sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ABUNDÂNCIA BOA

"Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez;" (Filipenses 4:12 RA)

Quase todos os cristãos sabem o próximo versículo na ponta da língua, ainda que nem todos saibam encontrá-lo na Bíblia. Mas, curiosamente, se perguntarmos, a maioria não saberá este. Abundância é bom, escassez não.
Vivemos dias de uma oferta igrejista (ou igrejeira, não sei) na qual o que é bom é de Deus e o que não é bom é do inferno. Mesmo que o conceito de bom seja obscuro e cinzento. Meu time de futebol ganhar o campeonato é bom? É de Deus? E os irmãos que torcem para o outro time? Como fica? E candidato político? E ganhar causa na justiça?
Meu irmão entenda uma coisa de uma vez por todas: Paulo usa o termo "tanto" justamente para dizer que, embora tendo passado por muitas coisas, ele sabe encontrar no Senhor a força. Tudo posso (depois de experimentar o bom e o ruim) no Senhor que me fortalece. Não é triunfalismo, é experiência de vida, maturidade.
Quem não aceita ser humilhado jamais será honrado. Quem nunca teve fome não valoriza a fartura. Quem só conhece abundância não sabe do que estou falando. Glória a Deus pela vida que levo, na qual não me falta nada do que preciso. Não tenho tudo que eu quero, mas tenho tudo de que preciso. Glória a Deus por que, quando passei aperto, o Senhor foi comigo e vivi e venci para poder hoje te dizer: a foça vem Daquele que traz sobre nós o dia de sol e o chuvoso, o frio e o quente, o abundante e o escasso.
Não estou declarando que Deus tenha prazer no nosso sofrimento, mas que a dor ensina a gemer não duvide. A abundância é melhor, a riqueza é melhor, a fartura é melhor. Mas a melhor abundância de todas é a da presença do Pai, é a da força do Pai sobre nós. O resto é tão fútil e vazio que dá pena.
"Pai, Te amo. Obrigado pelo que Tu és, independente do que já me deste e que não é pouco. Obrigado por me ensinar a depender de Ti como eu preciso. Eu te amo, por que Tu nunca me faltaste."
Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Aprendendo a orar ‘O Pai Nosso'

A vida que termina sob uma lápide com epitáfio é muito curta e sem sentido. Aqui e agora é pouco para quem tem fome do ilimitado.

Ser humano é ser alguém relacional. A solidão é uma tragédia e nós precisamos de nos comunicar. Mas, nós temos carências mais profundas, muito além de membros da fam'lia e de bons amigos. Somos uma raça com anseios transcendentes. Temos sede de significado eterno e almejamos compartilhar de uma intimidade pessoal com Alguém que nos ame incondicionalmente.
A vida que termina sob uma lápide com epitáfio é muito curta e sem sentido. Aqui e agora é pouco para quem tem fome do ilimitado. Fomos criados para um relacionamento sem os limites da morte, por isso gritamos por uma comunhão verdadeira. Dialogar é uma conversa entre duas pessoas amigas. É algo amistoso. Pedir é uma solicitação entre um carente e alguém com condições de atender. É coisa de necessitado. Orar é um diálogo entre um filho amado e o seu Pai amável. É assunto familiar.

Oração não é rezar. Não é repetição. Não é alguma coisa decorada. É uma conversa que pode até ter algumas petições, todavia nunca será uma lista de clamores e súplicas. É um bate-papo na sala íntima dos domésticos da fé. Portanto, Jesus nos ensinou a orar assim: Pai nosso. Pai, não padrasto. Pai, alguém que ama loucamente seu filho. Oração é o dialogo do filho com o seu Abba. É um assunto de solitude e jamais de solidão. Estar só, sem, contudo, encontrar-se sozinho. É viver acompanhado, entretanto, longe dos barulhos de fora. Trata-se de uma conversa com o Pai nosso do céu, que se importa conosco na terra. O Pai que é Pai, mas também é Rei. É Pai-Rei e não Rei-Pai. Ele não é mais Rei do que Pai e o seu reino de Pai é um reino de amor.

Como filho, quero experimentar a santificação do teu Nome, ó Pai. Porém sou incapaz de cumprir esta ordem tão significativa e tão elevada, por isso mesmo, eu te rogo que me faças um instrumento da tua santidade sob o governo do teu reino paternal. Não por imposição, nem por esforço, mas por tua graça.

Venha o teu reino de misericórdia e graça; dá-me sede dos teus próprios anseios. Tu sabes que a minha vontade está comprometida com os meus desejos egoístas, sendo assim, só a tua vontade que é boa, perfeita e agradável, pode me fazer um agente da tua vontade, capaz de fazer todas as coisas, de boa vontade.

