sexta-feira, 15 de julho de 2011

SEM OVELHAS

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)

Ovelhas são representação de almas, de vidas para serem cuidadas, mas isso é coisa de pastor. Também é simbolo de povo, de familia, de grupo de relacionamento – ovelhas são coletivas, vivem em coletividade. Pensemos que não ter ovelhas represente não ter amigos, família, convívio – simboliza isolamento.
Isso não deveria acontecer com nenhuma pessoa, de ficar sozinho, mas acaba circunstancialmente ocorrendo com muitos. Eu já fiquei fora da minha cidade por alguns meses e me senti solitário, até me adaptar em uma igreja local. Há os que se mudam, seja de cidade ou de país. Outros simplesmente não conseguem encontrar uma igreja local que os agrade. Outros estão colhendo o que semearam na vida e hoje estão sem seus familiares por perto. Cada um tem sua história e lida com ela de sua própria forma, mas para todos uma coisa é comum: todo mundo se sente só quando não está em convívio coletivo. Deus nos fez assim.
Mesmo nestas situações e apesar da solidão, nossa alegria precisa vir do Senhor. Já me senti só em meio a multidões, mas o Senhor é minha fonte. Com o passar do tempo, a ação do Senhor e com as orações, Deus coloca pessoas ao nosso redor, restitui familias destruídas, reenquadra os desencaixados, dá tolerância aos intolerantes e cura os chatos, dos quais já fui o maior. O papel da igreja local nisso é decisivo.
A alegria vem do Senhor quando não temos povo, não temos ovelhas, pois Deus não depende disso para ser Deus. Nós é que dependemos das coisas para nos sentirmos alguma coisa. Nem deveria ser assim, mas o ser humano é assim.
Deus nos permita encontrar nosso lugar na sociedade, nas igrejas, nas familias, nos grupos. Deus nos ensine e capacite a aprender a andar Nele e por Ele mesmo sem isso.
“Senhor, é terrível o sentimento de solidão e não quero me conformar a ele. Te peço que me fortaleça para me alegrar no Senhor estando rodeado de amados ou estando só.” Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

terça-feira, 12 de julho de 2011

A Maior de todas as Virtudes


Tenho por vezes notado a tendência de nem sequer dar valor ao  que a Bíblia considera como a maior de todas as virtudes, a saber, a humildade. Numa comissão ouvi pessoas discutindo sobre certo candidato e dizendo: “Sim, muito bom; mas lhe falta personalidade”. Quanto na minha opinião sobre aquele candidato específico era que ele era humilde.

Existe a tendência de justificar a atitude de uma pessoa em fazer uso de si próprio e de sua personalidade e de tentar projetá-la, impondo aos outros a sua aceitação. Os anúncios publicitários que estão sendo crescentemente empregados em conexão com a obra cristã proclamam em alto e bom som essa tendência.
Leia os antigos relatos das atividades dos maiores obreiros de Deus, dos grandes evangelistas e outros, e verá como procuravam apagar-se a si próprios. Hoje porém, estamos experimentando algo que é quase o completo inverso disso.

Que significa isso? “Não pregamos a nós mesmos” – diz Paulo – “mas a Cristo Jesus, como Senhor”. Quando visitou Corinto, conta-nos ele, foi para ali “em fraqueza, temor e grande tremor”. Não subia a plataforma com confiança, segurança e desenvoltura, dando a impressão de uma grande personalidade. Antes, o povo dizia dele “a presença  pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível”.


Quão grande é a nossa tendência de desviar-nos da verdade e do padrão das Escrituras. Como a Igreja está permitindo que o mundo e os seus métodos influenciam e dirijam a sua perspectiva e a sua vida!!

