segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SOL DA JUSTIÇA

“Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria.” (Malaquias 4:2 ARA)
Ouvi uma frase por estes dias que me chocou e me deixou bastante reflexivo (pra não usar o termo deprê). Disse assim “onde brilha o sol da justiça não há lugar para estrelas”. Não sei quem é o autor, mas sou grato pela inspiração de Deus a ele.
Confesso que tenho visto tanta estrela no nosso meio que às vezes parece que o sol esmoreceu ou ficou nublado sobre a terra. Isso é ruim, muito ruim. O sol é justiça e as estrelas são… Bom, são outra coisa. Toda vez que fazemos alguma coisa que busca nos fazer brilhar, é estrelismo. Precisamos apenas refletir a luz e o brilho do sol da justiça. Menos do que isso é escuridão e mais do que isso é estrelismo.
Tentamos ser estrela toda vez que fazemos questão que nosso nome ou imagem apareçam. Avalie o seguinte: você faria o que faz na igreja sem o cargo? Seria talvez um pastor, missionário ou apóstolo sem o título? É algo para se pensar, pois já vi pessoas declinando de suas tarefas por que perderam o cargo. Eu tenho servido na igreja local sem nenhum “reconhecimento” há alguns anos – não tenho sustento, não ocupo nenhum cargo, nem prego no culto. Mas sirvo e faço com alegria para ressaltar o brilho do sol da justiça. Faço coisas que sei que são importantes para a congregação, mesmo que a maioria nem saiba que sou eu que estou por trás. Não é uma questão de estilo, mas de posicionamento.
Deixar brilhar o sol da justiça é ter menor EU nas frases. É falar mais do que Ele faz. É não dar importância se o executor será reconhecido, desde que Ele seja glorificado. É apontar todos crédito para Aquele que merece. Eu posso fazer mais nesse sentido. Se você tambem pode, junte-se a mim e vamos nos esforçar para que brilhe o sol – e somente Ele.
“Senhor, tentar repartir a Tua glória é algo inaceitável e que com certeza só vai nos levar ao distanciamento de Ti. Ensina-me a ser mais focado em Ti e menos em mim.”
Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

domingo, 14 de agosto de 2011

OS DOMICÍLIOS DIVINOS

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. Isaías 57:15.

O menino indagou ao seu pai: – onde Deus mora? Esta é uma questão teológica muito complicada. Santo Agostinho disse com bom humor: Deus é um círculo infinito cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não está em lugar nenhum. Deus é espírito infinito, e sendo um espírito não ocupa lugar no espaço.

W. N. Clarke afirmou também: se Deus não estiver em todos os lugares, ele não é Deus verdadeiro em lugar algum. Apesar de Deus não ocupar qualquer lugar no espaço, nem estar limitado ao tempo, ele, em sua transcendência, habita a eternidade, e em sua imanência, com os abatidos de coração ou quebrantados de espírito.

A primeira morada do Altíssimo é a eternidade. Nesta dimensão descomunal nós até podemos ser encontrados pelo ele, mas nunca podemos sondá-lo de fato. Assim, pode-se dizer que ele vive no Palácio Absoluto da inescrutabilidade do entendimento, isto é, fora da nossa compreensão tridimensional. Ele é o eterno escondido de nossa mente.

Foi nesta grandeza que o apóstolo Paulo declarou: Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Romanos 11:33. Deus conhece o caminho por onde nós andamos, mas nós nunca conheceremos as suas trilhas.

A segunda morada do Alto e do Sublime é no casebre de um coração humilhado. Esta é a casa de veraneio da encarnação do Verbo. O transcendente se tornou imanente para poder encontrar-se com o sujeito arrogante que quer ser como Deus. Só um Deus humano e histórico pode mudar a história do homem no pecado.

O Deus encolhido veio quebrantar a arrogância do ser humano que quer ser expandido até chegar à dimensão da Divindade. Esse projeto de humilhação da humanidade presunçosa visa à desconstrução da egolatria enlouquecida e a construção de uma morada permanente de Deus na pessoa humana, já que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas, mas em humanos reconstruídos pelas suas mãos divinas que sangraram sobre a cruz do Calvário.

Primeiro Cristo se fez homem para alcançar humanamente os homens ensimesmados. Depois ele se fez servo para tocar nos soberbos que se presumem ser os senhores na história. E, finalmente, ele morreu para matar o nosso ego que não suporta viver fora do controle neste mundo. Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido. Salmos 34:18.

O transcendente se tornou imanente para se aproximar do iminente sujeito que deseja ser Sua Excelência, o eminente Senhor do universo. A teomania é o pecado dos pecados que carece de um quebrantamento radical.

Antes do ser humano passar por uma substituição, ele precisa de um quebrantamento. As boas novas são as notícias da redenção que requerem arrependimento. Para que haja contrição é preciso haver quebrantamento. Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Oséias 6:1.

