quarta-feira, 16 de maio de 2012

CONFIRMAÇÃO

"No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra." (Tito 1:16 ARA) Paulo se refere às pessoas que não têm uma vida coerente entre o que dizem e o que praticam. Infelizmente, pessoas assim existiram naquele tempo e continuam existindo, ainda que, tantas vezes, tenham sido confrontadas. Na minha caminhada como pastor conheci muita gente, dos bem simples aos mais complicados, os realmente sinceros e os compulsivamente mentirosos, gente honesta e gente que não valia a sombra que fazia ao sol. Isso me ensinou algo que este versículo exemplifica muito bem: as palavras falam menos que as atitudes. Basta tirar o cargo de uma pessoa para ver se ela tem, de fato, o coração naquilo que faz. Basta colocá-lo em anonimato para descobrir a real paixão. Ouvi uma frase marcante algum tempo atrás: não consigo escutar o que voce diz, suas atitudes estão falando muito mais alto. Qualquer pessoa que tem um mínimo entendimento de Deus e do Seu Reino, compreende o princípio de ser aprovado ou reprovado. Ser abominável quase não precisa de explicação e qualquer um compreende o que é um desobediente, um rebelde. Nada disso é elogio, nada disso melhora a vida de ninguém. Nossas atitudes e ações revelam o que somos, mais cedo ou mais tarde. Ao passar de largo por um faminto ignorando-o, demonstro o amor que tenho pelos necessitados. Ou a falta dele. Ao evitar de servir em uma igreja local, apresento minha opinião sobre o meu Deus. Ademais, é importante frisar que reações também contam e também são obras. A maneira como reajo em uma situação ruim, contrária ao meu gosto ou opinião, ou a um confronto, revela igualmente quem sou. É muito mais fácil agir bem do que reagir bem. Analise e constate: não tem como ser manso e humilde em todas as reações apenas usando nosso caráter natural. É preciso ação de Deus em nós. Cabe aos esclarecidos agir bem e reagir ainda melhor. "Senhor, eu quero ser aprovado por Ti e não quero que minhas atitudes, em ações e reações, deponham contra minhas palavras. Ajuda-me e fortalece-me para encontrar uma forma de me deixar moldar pelo Teu Espírito tendo assim o Teu caráter." Mário Fernandez - http://www.ichtus.com.br/dev/2012/05/15/confirmacao/