Que pena! Ser “pobre de espírito” não é tão popular, mesmo na Igreja, como o foi outrora e sempre deveria ser. Os cristãos devem reconsiderar essas questões. Não julguemos as coisas segundo a aparência do seu valor; acima de tudo, cuidemos para não sermos cativados por essa psicologia mundana; e tratemos de entender, desde o princípio, que estamos no domínio de um reino diferente de tudo quanto pertence a este “presente mundo mau”.  M. Lloyd-Jones

domingo, 3 de julho de 2011

A FORTALEZA NA FRAQUEZA

Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. 2 Coríntios 12:10.
O Cristianismo é paradoxal em suas propostas. É o ensinamento dos disparates. É uma sugestão aos absurdos. Como alguém pode se deleitar na debilidade, nas ofensas, na indigência, nos acossamentos e nas aflições por amor a alguém? Neste caso, Cristo. Isto tudo me parece uma loucura total. Não há a menor coerência neste caminho.
Paulo toma a contramão da história humana. Na via do pecado o encanto encontra-se na força, no elogio, na abastança, na tolerância e no consolo. Parece que esta é a estrada que devemos percorrer. Mas ele propõe outra trilha sem qualquer lógica.
A biografia de Adão é marcada pela ascensão ao pódio. A raça adâmica lida freneticamente com a síndrome de altar e vive escalando montanhas para chegar ao topo com um espírito de gente superior. O pecado nos intoxicou com o vírus da grandeza e não toleramos viver nos vales. Desde a torre de Babel até aos astronautas no espaço sideral, todos nós sofremos com esta mania de elevação e importância.
No contexto, o apóstolo havia subido até o terceiro céu. Parece que ninguém havia subido tão alto quanto ele. Ser singular é um risco sem tamanho. Quem quer ser o melhor sofre demais com a competição. Tudo indica que Paulo era o único nesta escalada sem limite e agora estava perigo sério. Quanto mais alto, maior é o tombo.
Foi aí que Deus interferiu com tamanha graça na vida de Paulo. Enviou, da parte de Satanás, um espinho na carne do super-apóstolo ameaçado de se exaltar. Ele precisava ser quebrantado de verdade. No reino da graça ninguém pode se considerar melhor, maior ou mais ilustre do que os outros. O evangelho propõe o esvaziamento do ego.
O caminho que nos leva à glória de Deus é sempre para baixo. O próprio Cristo precisou passar pelo esvaziamento para nos tocar. Paulo não entendeu a princípio o método olímpico de Deus, isto é, as “Olimpíadas Celestiais”, por isso, orou três vezes requerendo a extinção do espinho. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9.
Ele queria a ausência do sofrimento, mas sem dor não há quebrantamento. O pecado nos tornou montesinos e pretendentes ao auge na escala social. Nós buscamos, talvez até inconscientemente, a notoriedade e temos muita dificuldade com o anonimato, obscuridade, ostracismos e ausência de reconhecimento.
Um nanico me perguntou certa vez: – você me viu na coluna social? Há muitos que pagam aos cronistas para serem anunciados e fotografados. Outros não procedem assim, embora ambicionem uma cadeira no parlamento, um título de nobreza, um diploma de mestre, uma presidência no sindicato ou até ser síndico de um prédio.
J. Blanchard disse que a maioria de nós tem um apetite exageradamente grande por louvor. Queremos ser apreciado nas entre linhas, enquanto o nosso orgulho, muitas vezes, vem disfarçado de humildade. O maior perigo da fé cristã é a arrogância vestida de trapos. Daí, Blanchard acrescentar: Deus pensa mais no homem que pensa menos em si. Aliás, ele nem mesmo pensa em si, uma vez que já morreu com Cristo.
Quebrantamento não é rebaixamento. Para Agostinho de Hipona, a suficiência dos meus méritos está em saber que os meus méritos nunca serão suficientes. O meu aviltamento pessoal pode ser uma tática de elevação perante a opinião pública, enquanto o quebrantamento é uma demolição promovida pelo próprio Deus.
O Senhor precisava quebrar o apóstolo Paulo e mantê-lo quebrado até ao fim. Se oorgulho é o desejo perverso das alturas, como disse Agostinho, a humildade é a ausência de qualquer desejo de visibilidade. Para conservá-lo humilde o Senhor convocou um mensageiro do inferno, a fim de humilhá-lo de modo severo.
Paulo não se humilhou perante o Senhor, uma vez que, em sua humilhação ele poderia ainda se exaltar por ter se humilhado. Na verdade ele foi humilhado.