O Senhor promove o fracasso do soberbo para que ele possa ser humilhado em sua auto-suficiência e, deste modo, em sua humilhação, venha a clamar pela misericórdia divina. Os quebrantados são os únicos ouvidos capazes de ouvir a mensagem de Cristo.

Sem o quebrantamento não haverá a vivificação do Alto, nem o avivamento espiritual. Foi preciso um quebra pau na esfera espiritual para erguer a cruz que é capaz de quebrar a auto-suficiência desta turma inquebrantável por si mesma.

O evangelho é o anúncio divino aos que foram quebrantados pela graça. O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; Isaías 61:1.

A reconstrução demanda o quebrantamento, e este, o goro da soberba. Nada, além da cruz de Cristo, pode abortar a altivez do pecado.

A pregação das boas novas só tem sentido se o cara estiver vivendo em maus lençóis. O nadador só grita por socorro quando as forças já se esvaíram. Por isso a proclamação do evangelho atinge apenas aos quebrantados, isto é, aqueles que já fizeram de tudo e não obtiveram nenhum êxito em sua vida de confiança em Deus e que foram quebrantados pela graça de Deus em Cristo Jesus.

Antes de viver pela fé o ser humano vive pela sua autoconfiança. Tudo aquilo que é auto, isto é, próprio do sujeito pecaminoso, é contrário à obra do Alto e muito perigoso para o ego altivo. O rompimento da auto-estima, por exemplo, é a porta aberta para a estima do Alto. O Altíssimo habita apenas a eternidade e os corações quebrantados e contritos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus. Salmos 51:17.

Quem se auto-estima não estima ainda a estimativa do Alto. Quando Deus vem habitar no contrito e abatido de espírito é porque ele quebrantou as expectativas do ego e veio para vivificar com a vida do Alto, aquele que não pode mais confiar em si mesmo.

O ser humano no pecado é habitado por um ego injusto, insatisfeito e insubordinado. É um inquilino cruel para o usufruto de uma vida plena de significado. Sendo assim, a proposta do Alto é a substituição do ego indomável pelo Cristo manso e humilde de coração. A auto-estima é permutada pela estima do Alto.

Não mais eu, mas Cristo é a proposta de Deus para a libertação dos oprimidos. Esta substituição de locatário acaba expulsando um déspota desgostoso e recebendo um nobre cavalheiro que vem habitar neste barraco humano com o caráter de Sua Alteza.

O grande milagre do evangelho é olhar para uma carcaça humana é ver o Espírito de Deus agindo com gentileza em seu ser. Olhamos e vemos que o corpo é de um ser humano, porém aquela atuação é divina, embora percebamos que não esteja em toda a sua perfeição, por causa do velho barraco de barro esturricado.

O Alto, o Sublime habitando a eternidade é inacessível para a nossa mente finita, mas o Alto habitando um ser que foi sempre autoritário, autônomo e autocentrado é um prodígio fora de série. Não existe coisa mais maravilhosa do que ver Cristo, o Deus Altíssimo, habitando e vivendo numa pessoa quebrantada pela graça plena.

A Trindade Santa habita a eternidade em sua grandeza infinita, conquanto habite também, por meio da humilhação de Cristo, num casebre de barro; esse, sim, é um lugar incomum para a habitação divina, mas foi esse lugar que Deus escolheu para ser a sua morada permanente. Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada. João 14:23.

Além do Pai e do Filho terem vindo fazer morada em nossos corpos mortais, temos também o Espírito Santo fazendo destes corpos o seu santuário. Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? 1 Coríntios 6:19.

Isto me parece um grande absurdo dizer que o Deus absoluto habita em mim em sua plenitude. A minha lógica esbarra na finitude do meu ser limitadíssimo. Mesmo assim, posso entender que um recipiente transbordante de água do oceano Atlântico, não contém todo o oceano, mas está cheio plenamente com a água do mar.

Todos aqueles que foram quebrantados por Deus para serem habitação dele aqui na terra não contém a absoluta dimensão da Divindade em seu ser, mas todos estão contentes por conter a plenitude Divina que lhe é possível receber.

Como moradas de Deus somos pedras vivas e participantes do seu Templo Sagrado no mundo. Cada pedra viva formou o Edifício espiritual que é a Igreja. O mistério da redenção nos mostra que Deus nos quebranta para nos fazer suas moradas, para que, pela sua graça, nós possamos fazer dele a nossa eterna morada.

Sem quebrantamento operado pelo próprio Deus nunca haverá avivamento espiritual. Sem avivamento não há vida espiritual genuína. Por isso mesmo, só o verdadeiramente quebrantado pode promover uma residência para próprio Deus na existência humana e uma autêntica demonstração da fé cristã.