Pai, eu tenho fome. Mas não é fome de pão de padaria. É fome do Pão do céu; fome de aceitação plena, sem qualquer rejeição. A broa nossa de cada dia não consegue satisfazer o meu apetite voraz daquilo que é permanente; da realidade eterna. O pãozinho francês, que se come de uma vez, só mata a fome do freguês por algumas horas. A minha miséria não se contenta com aquilo que é breve, transitório, provisório. Eu tenho fome mesmo é de Jesus, o maná de cima, o maná fresco do dia, e de cada dia.

Depois de ter sido alimentado hoje, com o Pão quentinho, eu tenho que tratar agora com os que me ofenderam há pouco tempo. As ofensas de ontem, graças à tua misericórdia, prontamente foram perdoadas. Eu sou grato porque na tua casa não há lata de lixo, nem precisamos acumular a sujeira, pois o lixeiro leva tudo imediatamente. Porém, como ninguém vive neste mundo de espinhos sem alguma espetadela, e, como eu também, acabo ferindo ao meu próximo, venho te pedir: Ó Pai, perdoa-me com o perdão do teu Filho, para que eu possa perdoar aqueles que me feriram. Por favor, não me permitas que eu seja um carcereiro aprisionado na cadeia dos ressentimentos de meus ofensores. Assim como o Senhor me perdoou, eu também estou pronto a perdoar.

Pai, eu sou tão débil e sujeito às terríveis tentações. A carne é fraca e o inimigo é astuto. Mas, eu não venho te pedir que me livres das tentações. O que eu te peço é que me sustentes, com tua graça, quando estiver passando pelas provas. Se eu não for tentado, eu vou ficar tentado a crer que sou especial, e, deste modo, ficarei mais arrogante ainda do que tenho sido. Abba querido, eu te rogo: Sê tu, a minha torre forte na hora das tormentas insuportáveis e, quando o maligno estiver me açoitando, livra-me dele. Quero confessar, com alegria, que pertenço ao teu reino. Sou teu filho guardado pelo teu poder e almejo ainda, de boa vontade, viver somente para a tua glória. Reitero, com grande júbilo, o que me tem ficado notório a cada dia: o Reino, o Poder e a Glória são atributos permanentes de tua Pessoa excelsa. Amém.

Na oração do Pai nosso, nós temos os avenidas por onde podemos passear em comunhão com o nosso amado Abba. Cada um das sete vias nos conduz a uma intimidade extraordinária. Então, ao orar, ore assim, sobre qualquer motivo:
1. Fale com o seu Pai.
2. Suplique a santificação do seu Nome.
3. Peça a governabilidade do reino paterno em a sua vida.
4. Aceite a sua vontade acima de tudo.
5. Coma do Maná de Deus, cada dia.
6. Creia no perdão divino e perdoe os que o golpeiam.
7. Fique debaixo da proteção durante a tentação, suplicando a libertação do maligno. Finalmente, permaneça adorando a Deus, reconhecendo que o Reino, o Poder e a Glória pertencem apenas à Trindade Santa.
Viva sempre com ações da graças e louvores no seu coração. Desconheço o autor, se alguém souber me informe.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

MENTALIDADE DE FILHO MAIS VELHO



Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos. Lucas 15:29.