sexta-feira, 4 de maio de 2012

LIÇÕES DE MÃES SÁBIAS

Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso. 1 Timóteo 2:15
O mês de maio é dedicado às mães. Esta data vem de longe e tem muitas implicações na formação sadia da família. Vou tratar deste tema aqui e agora com um tom muito particular, falando da minha própria família. Sei que isto pode parecer um tanto presunçoso, mas espero que seja edificante para alguns.
A maior missão que uma mulher pode ter neste mundo é a de ser mãe. Com isto, não estou dizendo que esta seja a sua única missão, mesmo porque, há muitas mulheres que não foram dotadas com as condições da maternidade.
Todavia, uma mãe de verdade é coisa rara. Neste mundo velho de tantas contradições vemos que o contingente das parideiras é bem maior do que das criadeiras. Muitas só delivram ou dão à luz as suas crias, embora não as criem com diligência e afeto. Parem, sim, mas não param para plasmar o caráter dos seus filhotes. São como chocadeiras artificiais na indústria da procriação.
A tragédia dos relacionamentos passa, antes de tudo, pela figura materna. A mãe é a matriz da afetividade. A ausência dessa mãe afetuosa afeta a história de qualquer sujeito sob a sujeição da troca de favores. Sem afetuosidade, no dia a dia, todos nós acabamos nos desenvolvendo, mas pessoas carentes que se mostram críticas, ciumentas, murmurantes e, acima de tudo, manipuladoras.
A figura materna é a principal personagem na construção da nossa vida emocional. Uma mãe equilibrada e afetiva é a maior influência que podemos ter a serviço de nossos sentimentos mais saudáveis. A pobreza de afeto está, sem dúvida alguma, ligada ao relacionamento empobrecido com a mãe.
Por exemplo, vou me expor um pouco em relação à minha família: minha mãe foi uma mulher sábia que tinha afetos, mas não sabia, por alguma razão, ser afetuosa. Ela foi uma pessoa que cuidou de seus filhos com atenção, no entanto, era de pouca afetividade. Isto nos tornou limitados na vida afetiva. A meu ver, todos os seus filhos têm alguma deficiência nessa área. Falta afetividade.
Apesar da minha pobreza afetiva, herança materna, quero apresentar aqui, neste estudo, algumas lições práticas de minha mãe, bem como da minha sogra. Elas foram mulheres e mães sábias que me transmitiram bons conteúdos. Além de seus ensinos valiosos eu tive nelas exemplos de grande significado, pois foram pessoas marcantes em minha história, embora, repleta de senões.
Primeira lição de minha mãe: “Quem bem faz pra si é; quem mal faz pra si é”. Esta é a lei da semeadura e da ceifa. Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Gálatas 6:7. O bem que você planta, volta para você mesmo, e o mal que dissemina para os outros acaba caindo em sua própria cabeça. É um bumerangue clássico.
O apóstolo Paulo foi ainda mais incisivo quando afirmou: Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. Gálatas 6:8.
Esta é uma lei implacável. Não há concessões, mas também não é uma questão de castigo, é apenas uma consequência. Ninguém planta carrapicho e colhe milho. Por isso, precisamos plantar o bem. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Gálatas 6:9.
Não se esqueça que o bem que fizer virá crescer em seu jardim e o mal que intentar contra os outros voltará para a sua própria vida e ainda para a sua prole.
Segunda lição: “O invejoso nunca medrou, nem quem perto dele morou”. Medrar é prosperar. O invejoso não prospera e atrapalha quem estiver por perto. Mesmo que tenha algum patrimônio, a sua alma é mesquinha, enquanto vegeta entre os espinhos espinhentos do sucesso alheio. Ele não vai pra frente e fica impedindo os outros de caminhar. Vive gorando. Por isso, foge deles, enquanto for tempo.
A inveja é a causa da conspiração das trevas. É um mundo da iniquidade. É a origem do partidarismo e das divisões facciosas. É a razão das disputas entre os despeitados. Veja essa paráfrase: onde houver inveja gerando sentimento faccioso, aí haverá confusão e toda espécie de coisas ruins. Tiago 3:16.
Viver à sombra do invejoso é o mesmo que labutar arduamente na boca quentíssima de uma fornalha ardente, sendo consumido pelo calor escaldante dessas labaredas que queimam impetuosas no seu íntimo incendiado pelo desejo de ser o que o outro é. Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja? Provérbio 27:4. Cai fora da presença do invejoso.