O resumo de tudo isto se encontra nestas três preposições: de – apontado para a origem de tudo; por – falado do meio pelo qual tudo acontece e para – designando a finalidade de tudo. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36. Glenio Fonseca Paranaguá - palavradacruz.com.br

sexta-feira, 22 de julho de 2011

SEM MÁGICA

Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.” (Ezequiel 37:7)

Fui alertado por um leitor atento e quero ser sensível à voz de Deus sobre o que falo e escrevo. Esta meditação é fruto do que creio e mediante este alerta, pelo qual sou grato e pedi permissão para usar.
Quando colocamos nossa fé na operação sobrenatural do Senhor, não podemos esperar mágica. Profetizarmos sobre o osso seco de uma crise financeira não é bilhete de loteria nem cheque ao portador. Meu Deus é poderoso para fazer cair dinheiro, contratos, perdão de dívidas – literalmente do céu. Mas faça sua parte e continue estudando, se aperfeiçoando, trabalhando. Devemos profetizar sobre um casamento tão morto quanto um osso seco, mas as feridas continuarão lá e quando forem curadas (pois eu creio que são) as cicatrizes ficarão lá. Podem não incomodar, não sangrar, não infeccionar e talvez nem coçar. Mas estarão lá.
Deus fará a parte Dele e tenho visto curas físicas espetaculares, da pessoa acordar lúcida de uma isquemia cerebral, há mais de duas semanas fora de si. Simplesmente acordou. Oramos, algo aconteceu, foi o Pai. Mas também tenho visto servos de Deus sofrendo e até mesmo morrendo de câncer sem serem agraciados com uma cura. E claro, também tenho visto gente sendo tratada pela medicina com ou sem sucesso, graças ao toque do Senhor. Deus é soberano, não importa o meio que decida usar.
Se formos falar tudo que vai em nosso coração faltará espaço. Mas o recado é simples e direto: ore com a mesma fé não importando se a resposta venha montada em uma lesma ou num alazão. Creia no mesmo Senhor e Deus Vivo, quer o milagre seja imediato ou consuma anos. Seja obediente como Ezequiel, seja algo simples ou impossível.
“Senhor, ajuda-me a ser autêntico na Tua presença, pois não sou naturalmente bom nisso. Quero te obedecer independente de ser attendido como eu quero ou de outra forma.” Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

domingo, 17 de julho de 2011

BATALHA ESPIRITUAL OU BANDALHA ESPIRITUAL?