Há um grave risco na humildade patrocinada pela própria pessoa humilde que se humilha. Muitos acabam se vangloriando de sua aparente modéstia. Por outro lado, a humilhação, quando vem na voz passiva, isto é, quando somos humilhados, raramente, aceitamos como benéfica. Nunca achamos justa a humilhação, mas é aqui que se encontra a legítima escola de aprovação dos discípulos de Cristo.
Jesus disse certa vez que: Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado. Lucas 14:11. Por causa do pecado o ser humano sempre procura se exaltar. Como já vimos antes, nós nos engrandecemos até em nossa aparente humildade. Sendo assim, todos nós precisamos ser humilhados primeiro, a fim de poder nos humilhar sem a necessidade de sermos exaltados.
Só os humilhados por Cristo crucificado podem se humilhar de fato diante do Senhor. Sem a humilhação patrocinada pelo Todo-Poderoso não haverá humildade legítima no coração. Muitos de nós falamos de uma mensagem correta sob o prisma da humildade sem um espírito verdadeiramente humilde.
Agostinho disse também que a humildade é a virtude cristã que aquele que a tem, não sabe que a tem de verdade; pois no dia que ele souber que a tem, vai se orgulhar de sua humildade. Vangloriar-se da sua humildade é uma contradição de termos. Então, de quem é a humildade expressa na vida do cristão? Com certeza não é dele mesmo.
A lição do quebrantamento no cristianismo é nesta ordem. Nós sempre nos exaltamos. Nós nos glorificamos até nos atributos do Senhor, como acontece no caso da humildade. Esta é uma qualidade essencial de Cristo e nunca do cristão. Então o Senhor tem que nos humilhar para dependermos de sua humildade. Uma vez humilhados podemos nos humilhar com a humildade de Cristo, sem a necessidade de sermos exaltados, ainda que isto venha a acontecer em algum momento da história.
O quebrantamento no evangelho da graça é a retirada do orgulho da alma pela cruz de Cristo. Precisamos ser esvaziados de nossa força egoísta até chegarmos à fraqueza total. Quando estivermos em astenia plena entramos no terreno da onipotência Divina.
Quando nos humilhamos sem termos sido humilhados podemos nos exaltar de nossa atitude de humildade aparente, mas quando somos humilhados, somos enfraquecidos ao extremo. No perímetro da fraqueza absoluto todos os crentes em Cristo são constrangidos à dependência de Deus e, deste modo, todos nós nos tornamos supridos pela sua onipotência. No reino da graça só os inteiramente fracos podem ser fortalecidos pela providência soberana e toda poderosa do próprio Deus.
A expressão: quando eu sou fraco, então é que sou forte, significa que, não podendo nada por mim mesmo, tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4:13. Assim, no Reino de Deus, a fortaleza encontra-se na fraqueza.
A pessoa mais poderosa que já viveu aqui na terra foi aquela que em sua fraqueza completa, depois de seu total esvaziamento voluntário, dependeu totalmente do poder de seu Pai celestial. A onipotência do Verbo encarnado se manifestava por meio de sua fraqueza através da irrestrita dependência do seu Pai.
Fraco não é aquele que lhe falta qualquer força física, mas aquele que, mesmo tendo muita força, abdicou-se dela para depender apenas do poder de Deus.
A fortificação da fé cristã encontra-se na dependência Divina. Essa dependência da Divindade está vinculada à fraqueza humana. A fraqueza da pessoa permanece atrelada à humilhação promovida pelo trono da graça. Quando somos humilhados nos tornamos fracos e consequentemente dependentes do poder absoluto de Deus.
Ser humilhado é a benção que nos leva à fraqueza. Conviver como fracos aqui na terra, mas na dependência de Abba é viver na fortaleza do poder integral do Deus Todo-Poderoso. Se você for um sujeito fraco de verdade, mas dependente totalmente do poder de Deus, então estamos diante de uma superpotência; de alguém com um poder descomunal, capaz de fazer qualquer coisa que Deus quiser.
Uma pessoa totalmente fraca, mas dependente completamente de Deus, acaba se tornando em um ser que pode tudo aqui na terra. A nossa real fraqueza sob a promoção absoluta de Deus se constitui na mostra da onipotência divina na impotência humana.
O nosso modelo existencial é Cristo, do começo ao fim. Uma vez que nós morremos e ressuscitamos juntamente com ele, toda a nossa história depende desta vida compartilhada. Porque, de fato, foi crucificado em fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos, com ele, para vós outros pelo poder de Deus. 2 Coríntios 13:4. Glória ao Pai. Amém.  Glenio Fonseca Paranaguá - www.palavradacruz.com.br