Terceira lição: “Quem não tem paciência, não cozinha pedra, nem chega no céu”. Paciência é fundamental na culinária das pedreiras. Fazer sopa de pedra é mais fácil do que a peregrinação rumo à Nova Jerusalém.
Paciência não é coisa da pós-modernidade. Vivemos hoje na cultura da alface. Quase ninguém quer saber de plantar carvalho, nem cultiva a paciência. Mas, se quisermos ver a bela paisagem que fica do outro lado da tumba, temos que aprender a cultivá-la, de verdade, aqui nessa terra. Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus. 1 Pedro 2:20.
A quarta lição foi para um adolescente que saía de casa, no interior do Piauí, para estudar na cidade grande do Rio de Janeiro. “Filho, nós vamos nos separar, mas os olhos de Deus estarão sempre cuidando de você”.
Esta tem sido uma de suas maiores aulas. Saber que é o Pai quem cuida do filho e o Senhor do servo. Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justificados, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males. 1 Pedro 3:12.
Nada melhor do que ter os seus olhos postos nAquele que tem os Seus olhos depositados em você. Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida. Salmo 33:18-19.
Agora eu quero citar duas lições importantes da minha sogra. Ela também foi uma mãe para mim, além de uma mulher muito sábia. Nem toda sogra é sogra.
A sua primeira lição foi: “O dia do benefício é a véspera da ingratidão”. Ou seja, você faz o bem hoje para alguém que você se importa e, amanhã, este lhe dá o troco agindo como um ingrato. Foi assim com Jesus e os dez leprosos. Ele curou a todos, mas só um voltou para agradecer. O benefício foi pago a pontapés.
Parece que esta proporção de 10% encontrada no tempo de Jesus se tornou ainda mais rara nos tempos atuais. O que mais vemos hoje em dia é gente que foi favorecida respondendo com patada. Paga o bem com o mal.
Vejo neste texto, a atualidade retratada pelo apóstolo Paulo no primeiro século. Nada incomum, não? Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, , irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. 2 Timóteo 3:1-5.
Segunda lição: “Trate o seu suposto amigo hoje, como se ele amanha vier a se tornar o seu maior inimigo”. Esta é uma regra básica por causa de gente miúda. Não conte nada de sua vida pessoal; tudo aquilo que o seu “amigo da onça” possa usar contra você, quando se tornar o seu inimigo favorito.
Considere este provérbio bíblico: O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão. Provérbios 18:24. Este amigo aqui é raro e está vinculado à vida de Cristo.
Mas, no mundo dos imundos há apenas um passo entre o amor e o ódio. Contudo, na congregação dos alcançados pela graça não há segredo, nem medo, nem a menor preocupação com a opinião de quem quer que seja, uma vez que toda a nossa história encontra-se substituída pela vida de Cristo.
Essa é uma lição importante para nos manter fora da mira dos homens indiscretos, mas diante dos olhares do Pai das misericórdias. Confesse todos os seus pecados a Deus e os seus erros pessoais, apenas a quem você tenha ofendido, se esta for a orientação clara do Espírito Santo de Deus.
Não fique encarcerado pelas suas confissões feitas a quem não tem a menor condição de libertá-lo da culpa. Nunca se torne escravo de segredos e não se deixe ser dominado pelo poder do voto ou do veto de quem quer que seja.
Essa mania de confessor por trás das cortinas é uma idolatria da autojustificação e a perpetuidade de um sistema antigraça mantido pela religião suja da severidade escravocrata da meritocracia. Você foi libertado para viver na plena liberdade da graça plena. Desde que Cristo pagou o preço da sua redenção, viva de tal maneira que ninguém possa colocar cabresto em sua cabeça.
Fica aqui, neste texto, meu preito de gratidão a estas duas mães que, de modo prático, marcaram profundamente a minha caminhada cristã. Espero que vocês, mães, também aprendam com estas seis lições objetivas a viverem com mais sabedoria, a fim de educar seus filhos para a glória de Deus. Amém.
Glênio Fonseca Paranaguá - www.palavradacruz.com.br

