse anteriormente: não basta pregar a mensagem correta de Cristo crucificado. É preciso ter também o espírito de um crucificado. O discurso da cruz deve ser seguido pelo curso de uma vida que traz as marcas da co-crucificação. A teologia certa da cruz de Cristo carece da certeza de que fomos realmente crucificados com ele.
Os piores inimigos da cruz de Cristo estão no seio da igreja. O mundo é um adversário ferrenho da pessoa de Cristo, enquanto os falsos cristãos são os inimigos ferozes, mais persistentes da obra de Cristo, embora, permaneçam disfarçados como discípulos.
O apóstolo disse que eles eram muitos, quando a população do mundo era pequena e os números da igreja bem menores do que agora. Não vamos subestimar a taxa nos dias de hoje. Acredito que temos uma multidão incalculável dos inimigos da cruz de Cristo convivendo com santos na igreja contemporânea. Por isso mesmo, precisamos de cuidado e acuidade espiritual para podermos não entrar no seu jogo.
A visão espiritual desta comunidade é: Conhecer a Cristo crucificado e fazê-lo conhecido em todo o lugar por meio da graça. Não podemos nos intimidar com as pressões, nem deixar por menos esta mensagem. Que o Senhor nos dê intrepidez para anunciar com toda ousadia a sua morte e ressurreição, bem como, a nossa morte e ressurreição juntamente com ele, no espírito de humildade e mansidão do próprio Cristo.
Rogo, pelas misericórdias do Pai, para que não percamos de vista a ênfase divina na pessoa de Cristo e na sua obra graciosa realizada na cruz. O humanismo, com todas as suas táticas satânicas, vai sempre, disfarçado, disputar um lugar no seio da igreja, promovendo algo semelhante ao cristianismo e trazendo muita confusão na vida dos ingênuos e desavisados. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça. Mateus 13:9. Amém. Glenio Fonseca Paranaguá 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

UM MAIOR

“Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos assusteis por causa do rei da Assíria, nem por causa de toda a multidão que está com ele; porque um há conosco maior do que o que está com ele. Com ele está o braço de carne, mas conosco, o SENHOR, nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear nossas guerras. O povo cobrou ânimo com as palavras de Ezequias, rei de Judá.” (2 Crônicas 32:7-8 ARA)
Só de se falar em perseguição na igreja e todo assunto similar, que traga o senso de conflito, temos uma multidão se apavorando. Conheço gente que ora mais pelos perseguidos dos países asiáticos do que para o próprio marido se converter. Não sou contra nem uma coisa nem outra, mas acho que, às vezes, nosso povo dentro da igreja super-estima o inimigo.
Os poderosos que nos são contrários podem e geralmente são mais poderosos do que nós, isso é fato e não precisa muita explicação. Por isso mesmo sempre digo que não podemos andar sozinhos, pois Aquele que pode todas as coisas tem de estar conosco. Aqui o texto diz “há conosco um maior”, em perfeita sintonia com 1 João 4:4 e outros textos correlatos.
Meu receio é subestimar Aquele que é maior do que o que está no mundo. Vejo pregadores, evangelistas e principalmente membros das igrejas valorizando demais as obras do inimigo e dando uma sensação de que a cruz não representou muito. Fica parecendo que o maior não pode mais que o menor. Não sou triunfalista, mas é preciso reconhecer que vitorioso é quem vence, ponto final. Meu Deus é poderoso e ponto final. É maior do que aquele que está no mundo e ponto final. O acerto entre eu e Ele é outro assunto, mas que Ele é maior, é.
Será que não estamos nos furtando de batalhar por santidade e consagração por mera preguiça ou comodismo? Será que não valorizamos demais o que o olho pode ver, no caso dos problemas, e menosprezamos com isso uma cura invisível? São ótimas perguntas.
“Pai, não quero negligenciar minhas batalhas, mas preciso confiar mais em Ti. Ensina-me a caminhar confiante sem ser soberbo.” Mário Fernandez - ichtus.com.br

DIA MAU

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” (Efésios 6:13 ARA)