quarta-feira, 29 de junho de 2011

IMPOSSÍVEL

“Então o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez voltar a sombra dez graus atrás, pelos graus que tinha declinado no relógio de sol de Acaz.” (II Reis 20:11)

Você e eu somos testado ao ler este texto. Esse evento é absolutamente impossível de ter acontecido literalmente e não temos como crer nisso a não ser por fé. Um relógio voltar para trás é tão impossível que não faz nem sentido. Mas eu creio.
Esse teste nos é proposto diariamente, quando encontramos situações que fogem à nossa compreensão. Tudo que não entendemos ou que nos parece que não tem explicação chamamos de impossível, mas tenho aprendido que isso é uma grande mentira.
Impossível não é o que não pode ser feito, mas é o que só Deus pode fazer. Para Deus o impossível e o possível são igualmente acessíveis. O que para nós está fora de alcance para Ele não está. Portanto meu querido leitor, nunca encare o impossível da forma como sempre fez. É um desafio novo.
Nossa salvação, nossa vida eterna, nossos dons e nosso relacionamento com Deus tem de ser baseados neste conceito. Quando algumas pessoas me procuram e estou orando, alguns acham que não estou fazendo nada. Na verdade estou fazendo tudo. Como alguém trancado em uma sala ou sentado em uma barraca sozinho pode mudar a realidade dos fatos? Como pode esperar resolver algum problema com esse tipo de atitude? É absurdo ficar lá chorando e falando sozinho enquanto tudo está complicado em volta, com gente doente e problemas para serem resolvidos. Isso é verdade, mas apenas da ótica da lógica. Da ótica do Reino de Deus, futilidade e inutilidade é fazer outra coisa.
Se eu não tiver fé não faz sentido tentar seguir ao Deus Eterno, pois Ele é invisível. Se para você o relógio não volta para trás nem que Deus mande, o Reino de Deus não faz sentido.
Ainda é tempo de olhar para seu coração e pedir misericórdia ao Pai para mudar de atitude. Sem fé é impossível agradar a Deus. Sem fé esse mundo é um lugar horrível de se viver.
“Deus querido, me fortalece para que eu tenha fé e creia no que minha mente não pode crer. Leva-me além do possível, pois Teu Reino não é limitado pela minha capacidade de compreensão.”
Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