segunda-feira, 2 de abril de 2012

FOCO

"A sabedoria é o alvo do inteligente, mas os olhos do insensato vagam pelas extremidades da terra." (Provérbios 17:24 ARA)
Lembro-me de um conhecido conto de um arqueiro que primeiro atirava flechas pela cidade depois corria pintar alvos onde as flechas haviam caído. Por causa disso ele tinha fama de infalível e de pontaria perfeita. Safado, você pensou? Trapaceiro? Certamente, mas acima de tudo preguiçoso. Infelizmente, assim andam vivendo alguns cristãos.
Se a sabedoria é o alvo, não adianta ler somente os versículos que convém, ou meditar naquilo que interessa, nem tampouco escolher os pregadores que dizem o que queremos ouvir. É preciso ser confrontado para ser aperfeiçoado e focar no alvo é essencial para quem tiver o mínimo de vontade de acertar. Não mirar em nada é uma forma de acertar em alguma coisa, mas convenhamos que não produz nada. Note o que o versículo nos ensina: os olhos do insensato não olham para nada, não têm foco, não miram em alvo nenhum.
Buscar profetadas e palavras convenientes não é acertar no alvo, é pintá-lo onde atirou. Me preocupa sobremaneira quando alguém acha que a vida se resume apenas a ouvir o que quer ouvir sem nunca ser contrariado. Não foi assim que Jesus ensinou, não foi esta Sua pregação nem a de um dos homens mais elogiados do Novo Testamento, João Batista, o profeta, que não tinha realmente nenhum toque de sutileza em suas palavras, muitas das quais desagradaram seus ouvintes. Mas eram verdadeiras e precisavam ser ditas. Não recomendo dizê-las e não o faço, mas é preciso ouvi-las desde que seja da boca de um homem de Deus.
Nós estamos esclarecidos a respeito da Palavra de Deus o suficiente para tomar uma decisão acertada: ou olhamos para um alvo ou ficamos vagando entre um erro e outro. A propósito: pecado significa literalmente "errar o alvo". Não é coincidência.
"Pai, eu prefiro escolher o acerto do que o erro, a vitória do que o fracasso. Ensina-me a agir corretamente e olhar para o alvo da sabedoria."
Mário Fernandez - http://www.ichtus.com.br