Se há dia mau, é por que há dia melhor. A gente quer ser otimista, olhar tudo com fé na vitória, focar no Reino vindouro, não se deixar abalar, deixar as circunstâncias de lado e seguir sorridente… Mas atire o primeiro analgésico quem nunca se deprimiu ou desanimou diante de um dia ou semana difícil.
Há tempos e ciclos na vida da gente em que os dias são literalmente maus: nada dá certo, chove no dia “errado” e faz sol tarde demais, a gente erra o assado justo com a visita mais chique, o terno não entra, o computador não liga e o carro falha. Mas preste atenção: não existe vida ruim, embora posssa haver algum dia ruim. O coração da gente pode se apertar num dia, dois, três, uma semana – mas amanhece um dia e a alma se dá conta do dom da vida, da misericórdia recém renovada, da alegria que vem pela manhã. O choro termina, meu irmão, pode ter certeza. A época do Natal para mim foi marcada muitos anos por tristezas e disssabores. Mas aleluia, eu comemoro o fato e não a data – meu Redentor vive, nasceu para morrer por mim.
Foco e concentração é tudo quando se tem um objetivo e todo cristão tem um alvo. O dia mau existe, é uma realidade, está aí para nos aperfeiçoar em santidade e paciência. Mas não é e nunca deve ser o foco da vida de ninguém, por mais turbulento que seja. Por sofrido que seja. Por apavorante que possa ser, o Senhor é Soberano e tem para nós dias melhores à frente. Foque no melhor, esse é o alvo, apesar do que esteja acontecendo agora.
O foco é no alvo e o alvo é o Reino Celestial, assentado com Cristo. Vida vitoriosa neste mundo sim, com certeza. Mas não imaginemos que isso é vacina contra dissabores e encrencas que tiram nosso ânimo e por vezes nosso fôlego. Eu sei o quanto os dias podem ser maus, creia-me. Mas meu desânimo não me vence, não me supera, pois maior é Aquele que está em mim.

“Deus amado, perdoa minha fraqueza de ânimo quando as dificuldades superam minha força. Fortalece-me e ensina-me a ser mais forte em Ti.” Mário Fernandez

quarta-feira, 4 de maio de 2011

VIVENDO ATOS 2, HOJE!