quarta-feira, 22 de junho de 2011

DESCONSTRUINDO O VELHO MODELO

Contudo, o povo ainda sacrificava nos altos, mas somente ao SENHOR, seu Deus. 2 Crônicas 33:17.
Manassés foi o pior rei de Judá e teve o reinado mais longo da história monárquica do Antigo Testamento; 55 anos de governança. Só por misericórdia. Era filho de Ezequias, um bom rei, que pediu a Deus que o curasse de uma enfermidade mortal. Foi atendido e viveu mais 15 anos. Depois de sua morte, Manassés aos 12 anos de idade começou a reinar; portanto, ele foi gerado após a cura de seu pai.
Talvez a morte de Ezequias antes fosse melhor. Deus atende muitas orações em razão de nossa insistência que acabam em situações complicadas. Seria mais adequado aceitarmos a vontade divina: “seja feita a tua vontade, Senhor”.
Se Manassés não tivesse nascido, muita coisa ruim não teria acontecido na história do povo judeu. Ele foi um dos pivôs da decadência que culminou no cativeiro babilônico.
A primeira parte do seu reinado, que não se tem a noção de quanto tempo durou, foi uma tragédia sem precedentes na vida do povo de Deus. Manassés fez errar a Judá e os moradores de Jerusalém, de maneira que fizeram pior do que as nações que o SENHOR tinha destruído de diante dos filhos de Israel. 2 Crônicas 33:9.
O culto aos demônios tipificados nos postes-ídolos ou na adoração ao falo, também configurada no obelisco de Tamuz, se tornou uma prática comum na vida do povo de Deus. A nação havia se prostituído com o mistério da BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA. Apocalipse 17:5. Aqui está a chave para se entender a corrupção das realidades espirituais.
A idolatria é a oficina de fazer adeptos de Satanás. O adultério espiritual é muito mais sério do que podemos imaginar. Tanto os ídolos concretos como a idolatria ideológica são instrumentos satânicos para nos afastar da comunhão com o Deus verdadeiro.
O rei Manassés foi um idólatra contumaz, reconstruindo todos os altares e ídolos que seu pai havia destruído. Era um revoltado. Tornou-se adepto de Ninrode, pai do humanismo teomânico e grão-mestre do satanismo. Pois tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, havia derribado, levantou altares aos baalins, e fez postes-ídolos, e se prostrou diante de todo o exército dos céus, e o serviu. 2 Crônicas 33:3.
Além da idolatria ordinária que grassou entre o povo judeu, ele queimou seus filhos como oferta no vale do filho de Hinom, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro, praticava feitiçarias, tratava com necromantes e feiticeiros e prosseguiu em fazer o que era mau perante o SENHOR, para o provocar à ira. 2 Crônicas 33:6.
Acredito que ninguém na monarquia bíblica chegou tão longe, nas questões malignas, quanto Manassés. Nem mesmo Acabe e Jezabel, no reino do norte, foram além dele. Esta primeira fase de sua biografia é a própria encarnação de Satã. As trevas espirituais tomaram conta da nação e não havia esperança para este povo. Assim como Israel havia se desmanchado sob o poder dos assírios, Judá estava no mesmo caminho.
Mas, a misericórdia do Senhor tem seus planos secretos. Pelo que o SENHOR trouxe sobre eles os príncipes do exército do rei da Assíria, os quais prenderam Manassés com ganchos, amarraram-no com cadeias e o levaram à Babilônia. 2 Crônicas 33:11.
O melhor lugar para se mexer e remexer com um idólatra é levá-lo ao ninho da idolatria. Deus providenciou uma permanência de Manassés na capital do inferno na terra, por um tempo, para fazê-lo considerar sobre a sua demência. Foi nesta viagem ao condado do capeta, que Manassés passa por uma experiência cambial em sua crença.
“Gato escaldado tem medo de água fria”. Na tortura do príncipe das trevas, o rei Manassés se desassossega. Ele, angustiado, suplicou deveras ao SENHOR, seu Deus, e muito se humilhou perante o Deus de seus pais; fez-lhe oração, e Deus se tornou favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o fez voltar para Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Manassés que o SENHOR era Deus. 2 Crônicas 33:12-13.
Tudo indica que Manassés foi convertido. As piores pessoas são sempre as que levam vantagens na obra da salvação, pois elas não têm nada a que se agarrar. Por outro lado, só uma pessoa transformada por Javé abre mão, de fato, de qualquer forma de idolatria. Na vida dos filhos de Deus não há lugar para o culto aos deuses deste mundo.
O veraneio forçado de Manasses na casa do coisa-ruim foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a ele. Quando retornou a Jerusalém, ele tirou da Casa do SENHOR os deuses estranhos e o ídolo, como também todos os altares que edificara no monte da Casa do SENHOR e em Jerusalém, e os lançou fora da cidade. 2 Crônicas 33:15.
Que ídolo seria este? Já vimos, anteriormente, os postes-ídolos, que em hebraico são denominados de asherah, ou aserá em português, significando bosque. São ídolos de troncos de madeira ou mesmo de árvores frondosas representando o órgão masculino em pé em direção ao deus sol e que têm a mesma identidade desse ídolo colocado no templo do Senhor, que para alguns estudiosos, seria o obelisco de Tamuz, feito de pedra.