sexta-feira, 9 de março de 2012

ERA PARA SER BOM

"Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia." (Gênesis 1:31 ARA)

Deus não criou nada para não ser bom. É inadequado culpá-lo por algo que não funcione bem, não seja agradável ou nos prejudique. Conheci um homem que dizia que pernilongo não poderia ter sido criado por Deus, pois não servia pra nada.
O conceito de bom certamente vai ser diferente entre uma pessoa e outra, mas aos olhos de Deus bom é bom mesmo. Bom para Deus é quando tem qualidade, tem serventia, funciona direito, é bonito, atinge o objetivo, e assim por diante. Deus criou o mundo para ser bom, a natureza para ser boa, os anjos para serem bons e criou a mim e a você para sermos bons. Mais do que eventualmente bondosos, Deus nos criou para sermos bons.
Se para você só é bom o que você gosta, me permita ensinar uma coisa. Nos meus negócios, se um concorrente meu vender implica em eu não vender. Isso é bom para ele mas não é bom para mim. Até um certo ponto, pois me deixa livre para fazer outra coisa, o que é bom. Me ensina a dividir e a não querer ganhar sempre, o que é bom. Me permite olhar para alguém que teve sucesso onde eu não tive, o que pode me ensinar alguma coisa. Tenho agradecido a Deus por alguns contratos que não ganhei, ao ver como se comportaram.
Bom não é quando tudo sai do jeito que nós queremos, mas quando tudo caminha da forma como Deus idealizou ou imaginou que deveria ser. Bom é chover, quando Deus quer chuva, ainda que seja dia de seu casamento ou formatura. Bom é ter sol, se Deus não quiser chuva, mesmo que na sua cidade esteja muito seco. Bom é quando fica do jeito de Deus.
Temos coisas que não podemos aceitar como boas pelo lado natural, somente pela fé. Exemplifico: doença, fraquezas, dores, crise financeira, problema conjugal, morte. O que tem de bom nisso tudo? Talvez aos seus olhos nada, mas se for o que Deus colocou no seu caminho para aquele momento, não será apenas bom, será o melhor. É duro de entender e aceitar, mas Deus é soberano.
"Senhor, ensina-me a entender que o bom não é segundo meu critério mas segundo o Teu. Ajuda-me a olhar mais adiante e temer a Tua presença para me sujeitar ao Teu designio para mim."
Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