“…e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.” (Atos 2:47b)
Nos últimos domingos temos ido a diferentes igrejas, pois mudamos de cidade e ainda não decidimos qual igreja iremos frequentar, assim temos ido conhecer algumas. O interessante é que, na maior parte das igrejas, temos ouvido mensagens similares, onde os pastores têm chamando a atenção do povo para a necessidade de vivermos a vida cristã e manifestarmos a comunhão descrita nos últimos versículos de Atos 2.
Também meu esposo escreveu uma mensagem na semana passada, no site ICHTUS, com o título “Você pode orar comigo?“, onde ele falou sobre a necessidade de não só prometermos orar, mas realmente e no ato do pedido orarmos uns pelos outros. Enfim, tudo isso levou-me a lembrar de uma série de outros pequenos gestos que, como cristãos, nunca deveríamos deixar de praticar, porque só o fato dos incrédulos verem, muitas vezes lhes damos testemunho. Demonstramos o amor e cuidado de Deus pelas outras pessoas com gestos como uma visita, como receber pessoas em nossa casa, fazer um favor, atendermos uma necessidade, cumprimentarmos os visitantes no final do culto. Enfim, atos que hoje em dia, por causa da vida tão ocupada que levamos, deixamos de praticar.
Logo que nos casamos, meu marido e eu compartilhamos de momentos maravilhosos na casa de um casal de amigos, que eram mais velhos que nós, que já tinham alguns anos de casados e, portanto, mais experiência e também mais problemas e dificuldades para lidarem. No entanto, eles sempre se dispuseram a abrir sua casa e suas vidas e nos receberam e compartilhavam conosco o que tinham. Eram tardes abençoadas e que trazemos na lembrança, com muitas saudades, até hoje. E sabe o que era mais importante? Não era a mesa farta ou o requinte do que nos era servido, porque os nossos lanches sempre eram café com leite e pão caseiro; mas era o tempo e o amor que este casal dedicou a um jovem e inexperiente casal que precisava de orientação e amizade. Como foram preciosas aquelas tardes de sábado na casa do Edvaldo e da Selma. Hoje estão longe de nós, morando em outro país, mas sempre lembrados e imitados por nós.
Também agora, ao chegar em Campinas, Deus nos abençoou ricamente através da vida de outros dois casais que abriram mão da sua comodidade e nos ajudaram, Vinícius e Márcia abrindo sua casa e nos acolhendo por três semanas, não se importando com a bagunça e com todo o transtorno de receber uma outra família inteira em sua casa e nos ajudando e emprestando seu carro e tempo para que nós pudéssemos nos estabelecer aqui. E também a Hélia e o Hélio que doaram de seu tempo, carro e gasolina, andando conosco, percorrendo imobiliárias e casas e apartamentos até que achássemos o lugar para morarmos. Certamente que esses casais têm suas obrigações, dificuldades e lutas, mas apesar disso se dispuseram a ajudar a um outro irmão. O que faz isso? Só posso dizer que é amor, amor a Deus e ao próximo, e viver o que o povo de Atos vivia.
Infelizmente, nossos dias têm sido muitas vezes cheios de preocupações e atividades que têm nos roubado o prazer e a alegria de fazermos pequenos gestos, atos abençoadores. Faz com que nos preocupemos que, se tiver de receber em casa, teremos de ter uma casa maior, mais bem arrumada, local adequado ou uma mesa farta; se tiver de fazer uma visita ou de ajudar alguém a ir em um determinado lugar teremos de refazer e remanejar nossas agendas. Emprestar o carro, jamais! “Carro é como mulher, não se empresta”. Interessante que nos tempos de Atos eles tinham tudo em comum… mas naquele tempo não existia carro, não é?
E o que me dizer de cumprimentar os visitantes ao final do culto? “-ah… mas sabe, é que eu coordeno um ministério na igreja e no final do culto tenho de correr atrás das pessoas do meu ministério pra acertarmos os últimos detalhes do próximo programa, e ai não sobra tempo de cumprimentar os visitantes”. Pois é, essas são desculpas que eu também usei por muito tempo. Peço a Deus que me ajude a viver de modo diferente e a ser mais atenta aos meus irmãos e suas necessidades e assim praticar e viver conforme os primeiros cristãos e mostrar ao mundo como é viver numa comunidade onde as pessoas se amam e se cuidam.
Certamente que se eu e você, meu irmão, conseguirmos colocar isso em prática, vamos cair na graça do povo. E Deus vai acrescentar diariamente os que vão sendo salvos, porque o mundo está carente e sedento de amor. Sandra Torres - ICHTUS.com.br

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A FINALIDADE DA CRUZ



Estou crucificado com Cristo; 
logo, já não sou eu quem vive, 
mas Cristo vive em mim... 
Gálatas 2.19b-20

A ilusão do “símbolo” do 
Cristianismo
Os elementos anticristãos do mundo secular dariam tudo para conseguir eliminar manifestações públicas da cruz. Ainda assim, ela é vista no topo das torres de dezenas de milhares de igrejas, nas procissões, sendo freqüentemente feita de ouro e até ornada com pedras preciosas. A cruz, entretanto, é exibida mais como uma peça de bijuteria ao redor do pescoço ou pendurada numa orelha do que qualquer outra coisa. É preciso perguntarmos através de que tipo estranho de alquimia a rude cruz, manchada do sangue de Cristo, sobre a qual Ele sofreu e morreu pelos nossos pecados se tornou tão limpa, tão glamourizada. Não importa como ela for exibida, seja até mesmo como joalheria ou como pichação, a cruz é universalmente reconhecida como símbolo do cristianismo – e é aí que reside o grave problema. A própria cruz, em lugar do que nela aconteceu há 19 séculos, se tornou o centro da atenção, resultando em vários erros graves. O próprio formato, embora concebido por pagãos cruéis para punir criminosos, tem se tornado sacro e misteriosamente imbuído de propriedades mágicas, alimentando a ilusão de que a própria exibição da cruz, de alguma forma, garante proteção divina. Milhões, por superstição, levam uma cruz pendurada ao pescoço ou a tem em suas casas, ou fazem “o sinal da cruz” para repelir o mal e afugentar demônios. Os demônios temem a Cristo, não uma cruz; e qualquer um que não foi crucificado juntamente com Ele, exibe a cruz em vão.