Este versículo faz parte de uma das mais conhecidas e queridas parábolas ensinadas por Jesus, a “parábola do filho pródigo”. Esta parábola, diferentemente da maioria, traz mais de uma mensagem. A mais comentada e pregada é a maneira graciosa com que o pai recebe o filho gastador, que se arrepende após ter dissipado a herança recebida. Ou seja, trata da mensagem do amor perdoador que Deus tem para com os pecadores.
Alguns títulos dados a esta passagem são: “a parábola do filho pródigo”, “o filho pródigo”, “a parábola do filho perdido”. Observamos, com isto, que a ênfase dada a este texto recai sempre sobre o filho mais novo. Todavia, no versículo 11, Jesus inicia sua fala da seguinte maneira: “certo homem tinha dois filhos”. Sendo assim, nosso olhar precisa estar atento não somente ao que acontece com o filho mais novo, que é o mais famoso da história, mas também ao que acontece com o filho mais velho.
E para entendermos o que acontece com o filho mais velho, é preciso destacar o contexto em que Jesus conta esta parábola. No início do capítulo 15 de Lucas, está a explicação das três parábolas que se seguem. Jesus estava, mais uma vez, falando a publicanos e pecadores.
O texto nos diz que essas pessoas aproximavam-se de Jesus, achegavam-se a ele. Jesus não só os recebia, como também fazia refeições com eles (verso 2). Na verdade, não era Jesus quem procurava por estas pessoas, mas elas é que eram atraídas por Jesus. Por outro lado, ao mesmo tempo que Jesus atraía os proscritos da sociedade, ele também incomodava, em muito, um outro tipo de pessoas, os religiosos daquela época, ou seja, os fariseus e os escribas. Para estes, ajuntar-se com pecadores, até mesmo para ensinar a Lei, era algo proibido. Comer com estas pessoas, então, era o mesmo que dar boas-vindas a elas e isto era algo inaceitável.
Esta introdução do capítulo 15 do Evangelho de Lucas é essencial para o entendimento da parábola do filho pródigo. O cenário, segundo o qual ela é contada, é este: Jesus atraía pecadores e comia com eles; e este seu comportamento incomodava os religiosos, que viviam murmurando. Por causa desta reclamação dos religiosos, Jesus, então, apresenta três parábolas. A primeira (versículos 3 a 7), que é a da ovelha perdida. A segunda (versículos 8 a 10), que é a da dracma perdida. E a terceira (versículos 11 a 32), que é a do filho pródigo. A essência da mensagem das duas primeiras parábolas é mostrar o amor de Deus pelo pecador e que é Ele quem busca o perdido e não o inverso. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. João 6:44. Nós o amamos porque ele nos amou primeiro. 1 João 4:19.
Destas três parábolas contadas por Jesus, a parábola do filho pródigo é a mais detalhada. Nesta parábola, existem duas seções principais. A primeira, do versículo 11 ao 24, mostra a graça de Deus, através do seu amor pelos pecadores, que é a força motriz do Evangelho. A segunda seção, do versículo 25 ao 32, mostra a indignação do filho mais velho, resumida na seguinte fala: há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos. Lucas 15:29.
Alguns estudiosos sugerem que esta parábola possui um título inadequado, que ela deveria se chamar a “parábola dos dois filhos perdidos”, numa clara indicação de que, muito embora o filho mais velho estivesse em casa, seu coração estava, de fato, muito distante do pai, tão perdido quando o mais novo. Alguns até sugerem que esta passagem deveria se chamar “a parábola do filho mais velho”, numa demonstração de que a mensagem transmitida refere-se mesmo a este último. A intenção maior é destacar a reação inesperada e egoísta daquele que, aparentemente, era o filho obediente e bem comportado.
Já foi sustentado, por alguns, que a porção do texto que trata do filho mais velho (versículos 25 a 32) deveria ser dissociada da primeira seção, que trata do filho mais novo. Este é um raciocínio equivocado. Em verdade, as duas seções precisam ser lidas e interpretadas como sendo uma só. É bem possível afirmar que o alvo desta terceira parábola é exatamente contrastar as reações do pai e do filho mais velho diante do pródigo, ou seja, a passagem do filho pródigo existe para se poder demonstrar e evidenciar a reação e a mentalidade do mais velho.
Quando nos lembramos do murmúrio dos escribas e fariseus (versículo 2) diante das confraternizações de Jesus, conclui-se que a parábola do filho pródigo tem mesmo este sentido de tratar com os religiosos: todos os excessos do filho mais novo não lhe fecharão a entrada do céu, pois ele veio arrependido até seu pai; mas todas as virtudes do filho mais velho, de nada lhe aproveitarão. Portanto, a passagem trata não dos pecados como empecilho para o céu, mas, por incrível que possa parecer, das “virtudes”. Na realidade, é a justiça própria escondida pelo manto da virtude que impede o filho mais velho de ser reconciliado com o pai. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Lucas 15:7.
Jesus quis ensinar que Deus recebe e perdoa pecadores. Todavia, mais ainda, quis ensinar que aqueles que se consideram justos aos seus próprios olhos, estes não têm lugar no reino dos céus. Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores? Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores. Marcos 2:16-17.
Na verdade, Jesus quer mostrar com esta parábola que tanto um filho como o outro estão perdidos, que ambos se rebelaram, ainda que um tenha feito isso ao ser muito mau e o outro, ao ser extremamente bom. O irmão mais novo representa o homem que não conhece a Deus, está separado Dele e vive por seu autoconhecimento. O irmão mais velho representa o fariseu, o religioso que faz da sua conformidade moral e de seus esforços, um meio para se salvar. O pecado do irmão mais novo é imaginar que não precisa de Deus. O pecado do irmão mais velho é imaginar que é o próprio Deus, o seu próprio Salvador.
Tendemos a nos ver sempre como o filho mais novo, como se fôssemos o filho pródigo e nos regozijamos ao ver o amor acolhedor de Deus, nosso Pai, à nossa disposição. Todavia, é muito comum também imaginar que não somos tão estimados por Deus, como deveríamos ser; que não somos tão reconhecidos por Ele, como deveríamos ser; que não somos tão recompensados por Ele, como deveríamos ser; que não somos tão valorizados por Ele, como deveríamos ser; e nos indignamos quando alguém é mais estimado, mais reconhecido, mais recompensado, mais valorizado, do que nós. Esta é a mentalidade do filho mais velho. E ele está tão perdido quanto o filho mais novo.
O autor Timothy Keller, ao falar desta parábola, argumenta que era o orgulho por suas boas ações, e não o remorso por suas falhas, que impedia o filho mais velho de participar do banquete da salvação. O problema do filho mais velho era seu farisaísmo, o modo como ele usava seu histórico moral para colocar Deus e as outras pessoas em uma posição de dívida e para poder controlá-los, para que fizessem o que ele desejava.
O que separa o filho mais novo de Deus é, obviamente, o pecado. E pecado significa errar o alvo, significa incredulidade. O que separa o filho mais velho de Deus é o pecado da justiça própria. As Escrituras dizem que a nossa justiça é como “trapo de imundície”. Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia. Isaías 64:6a. O filho mais velho lembra o pai que tem direitos, pois o serve há muitos anos e nunca o desobedeceu. Em outras palavras, quer mostrar o quanto é justo e merecedor.
Por outro lado, o que nos reconcilia com o Pai celeste é a justiça de Deus mediante a fé em Cristo Jesus (Romanos 3:22). A justiça de Deus nos foi imputada, mediante a obra redentora de Cristo, na cruz do Calvário. É assim que somos justificados de nossos pecados, é assim que somos tornados justos diante de Deus. A grande pergunta que nos é feita e não quer calar é: como pode o homem ser justo para com Deus? Jó 9:2b. Não há meio algum de se obter esta justiça, a não ser pela graça do Pai. Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Romanos 3:24.
Onde você está baseando a sua salvação? Em seus méritos? No seu tempo de “serviço” para Deus? Você busca controlar Deus por meio de sua obediência a Ele e a sua lei? Você transforma sua própria história pessoal em créditos colocando Deus em uma posição de devedor? Você é um justo que não precisa de arrependimento? Lembre-se que a salvação é pela graça, unicamente pela graça. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8-9.
Em nossa história pessoal com Deus, começamos como filhos mais novos, pródigos. Mas, antes de terminarmos a história como filhos mais novos que retornam à casa do Pai, arrependidos e perdoados, mudamos de história, e assumimos a posição e a mentalidade de filhos mais velhos, cheios de justiça. Só que os filhos mais velhos também estão perdidos. Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Tito 3:5-7.
Lembre-se que, agora, a justiça de Deus se manifestou SEM lei. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem; porque não há distinção. Romanos 3:21-22. Se você tem alguma coisa do que se orgulhar; acha que tem algum direito para reivindicar; ou, sente-se, algumas vezes, injustiçado; você está transitando no perigoso território das obras, isto é, você está na posição do filho mais velho, contabilizando seus feitos. Contudo, a salvação não vem de obras. A glória é somente de Deus e Ele não a divide com ninguém. Fernando Prison - www.palavradacruz.com.br