sábado, 25 de fevereiro de 2012

PREPARANDO MEU CORAÇÃO PARA AQUELE DIA


Aprouve ao Senhor ensinar-me uma verdade, que tem beneficiado a minha vida por mais de catorze anos. É o seguinte: percebi, muito mais claramente do que antes, que o assunto mais importante e mais urgente com que tenho de me ocupar a cada dia é conservar a minha alma muito feliz no Senhor. 
A primeira coisa com que devo me preocupar não é tanto o quanto eu posso servir ao Senhor, mas o quanto eu posso colocar a minha alma num estado de felicidade no Senhor e alimentar o meu homem interior. 
Eu poderia procurar servir ao Senhor pregando a verdade aos incrédulos; poderia procurar beneficiar os crentes; poderia cuidar de aliviar os oprimidos. Poderia ainda procurar proceder de tal maneira a me comportar como um filho de Deus neste mundo, e contudo, por não estar feliz no Senhor e não ser alimentado e nutrido no meu homem interior dia a dia, tudo isto poderia não ser praticado corretamente, ou no espírito certo. 
Até então a minha prática tinha sido, por pelo menos dez anos antes disso, de habitualmente me entregar à oração logo depois de me vestir de manhã cedo. Agora eu vejo que a coisa mais importante que eu deveria fazer era me entregar à leitura da Palavra de Deus, e nela meditar, de tal maneira que o meu coração pudesse ser confortado, encorajado, aquecido, reprovado, instruído. 
Percebi que assim, através da Palavra de Deus, enquanto meditava nela, o meu coração poderia ser levado a uma experiência de comunhão com o Senhor. Comecei, a partir de então, a meditar no texto do Novo Testamento desde o começo, cedo de manhã. 
A primeira coisa que eu fiz, depois de pedir em poucas palavras a bênção do Senhor sobre a Sua preciosa Palavra, foi começar a meditar na Palavra de Deus, pesquisando em cada versículo para obter dele uma bênção, não para exercitar o ministério público da Palavra, não para pregar sobre aquilo que eu estava meditando, mas para obter alimento para a minha própria alma. 
Descobri que, como resultado disso, invariavelmente logo depois de alguns minutos a minha alma era levada à confissão, ou à ação de graças, ou à intercessão, ou à súplica; de tal modo que, embora eu não tivesse inicialmente me dedicado à oração e sim à meditação, contudo eu era levado quase imediatamente de um jeito ou de outro à oração. Então, quando eu terminava com a minha súplica, ou intercessão, ou ação de graças ou confissão, eu continuava para os outros versículos, e novamente mergulhava na oração por mim mesmo ou pelos outros, de acordo com o que me guiava a Palavra, mas ainda mantendo diante de mim aquele objetivo da minha meditação, o de obter alimento para a minha alma. 
Com o meu coração alimentado pela verdade, experimentando uma comunhão real com Deus, eu falo com o meu Pai e com meu Amigo (por mais vil que eu seja e indigno disto) acerca das coisas que Ele me trouxe na Sua preciosa Palavra. Muitas vezes eu me admiro agora de que não tenha percebido isto antes. Pegue esta chave de ouro. Ele o chama. Entre no seu Santo Lugar. 

Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. George Müller

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O MODO CORRETO DE TRABALHAR

"E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo" – João 12:32. Poucos de nós tem compreensão da razão pela qual Jesus Cristo morreu. Se compaixão é tudo o de que os seres humanos precisam, então a cruz de Cristo é uma farsa; não havia necessidade dela. O de que o mundo precisa não é de "um pouquinho de amor", mas de uma operação cirúrgica. Quando você se achar face a face com uma pessoa com um problema espiritual lembre-se de Jesus Cristo na cruz. Se aquela pessoa puder chegar a Deus de qualquer outro modo, então a cruz de Jesus Cristo é desnecessária. Se você puder ajudar outros com a sua compaixão ou compreensão, é um traidor de Jesus Cristo. Você tem que se manter num relacionamento correto com Deus e dar-se aos outros à maneira de Deus, não à maneira humana, que ignora Deus. A ênfase hoje em dia é religiosidade benévola. A única coisa que temos de fazer é apresentar Jesus Cristo crucificado, levantá-lo o tempo todo. Toda doutrina que não estiver baseada na cruz de Jesus levará o ouvinte para a direção errada. Se nós, servos de Cristo, cremos nele e confiamos na realidade da redenção, as pessoas às quais falamos irão sentir isso profundamente. O que permanece e se aprofunda é nosso relacionamento com Jesus Cristo; nossa utilidade para Deus depende tão-somente disso. A vocação do servo de Cristo é descobrir o pecado e revelar Jesus Cristo como Salvador; conseqüentemente ele não pode ser poético, tem que ser rigorosamente cirúrgico. Somos enviados por Deus para levantar Jesus Cristo perante o mundo, não para fazer discursos maravilhosos e belos. Temos que sondar os outros profundamente, como Deus nos sondou; ter discernimento para descobrir os textos que revelam diretamente a verdade, e aplicá-los com destemor. Extraído do livro Tudo para Ele de Oswald Chambers.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