Como editor de livros cristãos fiquei impressionado ao descobrir em uma pesquisa junto a livrarias evangélicas que um dos três assuntos que mais vendem livros entre a nossa gente é batalha espiritual. Prova de que nós, cristãos, somos absolutamente fascinados por esse assunto. Queremos ver nosso Deus guerreiro arrebentar com o capeta, mandá-lo pro quinto dos infernos a pontapés, sob nossos brados de glória e aleluia. Entendo muito bem do assunto. Fui convertido numa igreja que dava muito valor a isso, onde o diabo era uma figura onipresente nas orações, nos cultos, nas conversas, no dia a dia dos irmãos. Parecia até que ele tinha cadeira cativa na primeira fila. Hoje, tendo lido, vivido e praticado minha fé de forma mais sólida, me atrevo a enxergar aquilo que considero um grande erro no discurso cristão com relação ao Diabo. E é sobre isso que quero conversar com você. 
Antes de mais nada, preciso avisar aos adeptos do liberalismo teológico que os respeito mas não concordo com vocês. Acredito sim que Satanás e os demônios são seres pessoais, que atuam sim nas esferas terrena e celestial, militando contra a Igreja de Cristo. Creio em possessão demoníaca e já participei de exorcismos (não televisionados e sem plateia, ressalte-se) em que presenciei situações que ninguém nunca me convencerá terem sido crises de epilepsia. Então sou bem ortodoxo, fundamentalista e bem pouco iluminista quando o assunto é demonologia. Creio que, ao contrário do que defende a Teologia Liberal, Satanás é de fato uma entidade pessoal. Só para você ter uma ideia, há nas escrituras 177 menções ao Diabo em seus vários nomes. Além disso, a Bíblia deixa claro que ele tem intelecto (2 Co 11.3); emoções (Ap 12.17) e também vontade (2 Tm 2.26). Em Mt 25.41 fica claro ainda que ele é moralmente penalizável por seus atos, o que jamais ocorreria se ele fosse apenas uma metáfora ou um símbolo da maldade humana, como advogam alguns. E mais: Satanás é descrito por pronomes pessoais e é fortemente adjetivado no relato bíblico.
Tendo dito isso, vamos ao que interessa: O grande equívoco que nós, cristãos, cometemos, é achar que Deus e o Diabo estão numa batalha espiritual em pé de igualdade. Que a força que Deus tem cá o Diabo tem lá e que as chances de vitória em qualquer batalha espiritual são de 50% a 50%. É essa imagem da queda de braço aí ao lado, onde o Supremo Criador do Universo se vê numa disputa de igual pra igual, em que tudo pode acontecer, em que há isonomia de forças. Nada mais longe da verdade.
DEMÔNIOS APENAS OBEDECEM E IMPLORAM A DEUS
Para começar: Deus é o criador do ser que se tornou Satanás. Ou seja: do mesmo modo que eu e você, como criaturas, dependemos do Senhor para tudo, precisamos de sua autorização para realizar qualquer intento, o líder dos demônios tem de enfrentar a mesma burocracia. Sim, Satanás é obrigado em tudo a dizer a Jeová: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. Ele não tem escolha. Pois o Diabo não pode mover uma palha sobre a terra ou nas regiões celestiais sem a autorização expressa de Deus. É como um cachorrinho, esperando que seu dono afrouxe a coleira e ele, assim, consiga avançar contra um dos eleitos do Senhor.
Isso fica claríssimo no livro de Jó. Para tomar qualquer iniciativa Satanás precisa que Deus conceda-lhe o direito. Veja que em Jó 1.12 o Senhor diz a Satanás: “Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não toque nele”. Ele usa o verbo no imperativo, isto é, trata-se de uma ordem, algo que vem de cima para baixo: “não toque”. Em nenhum momento há uma barganha: há uma concessão.
Depois, na tentação de Jesus no deserto, as palavras de Cristo em Mt 4.10a são absolutamente reveladoras: “Jesus lhe disse: Retire-se, Satanás!”. Perceba o que está acontecendo aqui. Jesus de Nazaré, o Deus encarnado, vira-se para aquele que tantos de nós temem e simplesmente dá-lhe uma ordem. Se Satanás vivesse em pé de igualdade na batalha espiritual, se ele lutasse de igual para igual com Deus, no mínimo ele responderia um “qualé, Jesus, vai encarar? Tá se achando, é?”. Mas não. Sabe o que o Diabo faz quando Jesus diz “retire-se”? Vamos para o versículo seguinte: “Então o Diabo o deixou”. Uau. Que moral. Não houve luta, não houve batalha, não houve barulho. Jesus disse e o Diabo simplesmente e subordinadamente obedeceu. Prova de que o nível de autoridade do Mestre é infinitamente, extraordinariamente, magnificamente, inquestionavelmente superior ao do adversário. Que é adversário nosso, não dEle, como já veremos.
Há ainda outra passagem fantástica que revela essa realidade. Marcos 5 nos conta que ao chegar a Gadara Jesus se depara com um endemoninhado. A história se repete. Quando aquela legião de demônios se vê diante do Rei dos Reis o que ela faz? Guerreia? Peleja? Luta? Enfrenta? Encara? Sai gritando “vamos lá, essa é a chance de derrotar Jesus!”. Nada disso. Ouça bem: “E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima. Os demônios imploraram a Jesus: ‘Manda-nos para os porcos, para que entremos neles’.” (Mc 5.10-12). O demônios imploraram. Segundo o dicionário, isso significa que elessuplicaram, pediram encarecidamente e humildemente. Isso parece atitude de quem entra numa batalha de igual para igual? E assim é em todas as manifestações demoníacas que a Biblia relata: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Ou melhor: quem já é réu de juízo.
SATANÁS NÃO É INIMIGO DE DEUS, MAS DOS HOMENS
Deus é onipotente, isto é, pode tudo. O Diabo é teopotente (com o perdão do neologismo), isto é, só pode o que Deus lhe permite poder. Então, a imagem medieval de Deus guerreando com o Diabo em condições de igualdade é tão esdrúxula como imaginar que um rinoceronte e uma formiga são capazes de competir em igualdade de força, poder e domínio. Apocalipse fala da batalha final de Armagedom. Mas imaginar que essa batalha é como um Fla X Flu, em que tudo pode acontecer, em que há chances de qualquer um ganhar, é uma ideia extremamente infantil. Toda e qualquer luta entre Deus e o Diabo é como um jogo entre a seleção brasileira titular de futebol e o timinho mirim sub-10 do Cáceres Matogrossense (que para quem não sabe é considerado o pior time do Brasil). Chega a ser risível imaginar uma derrota da seleção.
Deus sempre ganha. Sempre. Sempre. Simplesmente porque a grandeza, o poder e a majestade do Ser infinito, eterno, onipotente, inefável, magnífico que é o Senhor do Universo é absolutamente, impensavelmente, descomunalmente superior a toda e qualquer capacidade que esse mísero ser criado, chamado Satanás, possa ter.