COM CLAREZA OU PELA METADE?

"Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei;" (Gênesis 12:1 ARA)

Interessante que, para Noé, Deus deu tantos detalhes sobre sua missão e para Abrão foi na base do "corre, rapaz!!!". Totalmente diferente com um e com outro. Noé, faz um barco com tantos metros de comprimento, da madeira tal, com altura tal, com uma porta, pinta de tal cor... Com Abrão é apenas "se manda".
Como Deus trata com você? Suas missões são sempre claras e detalhadas com todas as especificações que um engenheiro poderia desejar? Ou nem sempre? Ou nunca é assim?
Nem um nem outro é melhor, entenda. O importante é que Deus tenha falado com eles e conosco, indiferentemente de ter dado mais ou menos detalhes, de ter sido genérico ou específico. Dureza é nunca ouvir nada, não saber nem se tem algo para fazer muito menos do que se trata. Na minha experiência com o Pai, ao longo de já uns 24 anos, muito mais fui tratado como Abrão do que como Noé. Já recebi ordens claras, mas foram menos do que as que vieram pela metade. Muito menos.
Na minha mente exata, matemática, engenheirística, cheia de pensar... Que desafio! Quanta ansiedade à toa, se tanto conheço o Deus a quem sirvo. Mas dou-me conta de que Abrão estava sendo preparado para ser Abraão, nada mais nada menos que o pai da fé (certeza do incerto). Para quem tem fé, não é necessário explicar muita coisa, ou talvez nada. Aleluia, se estou sendo preparado pra qualquer coisa com Deus, estou dentro! E feliz!
Não estou dizendo que Noé não tinha fé, pois isso seria uma bobagem tremenda. Mas ele recebeu mais detalhes por que Deus quis assim. Será que ele teria tido dificuldade de fazer a arca com menos informações? Nunca saberemos, mas podemos ter certeza de uma coisa: Deus queria uma arca e conseguiu. Queria um homem de fé em outra terra e conseguiu. Comigo Ele há de conseguir o que deseja. E com você? Vai ser difícil?
"Pai, nada se compara a andar contigo, ter a Tua mão nos guiando e sabendo que estamos fazendo a Tua vontade. Faz de mim alguém obediente e confiante independente de quantos detalhes eu tenha."
Mário Fernandez - www. ichtus.com.br

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O DEUS INCANSÁVEL

Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento. Isaías 40:28.