A “palavra da cruz”: 
poder de Deus

Paulo afirmou que a  palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus (1 Coríntios 1.18). Assim sendo, o poder da cruz não reside na sua exibição, mas sim na
sua pregação; e essa mensagem nada tem a ver com o formato peculiar da cruz, e sim com a morte de Cristo sobre ela, como declara o evangelho. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16), e não para aqueles que usam ou exibem, ou até fazem o sinal da cruz.
O que é esse evangelho que salva? Paulo afirma explicitamente: venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei... por ele também sois salvos... que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1 Corintios 15.1-4). Para muitos, choca o fato do evangelho não incluir a menção de uma cruz. Por quê? Porque a cruz não era essencial à nossa salvação. Cristo tinha que ser crucificado para cumprir a profecia relacionada à forma de morte do Messias (Salmos 22), não porque a cruz em si tinha alguma ligação com nossa redenção. O imprescindível era o derramamento do sangue de Cristo em Sua morte como prenunciado nos sacrifícios do Antigo Testamento, pois sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9.22); é o sangue que fará expiação em virtude da vida (Levítico 17.11).
Não dizemos isso para afirmar que a cruz em si é insignificante. O fato de Cristo ter sido pregado numa cruz revela a horripilante intensidade da maldade inata ao coração de cada ser humano. Ser pregado despido numa cruz e ser exibido publicamente, morrer lentamente entre zombarias e escárnios, era a morte mais torturantemente dolorosa e humilhante que poderia ser imaginada.
E foi exatamente isso que o insignificante ser humano fez ao seu Criador! Nós precisamos cair com o rosto em terra, tomados de horror, em profundo arrependimento, dominados pela vergonha, pois não foram somente a turba sedenta de sangue e os soldados zombeteiros que O pregaram à cruz, mas sim nossos pecados!

A cruz revela a malignidade 
do homem e o amor de Deus

Assim sendo, a cruz revela, pela eternidade adentro a terrível verdade de que, abaixo da bonita fachada de cultura e educação, o coração humano é enganoso... mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto ( Jeremias 17.9), capaz de executar o mal muito além de nossa compreensão, até mesmo contra o Deus que o criou e amou, e que pacientemente o supre. Será que alguém duvida da corrupção, da maldade de seu próprio coração? Que tal pessoa olhe para a cruz e recue dando uma reviravolta, a partir de seu ser mais interior! Não é à toa que o humanista orgulhoso odeia a cruz!
Ao mesmo tempo em que a cruz revela a malignidade do coração humano, entretanto, ela revela a bondade, a misericórdia e o amor de Deus de uma maneira que nenhuma outra coisa seria capaz. Em contraste com esse mal indescritível, com esse ódio diabólico a Ele dirigido, o Senhor da glória, que poderia destruir a terra e tudo o que nela há com uma simples palavra, permitiu-se ser zombado, injuriado, açoitado e pregado àquela cruz! Cristo a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz (Filipenses 2.8). Enquanto o homem fazia o pior, Deus respondia com amor, não apenas Se entregando a Seus carrascos, mas carregando nossos pecados e recebendo o castigo que nós justamente merecíamos.