Satanás não é inimigo direto de Deus: é uma pedra incômoda no sapato. Uma farpa no dedo. Satanás é sim inimigo dos homens, adversário nosso, pois ele tem a capacidade de nos sugerir que pequemos. Nem nos obrigar ele pode (salvo em caso de possessão). Veja o que ele fez com Adão e Eva: não enfiou o fruto proibido goela abaixo deles, apenas sugeriu, deu ideias. Satanas é um grande sedutor. Nós fazemos e cedemos se quisermos. Repare que o anjo de Apocalipse 22.9 diz a João: “Sou teu conservo”. Analogamente, os anjos caídos estão no mesmo nível hierárquico: co. Ou seja, “correspondente”, “correlato”. Eles estão em pé de igualdade enquanto inimigos dos seres humanos, jamais de Deus. Assim, devemos temer somente e tão somente aquele que pode lançar nossa alma no inferno (Mt 10.28), ou seja: Deus. Acredite: o Diabo não tem nenhuma autoridade para te condenar ao inferno. Isso é entre você e o Todo-Poderoso.
IGREJAS DIABOCÊNTRICAS
Pois bem, uma vez que pomos o Diabo no lugar que lhe é devido, começamos a perceber que ele vem sendo tratado pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo de maneira completamente equivocada: com honras e glórias.
“Ahn? Como assim, Zágari, tá maluco?”
Não mesmo. Repare que temos dado tanto destaque ao Diabo em nossas vidas que muitas vezes falamos mais dele do que de Deus em nossas orações e em nossos cultos. É um tal de repreender pra cá, expulsar pra lá, manietar, acorrentar, aprisionar… passamos tanto tempo usando os minutos que deveríamos estar dedicando ao Criador dos Céus e da Terra mencionando o Diabo que acabamos tornando nossos momentos na igreja diabocêntricos. E você consegue perceber o que há de mais grave nisso? Repare que quando pegamos o espaço que deveria ser totalmente devotado a Deus (como nossos cultos, nossos devocionais, nossas orações etc) e o usamos para dar espaço ao Diabo estamos fazendo exatamente o que ele queria e que resultou em sua queda: o pomos no lugar de Deus. Ou seja: quando fazemos de Satanás o centro de nossas atenções ele exulta, pois é exatamente o que queria desde o início: usurpar o lugar do Senhor. Nem que seja nas nossas atenções e em nossos pensamentos.
Cultos são momentos que, como diz o nome, servem para cultuar a Deus. Orações servem para relacionarmo-nos com Deus. Se O removemos desses momentos e pomos o Diabo no Seu lugar, pronto: sem percebermos entronizamos Satanás em nossas atividades, deixando o Senhor em segundo plano. Ah, e isso é tudo o que Maligno sempre quis! Veja: “Você, que dizia no seu coração: ‘Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo’.” (Is 14.13,14).
As nossas orações, então, em vez de representarem momentos de íntimo contato com o Abba, de aproximação com o nosso amado, com aquele que é maravilhoso, em vez de serem oportunidades de nos derramarmos ao Pai nosso que está no Céu, cujo nome é santificado e cujo Reino esperamos ansiosamente… vira um bate-boca com o Diabo e com os demônios. Que desperdício! E isso porque temos a ilusão de que temos de ficar guerreando eternamente contra esse ser que é tão inferior ao nosso amigo Jesus Cristo. Quando na verdade onde a luz brilha as trevas se dissipam.
BATALHA ESPIRITUAL SE GANHA ACENDENDO A LUZ
Quer fazer batalha espiritual? Acenda a luz de Cristo na tua existência. Traga Jesus para o centro de tudo. E ali ele iluminará todos os cantos de sua vida, eliminando todo e qualquer vestígio de trevas. Pronto, a batalha estará vencida. Simples assim. Sem mágicas, sem estratégias, sem abracadabra. Ponha Jesus no centro da tua vida e Ele iluminará teu corpo, alma e espírito. E, com isso, não sobrará espaço absolutamente nenhum para o Diabo agir.
Fico impressionado com grupos que criam “ministérios” onde ensinam sobre mapeamento espiritual, estratégias de guerra e um monte de outras coisas ligadas ao Diabo. Eu mesmo na minha infância de fé participei de alguns, fui a cursos e seminários. Passamos manhãs inteiras discutindo e aprendendo sobre demônios, principados, hierarquias e tantas outras invenções humanas que a Bíblia ignora totalmente. Joguei no lixo manhãs inteiras glorificando o Diabo, tornando-o o centro das atenções, quando poderia estar me devotando ao Cristo que veio à terra para desfazer as obras do maligno (1 Jo 3.8) e que o venceu na Cruz. Aprendi tantas coisas inúteis nesses seminários de batalha espiritual que uma simples leitura bíblica me teria ensinado com muito mais clareza lições infinitamente mais preciosas e eficazes.
Quer saber qual é a forma bíblica de Jesus de lidar com Satanás e os demônios? Pois bem, repare antes de qualquer coisa que é a forma como  alguém muito superior trataria alguém infinitamente inferior. Como um leão trataria um rato. Mateus 8.16 diz a respeito de Jesus: “Ao anoitecer foram trazidos a ele muitos endemoninhados, e ele expulsou os espíritos com uma palavra”. Repare, uma única palavra!
Jesus não se rebaixava a ficar conversando com demônios. Com uma única palavra os mandava embora. E isso era corriqueiro. Em Marcos 1, Jesus está numa sinagoga quando “justo naquele momento, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou: O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus”. Repare que o demônio que possuia aquele homem puxou o maior papo com Jesus. Mas sabe o que o Mestre fez? Não deu a menor trela. Tudo o que ele falou, segundo o versiculo 25, foi: “Cale-se e saia dele!”. Que coisa extraordinária! Repare bem: Jesus não permitiu que o demônio abrisse a boca! Mandou-o se calar. E sair. Só. Sem conversa, sem dar importância nem oportunidade de ele falar ou mesmo “ensinar” doutrinas de demônios. O resultado? O texto diz: “O espírito imundo sacudiu o homem violentamente e saiu dele gritando”. “Cale-se e saia dele”…e ele saiu. Uau.
Esse deve ser o nosso procedimento: cala e sai. Só. E sempre. Luz acesa, trevas dissipadas.
É como se Jesus quisesse dizer: “Tá, já tirei o cabelo da sopa, vamos nos banquetear agora?”. Mas tem gente que prefere ficar aos berros: “Tem um cabelo na minha sopa! Tem um cabelo na minha sopa! Tem um cabelo na minha sopa!”. E assim perde o principal. Que é Deus. A Cruz. A vida eterna. A Igreja. A comunhão dos santos. O amor.
VALORIZAR O DIABO EM NOSSAS CELEBRAÇÕES É DESTRONAR DEUS
A Bíblia é sobre Cristo. O Evangelho é sobre Cristo. Nossa vida cristã é sobre Cristo. Batalha espiritual é um assunto secundário. Se houver demônios os expulsamos e acabou. Se você reparar que está gastando muito do seu tempo lendo sobre eles, falando sobre eles e se preocupando com as sujeiras ligadas a eles é sinal que suas prioridades na vida de fé precisam ser reavaliadas. Cristianismo é sobre viver com Cristo e amar o próximo e não sobre ficar gastando horas e horas com demônios.