Por definição, Deus não precisa de coisa alguma. Ele não carece de nada. Se ele precisasse de algo, seria um ser necessitado, em que faltava alguma coisa; porém, na Bíblia ele se manifesta por sua aseidade, isto é: um ser que se basta a si mesmo. Deus não precisava criar nada do que existe para se realizar.

Ele não requer qualquer realização. O Deus coletivo, revelado no seu nome Elohim; (um plural majestático e mais abrangente do que um aumento quantitativo) é a realeza real realizada realmente por sua natureza Divina.

A Trindade se satisfaz a si mesma. Nela não há carência em seu íntimo, nem solidão em seus relacionamentos. Além do que, só o Deus triúno, todo suficiente, é capaz de satisfazer a carência de todos os carentes.

Deus é o eterno antes da criação e nele não há os efeitos do tempo. Ele nunca envelhece, nem se desgasta. Não há entropia na eternidade, por isso, ele é o mesmo, tão eterno no princípio quanto o é no fim, já que ele nunca será mais do que é, uma vez que é sempre o mesmo em qualquer tempo ou fora dele.

Para a Divindade não há passado, nem futuro. Há um presente permanente; um tempo que não tem tempo, nem compasso, nem cronômetro, nem espaço. Deus não se cansa e jamais se fatiga. Ele nunca perde energia de seu ser.

Depois de ter criado o universo, Deus continua o mesmo, sem a exclusão de um átomo sequer de energia do seu ser Divino. Ele não se consome por qualquer ação que fizer.

A Trindade é laboriosa, mas não se exaure. Trabalha sempre sem jamais sentir cansaço ou enfado. O descanso do Deus trino na criação não é o de férias remuneradas por tempo de serviço, muito menos o de um empregado que saiu da empresa por causa de estafa. O descanso era apenas a conclusão plena da sua obra perfeita.

Em Deus não há stress, mas em suas ações há um certo strike, como num jogo de boliche. Ele derruba toda presunção que quer entender e explicar a grandeza do seu trabalho. Ele trabalha e não se cansa, mas nós, seres arrogantes, ficamos cansados só em pensar na grandeza incansável do labor Divino.

Jesus foi muito claro quanto ao trabalho Divino: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. João 5:17.

Aqui também temos uma grande dificuldade de compreensão desta realidade, visto que lidamos com o eterno e o temporal ao mesmo tempo. Fica muito difícil entender o incansável Divino com o cansaço humano. É complicado encontrarmos um Deus exausto no esqueleto humano.

Na dimensão divina, Cristo nunca se cansa, mas em sua condição humana, Jesus se cansou: Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta. João 4:6.

Com certeza aqui reside o mistério da redenção. O Verbo encarnado se cansou. O Deus que nunca se cansa, acaba fatigado pela sua natureza humana. Não podemos separar as duas naturezas da pessoa de Cristo Jesus.

Mesmo assim, este era um cansaço que vinha promover o descanso da humanidade consumida pelo enfado do pecado. A encarnação Divina trazia no seu âmago a proposta do descanso para as almas cansadas. Jesus se cansou para nos conduzir ao descanso da sua graça plena, através de nossa morte e ressurreição com ele.

Nisto ele foi incansável até a sua ressurreição. Aquele que é o Eterno e nunca se cansa, entrou no tempo e cansou-se por algum tempo, a fim de produzir um descanso eterno para todos que receberem o seu convite: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Mateus 11:28.

Paradoxalmente, o ser humano cansado não aprecia a proposta do descanso oferecido por Deus. O Senhor oferece descanso ao cansado, mas ele não quer: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir. Isaías 28:12.

Para o presunçoso, especialmente o religioso legalista, mais vale um pouco de esforço do que a abundância do descanso. Ele prefere ser um conquistador ao pódio do que ser um herdeiro na rede.

É difícil Sua Alteza se reconhecer um mendigo vivendo da graça, e mais complicado ainda é receber a esmola da misericórdia.

Por causa do nosso sistema pedagógico do mérito e a nossa soberba pecaminosa, fica impossível, para o ego, receber algo que não lhe tenha custado algum esforço, sem antes ser convencido pelo poder do Espírito Santo e pelo quebrantamento por meio das marteladas do sofrimento.