A cruz prova que existe 
perdão para o pior dos pecados

Existe, ainda, um outro sério problema com o símbolo, e especialmente o crucifixo que exibe um Cristo perpetuamente pendurado na cruz. A ênfase está sobre o sofrimento físico de Cristo como se isso tivesse pago os nossos pecados. Pelo contrário, isso foi o que o homem fez a Ele e só podia nos condenar a todos. Nossa redenção aconteceu através do fato de que Ele foi ferido por Jeová e sua alma [foi dada] como oferta pelo pecado (Isaías 53.10); Deus fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos (Isaías 53.6); e, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados. (1 Pedro 2.24).
A morte de Cristo é uma evidência irrefutável de que Deus precisa, em Sua justiça, punir o pecado, que a penalidade precisa ser paga, caso contrário não pode haver perdão.
O fato de que o Filho de Deus teve que suportar a cruz, mesmo depois de ter clamado a Seu Pai ao contemplar em agonia o carregar de nossos pecados [Se possível, passe de mim este cálice! (Mateus 26.39)], é prova de que não havia outra forma de o ser humano ser redimido. Quando Cristo, o perfeito homem, sem pecado e amado de Seu Pai, tomou nosso lugar, o juízo de Deus caiu sobre Ele em toda sua fúria. Qual deve ser então, o juízo sobre os que rejeitam a Cristo e se recusam a receber o perdão oferecido por Ele! Precisamos preveni-los!
Ao mesmo tempo e no mesmo fôlego que fazemos soar o alarme quanto ao julgamento que está por vir, precisamos também proclamar as boas notícias de que a redenção já foi providenciada e que o perdão de Deus é oferecido ao mais vil dos pecadores. Nada mais perverso poderia ser concebido do que crucificar o próprio Deus! E ainda assim, foi estando na cruz que Cristo, em seu infinito amor e misericórdia, orou: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23.34). Assim sendo, a cruz também prova que existe perdão para o pior dos pecados, e para o pior dos pecadores.

Cuidado: não anule a 
cruz de Cristo!

A grande maioria da humanidade, entretanto, tragicamente rejeita a Cristo. E é aqui que enfrentamos outro perigo: é que em nosso sincero desejo de vermos almas salvas, acabamos adaptando a mensagem da cruz para evitar ofender o mundo. Paulo nos alertou para tomarmos cuidado no sentido de não pregar a cruz com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo (1 Coríntios 1.17). Muitos pensam: “É claro que o evangelho pode ser apresentado de uma forma nova, mais atraente do que o fizeram os pregadores de antigamente. Quem sabe, as técnicas modernas de embalagem e vendas poderiam ser usadas para vestir a cruz numa música ou num ritmo, ou numa apresentação atraente assim como o mundo comumente faz, de forma a dar ao evangelho uma nova relevância ou, pelo menos, um sentido de familiaridade. Quem sabe poder-se-ia lançar mão da psicologia, também, para que a abordagem fosse mais positiva. Não confrontemos pecadores com seu pecado e com o lado sombrio da condenação do juízo vindouro, mas expliquemos a eles que o comportamento deles não é, na verdade, culpa deles tanto quanto é resultante dos abusos dos quais eles têm sido vitimados. Não somos todos nós vítimas? E Cristo não teria vindo para nos resgatar desse ato de sermos vitimados e de nossa baixa perspectiva de nós mesmos e para restaurar nossa auto-estima e autoconfiança? Mescle a cruz com psicologia e o mundo abrirá um caminho para nossas igrejas, enchendo-as de membros!” Assim é o neo-evangelicalismo de nossos dias.
Ao confrontar tal perversão, A. W. Tozer escreveu: “Se enxergo corretamente, a cruz do evangelicalismo popular não é a mesma cruz que a do Novo Testamento. É, sim, um ornamento novo e chamativo a ser pendurado no colo de um cristianismo seguro de si e carnal... a velha cruz matou todos os homens; a nova cruz os entretêm. A velha cruz condenou; a nova cruz diverte. A velha cruz destruiu a confiança na carne; a nova cruz promove a confiança na carne... A carne, sorridente e confiante, prega e canta a respeito da cruz; perante a cruz ela se curva e para a cruz ela aponta através de um melodrama cuidadosamente encenado – mas sobre a cruz ela não haverá de morrer, e teimosamente se recusa a carregar a reprovação da cruz”.