Deus não está no mesmo nível que o Diabo. Deus está no apartamento de cobertura e o Diabo, no capacho que dá entrada ao saguão do primeiro piso – pela porta dos fundos  Temos que tirar da cabeça essa ideia infantil de que eles estão no mesmo nível. Deus é criador. O  Diabo é criatura. Deus pode tudo. O Diabo só pode o que lhe é permitido. Deus manda. O Diabo obedece. Deus é vitorioso. O Diabo já perdeu. Deus viverá a eternidade em seu Reino de glória, honra e majestade. O Diabo viverá a eternidade na morte eterna do lago de fogo e enxofre. Deus ama seus filhos. O Diabo perdeu o amor de Deus. Deus merece toda a nossa atenção. O Diabo não merece nem mesmo um post num blog desconhecido como o meu. Logo, como já gastei tempo demais escrevendo sobre essa criatura incômoda que conseguiu fazer com que eu usasse um post do meu blog pra falar dele, nada melhor do que encerrar um artigo sobre o Diabo falando sobre Aquele que de fato merece que falemos dEle: Glória a Deus nas maiores alturas! Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas! Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória. Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir. (Lc 2.14a; Mt 21.9; Is 6.3; Ap 4.8)  Mauricio Zágari 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

SEM OVELHAS

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)

Ovelhas são representação de almas, de vidas para serem cuidadas, mas isso é coisa de pastor. Também é simbolo de povo, de familia, de grupo de relacionamento – ovelhas são coletivas, vivem em coletividade. Pensemos que não ter ovelhas represente não ter amigos, família, convívio – simboliza isolamento.
Isso não deveria acontecer com nenhuma pessoa, de ficar sozinho, mas acaba circunstancialmente ocorrendo com muitos. Eu já fiquei fora da minha cidade por alguns meses e me senti solitário, até me adaptar em uma igreja local. Há os que se mudam, seja de cidade ou de país. Outros simplesmente não conseguem encontrar uma igreja local que os agrade. Outros estão colhendo o que semearam na vida e hoje estão sem seus familiares por perto. Cada um tem sua história e lida com ela de sua própria forma, mas para todos uma coisa é comum: todo mundo se sente só quando não está em convívio coletivo. Deus nos fez assim.
Mesmo nestas situações e apesar da solidão, nossa alegria precisa vir do Senhor. Já me senti só em meio a multidões, mas o Senhor é minha fonte. Com o passar do tempo, a ação do Senhor e com as orações, Deus coloca pessoas ao nosso redor, restitui familias destruídas, reenquadra os desencaixados, dá tolerância aos intolerantes e cura os chatos, dos quais já fui o maior. O papel da igreja local nisso é decisivo.
A alegria vem do Senhor quando não temos povo, não temos ovelhas, pois Deus não depende disso para ser Deus. Nós é que dependemos das coisas para nos sentirmos alguma coisa. Nem deveria ser assim, mas o ser humano é assim.
Deus nos permita encontrar nosso lugar na sociedade, nas igrejas, nas familias, nos grupos. Deus nos ensine e capacite a aprender a andar Nele e por Ele mesmo sem isso.
“Senhor, é terrível o sentimento de solidão e não quero me conformar a ele. Te peço que me fortaleça para me alegrar no Senhor estando rodeado de amados ou estando só.” Mário Fernandez - www.ichtus.com.br