Do ponto de vista espiritual, o ser humano é avesso a tudo o que é rigorosamente gracioso. Ele sempre quer corresponder com alguma participação por menor que seja. A graça o ofende em cheio.

Um morto espiritual não tem nada espiritual para poder contribuir para a sua vida espiritual, pois está morto. Um defunto, fisicamente falando, só evolui em sua podridão, e um morto espiritual, vivendo no pecado, cresce apenas em sua incredulidade pecaminosa.

Ninguém pode viver neste mundo se primeiro não for gerado fisicamente, vindo depois a nascer. Ninguém pode renascer espiritualmente, se antes não for vivificado, pelo poder do Espírito Santo, através da semente divina ou o esperma espiritual que é a Palavra de Deus.

O ser humano natural não busca a Deus naturalmente. Ele é um fugitivo de Deus e amante exclusivo de si mesmo.

O pecado tornou o gênero adâmico inimigo de Deus, criando, ele mesmo os seus deuses à sua imagem e semelhança. Aqueles que foram criados a imagem e semelhança do próprio Criador, agora criam os seus deuses à imagem de sua criação decaída.

Assim, a religião criada pela criatura fraturada pela queda, acaba faturando um saldo positivo aos seus olhos, e criando um sistema de aceitação pelo desempenho. Na religião, o que tem valor é a conduta movida à justiça própria.

Já vimos que Deus, sendo Deus, não pode se cansar. Ele não se desgasta, nem perde energia alguma. Mas o que me assusta em tudo isso é a incansável persistência de Deus em buscar um fugitivo que não lhe quer de modo nenhum.

Vejamos como Deus fala do seu povo, Israel: Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Oséias 11:2.

Embora o povo continuasse rebelde e sujeito às consequências de sua rebeldia, mesmo assim o Senhor continuava atraindo o seu povo para si. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer. Oséias 11:4.

Abba é incansável na busca do filho alongado, eleito para ser conforme a imagem do seu Filho. Ele nunca se impacienta com a demora do fugitivo, pois em sua graça, ele sabe quando agir para que o pródigo caia em si e volte para o aconchego daquele que nunca desiste de amar incondicionalmente.

O Deus infatigável nunca se cansa em amar o inamável com o seu amor imorredouro. O verdadeiro amor nunca se cansa de amar o sujeito amado.

O amor de Deus não perde o tempo de validade e nunca caduca. Por outro lado, amor condicional é troca. Puro comércio. Uma condição positiva, seja ela qual for, pressupõe mérito, e este desqualifica a graça.

Qualquer valor pessoal, por mais insignificante que seja, invalida a obra da graça de Deus manifesta em Cristo Jesus. Sendo assim, o Deus da graça financia graciosamente a humilhação do arrogante, para que, pela graça, o quebrantado receba a suficiência de Cristo como única forma de sua aceitação pelo próprio Deus.

Deus, em sua incansável paciência, salva o pecador indigno pela graça, convencendo-o do pecado, por meio do Espírito Santo; santifica o salvo, também pela graça eficiente, mediante a vida de Cristo em seu interior; e quebranta o que está sendo santificado, pela mesma graça, através dos sofrimentos, a fim de que este quebrantado seja, de fato, a morada do Altíssimo, sobre a terra.

Deus trabalha o tempo todo incansavelmente. Ele nunca descansa, mas também não se cansa na obra da redenção daqueles que foram predestinados para serem conformes a imagem do seu Filho.

Tendo Deus começado uma boa obra na vida de alguém, certamente vai terminá-la. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Filipenses 1:6.

Depois de vermos a incansabilidade Divina em sua natureza e em suas ações, temos, contudo, que apresentar uma área em que Deus se mostra cansado. É uma metáfora desconcertante. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Isaías 1:14.

O Deus incansável se cansa desta adoração vazia e deste ritualismo sem qualquer significado. O Deus que nunca se cansa fica cansado com a nossa religiosidade humanista e totalmente oca.

Aqui precisamos fazer uma avaliação criteriosa. Será que o nosso culto não está sendo motivo de enfado Divino? Precisamos averiguar a nossa atitude de adoração diante do expressado cansaço de Deus em relação aos nossos rituais antropocêntricos e vazios.