A cruz é o lugar onde nós 
morremos em Cristo

Eis o “x” da questão. O evangelho foi concebido para fazer com o eu aquilo que a cruz fazia com aqueles que nela eram postos: matar completamente. Essa é a boa notícia na qual Paulo exultava: Estou crucificado com Cristo. A cruz não é uma saída de incêndio pela qual escapamos do inferno para o céu, mas é um lugar onde nós morremos em Cristo. É só então que podemos experimentar o poder da sua ressurreição (Filipenses 3.10), pois apenas mortos podem ser ressuscitados. Que alegria isso traz para aqueles que há tempo anelam escapar do mal de seus próprios corações e vidas; e que fanatismo isso aparenta ser para aqueles que desejam se apegar ao eu e que, portanto, pregam o evangelho que Tozer chamou de “nova cruz”.
Paulo declarou que, em Cristo, o crente está crucificado para o mundo e o mundo para ele (Galatas 6.14). É
linguagem bem forte! Este mundo odiou e crucificou o Senhor a quem nós amamos – e, através desse ato, crucificou a nós também. Nós assumimos uma posição com Cristo. Que o mundo faça conosco o que fez com Ele, se assim quiser, mas fato é que jamais nos associaremos ao mundo em suas concupiscências e ambições egoístas, em seus padrões perversos, em sua determinação orgulhosa de construir uma utopia sem Deus e em seu desprezo pela eternidade.
Crer em Cristo pressupõe admitir que a morte que Ele suportou em nosso lugar era exatamente o que merecíamos. Quando Cristo morreu, portanto, nós morremos nEle:  julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou (2 Coríntios 5.14-15).
“Mas eu não estou morto”, é a reação veemente. “O eu ainda está bem vivo”. Paulo também reconheceu isso:  não faço o bem que prefiro, mas o...mal que não quero, esse faço (Romanos 7.19). Então, o que é que “estou crucificado com Cristo” realmente significa na vida diária? Não significa que estamos automaticamente mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus (Romanos 6.11). Ainda possuímos uma vontade e ainda temos escolhas a fazer.

O poder sobre o pecado

Então, qual é o poder que o cristão tem sobre o pecado que o budista ou o bom moralista não possui? Primeiramente, temos paz com Deus pelo sangue da sua cruz (Colossesces 1.20). A penalidade foi paga por
completo; assim sendo, nós não tentamos mais viver uma vida reta por causa do medo de, de outra sorte, sermos condenados, mas sim por amor Àquele que nos salvou. Nós amamos porque ele nos amou primeiro (1 João 4.19); e o amor leva quem ama a agradar o Amado, não importa o preço. Se alguém me ama, guardará a minha palavra ( João 14.23), disse o nosso Senhor. Quanto mais contemplamos a cruz e meditamos acerca do preço que nosso Senhor pagou por nossa redenção, mais haveremos de amá-lO; e quanto mais O amarmos, mais desejaremos agradá-lO.
Em segundo lugar, ao invés de “dar duro” para vencer o pecado, aceitamos pela fé que morremos em Cristo. Homens mortos não podem ser tentados. Nossa fé não está colocada em nossa capacidade de agirmos como pessoas crucificadas, mas sim no fato de que Cristo foi crucificado de uma vez por todas, em pagamento completo por nossos pecados.
Em terceiro lugar, depois de declarar que estava crucificado com Cristo”, Paulo acrescentou:  “logo, já não
sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Galatas 2.20). O justo viverá por fé (Romanos 1.17; Galatas 3.11; Hebreus 10.38) em Cristo; mas o incredulo só pode colocar sua fé em si mesmo ou em algum programa de auto-ajuda, ou ainda num guru desses bem esquisitos.
Quando Cristo morreu, Ele exclamou em triunfo: Está consumado ( João 19.30), usando uma expressão que, no grego, significa que a dívida havia sido quitada totalmente.
Muitos cristãos vivem em incerteza , com medo de que tudo será perdido se eles falharem em viver uma vida suficientemente boa, ou se perderem sua fé, ou se voltarem as costas a Cristo. Existe uma finalidade abençoada da cruz que nos livra dessa insegurança. Cristo jamais precisará ser novamente crucificado;
nem os que foram crucificados com Cristo ser “descrucificados” e aí “recrucificados”! Paulo declarou: porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus (Colossences 3.3). Que segurança para o presente e para toda a eternidade! Dave Hunt - Revista Betel - www.assbetel.com.br