terça-feira, 12 de julho de 2011

A Maior de todas as Virtudes


Tenho por vezes notado a tendência de nem sequer dar valor ao  que a Bíblia considera como a maior de todas as virtudes, a saber, a humildade. Numa comissão ouvi pessoas discutindo sobre certo candidato e dizendo: “Sim, muito bom; mas lhe falta personalidade”. Quanto na minha opinião sobre aquele candidato específico era que ele era humilde.

Existe a tendência de justificar a atitude de uma pessoa em fazer uso de si próprio e de sua personalidade e de tentar projetá-la, impondo aos outros a sua aceitação. Os anúncios publicitários que estão sendo crescentemente empregados em conexão com a obra cristã proclamam em alto e bom som essa tendência.
Leia os antigos relatos das atividades dos maiores obreiros de Deus, dos grandes evangelistas e outros, e verá como procuravam apagar-se a si próprios. Hoje porém, estamos experimentando algo que é quase o completo inverso disso.

Que significa isso? “Não pregamos a nós mesmos” – diz Paulo – “mas a Cristo Jesus, como Senhor”. Quando visitou Corinto, conta-nos ele, foi para ali “em fraqueza, temor e grande tremor”. Não subia a plataforma com confiança, segurança e desenvoltura, dando a impressão de uma grande personalidade. Antes, o povo dizia dele “a presença  pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível”.


Quão grande é a nossa tendência de desviar-nos da verdade e do padrão das Escrituras. Como a Igreja está permitindo que o mundo e os seus métodos influenciam e dirijam a sua perspectiva e a sua vida!!

Que pena! Ser “pobre de espírito” não é tão popular, mesmo na Igreja, como o foi outrora e sempre deveria ser. Os cristãos devem reconsiderar essas questões. Não julguemos as coisas segundo a aparência do seu valor; acima de tudo, cuidemos para não sermos cativados por essa psicologia mundana; e tratemos de entender, desde o princípio, que estamos no domínio de um reino diferente de tudo quanto pertence a este “presente mundo mau”.  M. Lloyd-Jones