Ó incansável Pai, dá-nos o adequado senso de adoração diante do teu trono de graça. Faze-nos verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Amém. Glenio Fonseca Paranaguá www.palavradacruz.com.br

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SOL DA JUSTIÇA

“Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria.” (Malaquias 4:2 ARA)
Ouvi uma frase por estes dias que me chocou e me deixou bastante reflexivo (pra não usar o termo deprê). Disse assim “onde brilha o sol da justiça não há lugar para estrelas”. Não sei quem é o autor, mas sou grato pela inspiração de Deus a ele.
Confesso que tenho visto tanta estrela no nosso meio que às vezes parece que o sol esmoreceu ou ficou nublado sobre a terra. Isso é ruim, muito ruim. O sol é justiça e as estrelas são… Bom, são outra coisa. Toda vez que fazemos alguma coisa que busca nos fazer brilhar, é estrelismo. Precisamos apenas refletir a luz e o brilho do sol da justiça. Menos do que isso é escuridão e mais do que isso é estrelismo.
Tentamos ser estrela toda vez que fazemos questão que nosso nome ou imagem apareçam. Avalie o seguinte: você faria o que faz na igreja sem o cargo? Seria talvez um pastor, missionário ou apóstolo sem o título? É algo para se pensar, pois já vi pessoas declinando de suas tarefas por que perderam o cargo. Eu tenho servido na igreja local sem nenhum “reconhecimento” há alguns anos – não tenho sustento, não ocupo nenhum cargo, nem prego no culto. Mas sirvo e faço com alegria para ressaltar o brilho do sol da justiça. Faço coisas que sei que são importantes para a congregação, mesmo que a maioria nem saiba que sou eu que estou por trás. Não é uma questão de estilo, mas de posicionamento.
Deixar brilhar o sol da justiça é ter menor EU nas frases. É falar mais do que Ele faz. É não dar importância se o executor será reconhecido, desde que Ele seja glorificado. É apontar todos crédito para Aquele que merece. Eu posso fazer mais nesse sentido. Se você tambem pode, junte-se a mim e vamos nos esforçar para que brilhe o sol – e somente Ele.
“Senhor, tentar repartir a Tua glória é algo inaceitável e que com certeza só vai nos levar ao distanciamento de Ti. Ensina-me a ser mais focado em Ti e menos em mim.”
Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

domingo, 14 de agosto de 2011

OS DOMICÍLIOS DIVINOS

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. Isaías 57:15.

O menino indagou ao seu pai: – onde Deus mora? Esta é uma questão teológica muito complicada. Santo Agostinho disse com bom humor: Deus é um círculo infinito cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não está em lugar nenhum. Deus é espírito infinito, e sendo um espírito não ocupa lugar no espaço.

W. N. Clarke afirmou também: se Deus não estiver em todos os lugares, ele não é Deus verdadeiro em lugar algum. Apesar de Deus não ocupar qualquer lugar no espaço, nem estar limitado ao tempo, ele, em sua transcendência, habita a eternidade, e em sua imanência, com os abatidos de coração ou quebrantados de espírito.

A primeira morada do Altíssimo é a eternidade. Nesta dimensão descomunal nós até podemos ser encontrados pelo ele, mas nunca podemos sondá-lo de fato. Assim, pode-se dizer que ele vive no Palácio Absoluto da inescrutabilidade do entendimento, isto é, fora da nossa compreensão tridimensional. Ele é o eterno escondido de nossa mente.

Foi nesta grandeza que o apóstolo Paulo declarou: Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Romanos 11:33. Deus conhece o caminho por onde nós andamos, mas nós nunca conheceremos as suas trilhas.

A segunda morada do Alto e do Sublime é no casebre de um coração humilhado. Esta é a casa de veraneio da encarnação do Verbo. O transcendente se tornou imanente para poder encontrar-se com o sujeito arrogante que quer ser como Deus. Só um Deus humano e histórico pode mudar a história do homem no pecado.

O Deus encolhido veio quebrantar a arrogância do ser humano que quer ser expandido até chegar à dimensão da Divindade. Esse projeto de humilhação da humanidade presunçosa visa à desconstrução da egolatria enlouquecida e a construção de uma morada permanente de Deus na pessoa humana, já que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas, mas em humanos reconstruídos pelas suas mãos divinas que sangraram sobre a cruz do Calvário.

Primeiro Cristo se fez homem para alcançar humanamente os homens ensimesmados. Depois ele se fez servo para tocar nos soberbos que se presumem ser os senhores na história. E, finalmente, ele morreu para matar o nosso ego que não suporta viver fora do controle neste mundo. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. Salmos 34:18.

O transcendente se tornou imanente para se aproximar do iminente sujeito que deseja ser Sua Excelência, o eminente Senhor do universo. A teomania é o pecado dos pecados que carece de um quebrantamento radical.

Antes do ser humano passar por uma substituição, ele precisa de um quebrantamento. As boas novas são as notícias da redenção que requerem arrependimento. Para que haja contrição é preciso haver quebrantamento. Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Oséias 6:1.

O Senhor promove o fracasso do soberbo para que ele possa ser humilhado em sua auto-suficiência e, deste modo, em sua humilhação, venha a clamar pela misericórdia divina. Os quebrantados são os únicos ouvidos capazes de ouvir a mensagem de Cristo.