EU ME ARREPENDO DE SER BOM

Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus em espírito e não confiamos na carne. Bem que eu poderia confiar na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne; eu ainda mais. Filipenses 3:3
Recentemente, ao ver uma entrevista concedida por um poeta e compositor brasileiro, fiquei admirado com um de seus versos que dizia mais ou menos o seguinte: “Deus me livra de mim, e da ruindade de gente boa, da bondade de gente ruim, Deus me livra de mim.” A profundidade de tal poesia despertou minha atenção, especialmente no que se refere a sua relação com a verdade do Evangelho, isto porque, ela revela inicialmente uma necessidade primordial: a de sermos livres ou libertos de nós mesmos.
Porém, sabemos que este é um problema que só a Cruz de Jesus Cristo pode resolver. As palavras do poeta apontam também, para as dificuldades que encontramos, quando tentamos diagnosticar o caráter das pessoas, levando em consideração apenas a aparência e o comportamentalismo externo das mesmas.
Quanta ruindade sendo feita por gente que tenta passar uma imagem de boa pessoa, ou que vende a imagem de bom, ou que tem um compromisso histórico com a bondade! Quantos pastores ladrões, padres pedófilos e crentes desonestos! São tantas as ações aparentemente bondosas, feitas por pessoas de índole duvidosa, que nos deixam tontos e confusos.
Além do que, o clamor por livramento do poeta, diante de Deus, aponta para a farsa da falsa gente boa, ao mesmo tempo em que revela um engodo - uma “ação bondosa” porém, realizada por gente ruim, essencialmente ruim. Algo que encontra amparo na palavra de Deus que diz: Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Romanos 3:10. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. Romanos 3:12.
É difícil para nós admitirmos que Deus possa dar uma inspiração desta a alguém que julgamos estar fora do alvo de sua revelação - se bem que este assunto merece por si só, outra reflexão - ao passo que nós, que nos julgamos íntimos de Deus, ainda usamos o tipo de recurso que Paulo chama de ... boa aparência na carne... Gálatas 6:12, para testemunharmos de Deus ou identificarmos o testemunho de alguém.
Isto é bem próprio de uma religião babilônica, judaizante e humanista. Precisamos entender que nós não somos judeus, nós somos cristãos, e que: Não se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam. Mateus 9:17.
Tal procedimento tem origem babilônica e satânica, pois cogita das coisas dos homens e não das de Deus. Neste contexto, a Graça é uma ofensa, pois ela tira toda a condição do homem, ou melhor, do velho homem, de se vangloriar, tendo em vista que o Evangelho da Graça expõe sua realidade de maldade. O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más. João7:7.
A Cruz, pelo contrário, decreta o fim da vanglória humana e do mundo, como um sistema administrado pelo diabo, tendo o homem como seu escravo e serviçal. Assim que, diante da verdade só existe uma maneira de Deus agir em relação ao homem – com Verdade, Graça, Misericórdia e Amor.
Mas, como diz Paulo Brabo: “A graça é tão difícil de definir quanto difícil de acreditar. É por certo um monstruoso escândalo à religião e à moral, porque sustenta, basicamente, que Deus não acolhe as pessoas pela consistência de seu desempenho religioso, ético, social ou profissional, mas unicamente pela sua graça, seu próprio cavalheirismo, graciosidade e inclinação em perdoar.
Segundo a visão de mundo do novo testamento, é apenas devido a esta postura graciosa de Deus que gente sem nenhum mérito, como nós mesmos e o vil ladrão crucificado ao lado de Jesus, pode ser acolhido no Reino sem nenhum trâmite adicional.
A boa nova da graça explica que Deus não escolhe pessoas por seu desempenho admirável, porque do contrário não teria ninguém para escolher. Admirável é Deus.”
Talvez você discorde. Mas, com base em que? Amados, vamos pensar juntos. O que você teria em você mesmo para recompensar o favor de Deus em Cristo? Pense bem. Como você poderia atribuir um preço para recompensar algo que é imensurável em seu valor? Além do que, isto seria uma tentativa de fazer de Deus um negociante e, por extensão, fazer do sacrifício de Cristo uma mercadoria barata.
O pensamento, doutrina ou a maneira de agir, que faz de Deus um negociante, nega a excelência da revelação de Deus trazida em Cristo Jesus, o qual veio nos revelar Deus como Pai. ... Pai nosso que estás no céu... Lucas 11:2. E, um Pai, não quer negociar com seus filhos, antes, quer fazer dos filhos, seus herdeiros.
É por isto que a Bíblia vai nos ensinar que, em Cristo Jesus, nós fomos feitos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, logo somos também herdeiros, herdeiros de Deus, e co-herdeiros com Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. Romanos 8:17.
O grande problema é que não somos acostumados com o amor, o Amor de Deus, ou melhor, com um Deus que é Amor. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. 1 João 4:8. Não conseguimos perceber que a grande mensagem da Cruz é Deus dizendo: Eu te amo de uma maneira inexplicável, Eu te amo. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16.
É por este motivo que corremos o risco de abraçarmos o evangelho da percepção ótica, e não o Evangelho da fé. Além do que, temos dificuldades em perceber quando estamos abraçando o evangelho da circuncisão e tudo o que nele está implicado - aquilo que Paulo vai chamar de outro evangelho. É por isso que o apóstolo começa a sua exortação dizendo: Quanto ao mais, irmãos meus, alegrai-vos no Senhor. A mim não me desgosta e é segurança para vós outros que eu escreva as mesmas coisas. Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da falsa circuncisão. Filipenses 3:1-2.
Mas, quantas vezes nos aproximamos de Deus, sustentados pela nossa boa conduta moral e religiosa? E, quantas vezes fugimos de sua presença tendo em vista os nossos pecados? Quando assim agimos, ainda que inconscientemente, estamos afirmando duas coisas. A primeira delas diz que temos algo a oferecer a Deus, e não é o cordeiro Santo imolado, logo, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu em vão. Gálatas 2:21. A segunda diz que o sacrifício de Jesus Cristo é insuficiente para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 1 João 1:9.
Isto significa negar o sacrifício de Cristo e a graça de Deus. É manter o homem como agente de sua própria justificação, santificação e redenção, e não Cristo, mas a Bíblia sagrada nos ensina que, mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; 1 Coríntios 1:30.
Quando olhamos para o texto de Filipenses 3:4-11: Ainda que eu também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo justiça própria que procede da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição, e à comunhão de seus sofrimentos, conformando-me com Ele na sua morte; para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos. O que vemos?
Vemos um Paulo arrependido de sua bondade. Paulo não está arrependido por ter se prostituído, roubado ou adulterado. Ele se arrepende de sua conduta religiosa impecável, de todas as suas orações diligentes, porém vazias, feitas de si para si mesmo, dos seus jejuns e de seus dízimos, que têm o poder de convencê-lo de que ele não é como os demais homens. Ele se arrepende da sua obediência a um deus que não é pai, de todo o seu zelo religioso contra “hereges” que afirmam que Deus é Amor e age por Graça. Arrepende de ser justo, porém uma justiça que não vem da fé; de ser irrepreensível, de ser bom, porém sem Cristo.
Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. Gálatas 2:19-20. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:8-10.
Que Deus nos livre, do nosso principal pecado, a incredulidade, que não nos permite dar crédito à verdade de Deus. Não há nenhum justo, nenhum sequer. Romanos 3:10b. Se formos justos em nós mesmos Cristo de nada nos aproveitará, não entenderemos Sua voz que veio chamar pecadores, e recusaremos sua vocação, por não nos entender como tais.
Muitos recusam o chamado de Cristo, não por causa de suas más obras, e sim, por causa das “bondades” que realizam. São bons demais para se considerarem pecadores e desprezam o chamado daquele que não veio chamar os justos, e, sim, os pecadores ao arrependimento. Lucas 5:31. Que o Pai nos perdoe de sermos bons demais para Ele. 
Alexandre Chaves www.palavradacruz.com.br