Vemos aqui no templo o símbolo da fertilidade humana e a bandeira do humanismo hasteada no santuário que apontava para a graça plena de Javé. Era uma aberração sem precedentes na história do povo de Deus.
Manassés, que o havia construído e colocado no templo, agora, depois de ter se lambuzado nas latrinas da latria e se empanturrado deste deusinho babilônico, sabendo do seu verdadeiro significado, toma a decisão de retirá-lo do local sagrado dos judeus.
A sua reforma foi muito importante, entretanto era tardia. Mesmo que tirasse o ídolo do templo, o coração do povo estava nos altos. Ainda que eles adorassem ao Senhor, essa adoração era feita em lugares profanos. O povo se voltou para Deus, embora mantivesse o culto com a metodologia idólatra. Sacrificavam ao Senhor, mas indo aos lugares altos. As montanhas têm o mesmo principio da torre de Babel.
O humanismo é a doutrina maligna da elevação do ser humano. Sofremos da síndrome de altar. O cume dos outeiros, os palcos, plataformas, pódios, palanques e púlpitos são espaços de visibilidade pública, mas ambientes perigosos para o ego.
A religião sempre buscou uma elevação palpável, colocando as pessoas em seus tamancos para construir suas torres, templos, tablados para o seu show, a fim de viverem no topo da crista. É comum se ouvir: vamos ao monte para orar! Por que não no vale? Porque temos medo do anonimato. O ser humano não gosta da obscuridade pessoal. Não suporta a ausência de holofotes e a falta de reconhecimento dos outros.
Pedro, como porta-voz dos discípulos de Jesus, recebeu uma revelação do Pai para ninguém duvidar que se tratasse de algo sobrenatural. Afirmar que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo, estava fora da competência humana.
Mas, quando Jesus assegurou como imperativo, que a sua missão acabaria numa cruz, Pedro protestou veementemente: isso de modo algum te acontecerá. Neste momento, o Senhor deixou bem claro o projeto das trevas: Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mateus 16:23.
Quem é o técnico do jogo humanista? Quem investe na elevação de nossa imagem? Quem está por trás da disputa de poder, a fim de sermos considerados? Quem cogita dos acontecimentos que valorizem a atuação dos homens? Quem se apetece em inflar o ego para nos tornar tão importantes ou cheios de direitos?
Manassés foi esvaziado, mas o povo continuava cheio de elevação; queria adorar a Deus nos lugares altos. Muitos, hoje em dia, até abrigam uma mensagem ortodoxa, mas não querem abrir mão da sua glória. São fieis aos princípios doutrinários, conquanto que recebam os aplausos da plateia. Querem, antes de tudo, continuar na idolatria do ego. Por exemplo: o cântico da igreja atual está voltado ao povo e não ao trono.
Para desconstruir este velho modelo insidioso só tem uma receita: a cruz de Cristo. Paulo foi alcançado por esta revelação íntima, que mostra onde se encontra a sua celebridade. Ele vê que a sua fama se resume nisto: Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14.
A idolatria do ego é muito pior do que os postes-ídolos ou o obelisco de Tamuz no cimo das colinas. A glória humana não se expressa só nos montes e amontoados da natureza adâmica. Ela também constrói altares até nos vales da “humildade”, para chamar a atenção dos espectadores para uma grandeza bizarra: “eu sou dos maiores em modéstia”. O maior perigo que se pode observar é ver um rei arrogante vestido de mendigo.
Ó Senhor, esvazia-nos com graça, por sua obra consumada no Calvário. Amém. - 
Glenio Fonseca Paranaguá - www.palavradacruz.com.br

segunda-feira, 20 de junho de 2011

PAI, COMEÇA O COMEÇO!?

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia:
- Pai, começa o começo!?.
O que eu queria, era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca da fruta, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos.
Sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo que ele havia feito.
Meu pai faleceu há muito tempo, e há anos não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, começar o começo de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.
Hoje, minhas tangerinas são outras.
Preciso descascar as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção de um relacionamento a dois, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.
Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis...
Lembro-me, então, que a segurança de ser atendida pelo meu pai quando lhe pedia para começar o começo era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta.
O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado.
Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a ajuda de Deus:
Pede pra Ele: "Pai, começa o começo!"
Ele não só começará o começo, mas também resolverá toda a situação para você.
Não sei que tipo de dificuldade eu e você ainda encontraremos pela frente neste ano.
Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso:
Pai, começa o começo!?  Autora desconhecida