Sem o quebrantamento não haverá a vivificação do Alto, nem o avivamento espiritual. Foi preciso um quebra pau na esfera espiritual para erguer a cruz que é capaz de quebrar a auto-suficiência desta turma inquebrantável por si mesma.

O evangelho é o anúncio divino aos que foram quebrantados pela graça. O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; Isaías 61:1.

A reconstrução demanda o quebrantamento, e este, o goro da soberba. Nada, além da cruz de Cristo, pode abortar a altivez do pecado.

A pregação das boas novas só tem sentido se o cara estiver vivendo em maus lençóis. O nadador só grita por socorro quando as forças já se esvaíram. Por isso a proclamação do evangelho atinge apenas aos quebrantados, isto é, aqueles que já fizeram de tudo e não obtiveram nenhum êxito em sua vida de confiança em Deus e que foram quebrantados pela graça de Deus em Cristo Jesus.

Antes de viver pela fé o ser humano vive pela sua autoconfiança. Tudo aquilo que é auto, isto é, próprio do sujeito pecaminoso, é contrário à obra do Alto e muito perigoso para o ego altivo. O rompimento da auto-estima, por exemplo, é a porta aberta para a estima do Alto. O Altíssimo habita apenas a eternidade e os corações quebrantados e contritos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus. Salmos 51:17.

Quem se auto-estima não estima ainda a estimativa do Alto. Quando Deus vem habitar no contrito e abatido de espírito é porque ele quebrantou as expectativas do ego e veio para vivificar com a vida do Alto, aquele que não pode mais confiar em si mesmo.

O ser humano no pecado é habitado por um ego injusto, insatisfeito e insubordinado. É um inquilino cruel para o usufruto de uma vida plena de significado. Sendo assim, a proposta do Alto é a substituição do ego indomável pelo Cristo manso e humilde de coração. A auto-estima é permutada pela estima do Alto.

Não mais eu, mas Cristo é a proposta de Deus para a libertação dos oprimidos. Esta substituição de locatário acaba expulsando um déspota desgostoso e recebendo um nobre cavalheiro que vem habitar neste barraco humano com o caráter de Sua Alteza.

O grande milagre do evangelho é olhar para uma carcaça humana é ver o Espírito de Deus agindo com gentileza em seu ser. Olhamos e vemos que o corpo é de um ser humano, porém aquela atuação é divina, embora percebamos que não esteja em toda a sua perfeição, por causa do velho barraco de barro esturricado.

O Alto, o Sublime habitando a eternidade é inacessível para a nossa mente finita, mas o Alto habitando um ser que foi sempre autoritário, autônomo e autocentrado é um prodígio fora de série. Não existe coisa mais maravilhosa do que ver Cristo, o Deus Altíssimo, habitando e vivendo numa pessoa quebrantada pela graça plena.

A Trindade Santa habita a eternidade em sua grandeza infinita, conquanto habite também, por meio da humilhação de Cristo, num casebre de barro; esse, sim, é um lugar incomum para a habitação divina, mas foi esse lugar que Deus escolheu para ser a sua morada permanente. Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. João 14:23.

Além do Pai e do Filho terem vindo fazer morada em nossos corpos mortais, temos também o Espírito Santo fazendo destes corpos o seu santuário. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? 1 Coríntios 6:19.

Isto me parece um grande absurdo dizer que o Deus absoluto habita em mim em sua plenitude. A minha lógica esbarra na finitude do meu ser limitadíssimo. Mesmo assim, posso entender que um recipiente transbordante de água do oceano Atlântico, não contém todo o oceano, mas está cheio plenamente com a água do mar.

Todos aqueles que foram quebrantados por Deus para serem habitação dele aqui na terra não contém a absoluta dimensão da Divindade em seu ser, mas todos estão contentes por conter a plenitude Divina que lhe é possível receber.

Como moradas de Deus somos pedras vivas e participantes do seu Templo Sagrado no mundo. Cada pedra viva formou o Edifício espiritual que é a Igreja. O mistério da redenção nos mostra que Deus nos quebranta para nos fazer suas moradas, para que, pela sua graça, nós possamos fazer dele a nossa eterna morada.

Sem quebrantamento operado pelo próprio Deus nunca haverá avivamento espiritual. Sem avivamento não há vida espiritual genuína. Por isso mesmo, só o verdadeiramente quebrantado pode promover uma residência para próprio Deus na existência humana e uma autêntica demonstração da fé cristã.

O resumo de tudo isto se encontra nestas três preposições: de – apontado para a origem de tudo; por – falado do meio pelo qual tudo acontece e para – designando a finalidade de tudo. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36. Glenio Fonseca Paranaguá - palavradacruz.com.br