domingo, 3 de julho de 2011

A FORTALEZA NA FRAQUEZA

Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. 2 Coríntios 12:10.
O Cristianismo é paradoxal em suas propostas. É o ensinamento dos disparates. É uma sugestão aos absurdos. Como alguém pode se deleitar na debilidade, nas ofensas, na indigência, nos acossamentos e nas aflições por amor a alguém? Neste caso, Cristo. Isto tudo me parece uma loucura total. Não há a menor coerência neste caminho.
Paulo toma a contramão da história humana. Na via do pecado o encanto encontra-se na força, no elogio, na abastança, na tolerância e no consolo. Parece que esta é a estrada que devemos percorrer. Mas ele propõe outra trilha sem qualquer lógica.
A biografia de Adão é marcada pela ascensão ao pódio. A raça adâmica lida freneticamente com a síndrome de altar e vive escalando montanhas para chegar ao topo com um espírito de gente superior. O pecado nos intoxicou com o vírus da grandeza e não toleramos viver nos vales. Desde a torre de Babel até aos astronautas no espaço sideral, todos nós sofremos com esta mania de elevação e importância.
No contexto, o apóstolo havia subido até o terceiro céu. Parece que ninguém havia subido tão alto quanto ele. Ser singular é um risco sem tamanho. Quem quer ser o melhor sofre demais com a competição. Tudo indica que Paulo era o único nesta escalada sem limite e agora estava perigo sério. Quanto mais alto, maior é o tombo.
Foi aí que Deus interferiu com tamanha graça na vida de Paulo. Enviou, da parte de Satanás, um espinho na carne do super-apóstolo ameaçado de se exaltar. Ele precisava ser quebrantado de verdade. No reino da graça ninguém pode se considerar melhor, maior ou mais ilustre do que os outros. O evangelho propõe o esvaziamento do ego.
O caminho que nos leva à glória de Deus é sempre para baixo. O próprio Cristo precisou passar pelo esvaziamento para nos tocar. Paulo não entendeu a princípio o método olímpico de Deus, isto é, as “Olimpíadas Celestiais”, por isso, orou três vezes requerendo a extinção do espinho. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 2 Coríntios 12:9.
Ele queria a ausência do sofrimento, mas sem dor não há quebrantamento. O pecado nos tornou montesinos e pretendentes ao auge na escala social. Nós buscamos, talvez até inconscientemente, a notoriedade e temos muita dificuldade com o anonimato, obscuridade, ostracismos e ausência de reconhecimento.
Um nanico me perguntou certa vez: – você me viu na coluna social? Há muitos que pagam aos cronistas para serem anunciados e fotografados. Outros não procedem assim, embora ambicionem uma cadeira no parlamento, um título de nobreza, um diploma de mestre, uma presidência no sindicato ou até ser síndico de um prédio.
J. Blanchard disse que a maioria de nós tem um apetite exageradamente grande por louvor. Queremos ser apreciado nas entre linhas, enquanto o nosso orgulho, muitas vezes, vem disfarçado de humildade. O maior perigo da fé cristã é a arrogância vestida de trapos. Daí, Blanchard acrescentar: Deus pensa mais no homem que pensa menos em si. Aliás, ele nem mesmo pensa em si, uma vez que já morreu com Cristo.
Quebrantamento não é rebaixamento. Para Agostinho de Hipona, a suficiência dos meus méritos está em saber que os meus méritos nunca serão suficientes. O meu aviltamento pessoal pode ser uma tática de elevação perante a opinião pública, enquanto o quebrantamento é uma demolição promovida pelo próprio Deus.
O Senhor precisava quebrar o apóstolo Paulo e mantê-lo quebrado até ao fim. Se oorgulho é o desejo perverso das alturas, como disse Agostinho, a humildade é a ausência de qualquer desejo de visibilidade. Para conservá-lo humilde o Senhor convocou um mensageiro do inferno, a fim de humilhá-lo de modo severo.
Paulo não se humilhou perante o Senhor, uma vez que, em sua humilhação ele poderia ainda se exaltar por ter se humilhado. Na verdade ele foi humilhado.
Há um grave risco na humildade patrocinada pela própria pessoa humilde que se humilha. Muitos acabam se vangloriando de sua aparente modéstia. Por outro lado, a humilhação, quando vem na voz passiva, isto é, quando somos humilhados, raramente, aceitamos como benéfica. Nunca achamos justa a humilhação, mas é aqui que se encontra a legítima escola de aprovação dos discípulos de Cristo.
Jesus disse certa vez que: Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado. Lucas 14:11. Por causa do pecado o ser humano sempre procura se exaltar. Como já vimos antes, nós nos engrandecemos até em nossa aparente humildade. Sendo assim, todos nós precisamos ser humilhados primeiro, a fim de poder nos humilhar sem a necessidade de sermos exaltados.
Só os humilhados por Cristo crucificado podem se humilhar de fato diante do Senhor. Sem a humilhação patrocinada pelo Todo-Poderoso não haverá humildade legítima no coração. Muitos de nós falamos de uma mensagem correta sob o prisma da humildade sem um espírito verdadeiramente humilde.
Agostinho disse também que a humildade é a virtude cristã que aquele que a tem, não sabe que a tem de verdade; pois no dia que ele souber que a tem, vai se orgulhar de sua humildade. Vangloriar-se da sua humildade é uma contradição de termos. Então, de quem é a humildade expressa na vida do cristão? Com certeza não é dele mesmo.
A lição do quebrantamento no cristianismo é nesta ordem. Nós sempre nos exaltamos. Nós nos glorificamos até nos atributos do Senhor, como acontece no caso da humildade. Esta é uma qualidade essencial de Cristo e nunca do cristão. Então o Senhor tem que nos humilhar para dependermos de sua humildade. Uma vez humilhados podemos nos humilhar com a humildade de Cristo, sem a necessidade de sermos exaltados, ainda que isto venha a acontecer em algum momento da história.
O quebrantamento no evangelho da graça é a retirada do orgulho da alma pela cruz de Cristo. Precisamos ser esvaziados de nossa força egoísta até chegarmos à fraqueza total. Quando estivermos em astenia plena entramos no terreno da onipotência Divina.
Quando nos humilhamos sem termos sido humilhados podemos nos exaltar de nossa atitude de humildade aparente, mas quando somos humilhados, somos enfraquecidos ao extremo. No perímetro da fraqueza absoluto todos os crentes em Cristo são constrangidos à dependência de Deus e, deste modo, todos nós nos tornamos supridos pela sua onipotência. No reino da graça só os inteiramente fracos podem ser fortalecidos pela providência soberana e toda poderosa do próprio Deus.
A expressão: quando eu sou fraco, então é que sou forte, significa que, não podendo nada por mim mesmo, tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4:13. Assim, no Reino de Deus, a fortaleza encontra-se na fraqueza.
A pessoa mais poderosa que já viveu aqui na terra foi aquela que em sua fraqueza completa, depois de seu total esvaziamento voluntário, dependeu totalmente do poder de seu Pai celestial. A onipotência do Verbo encarnado se manifestava por meio de sua fraqueza através da irrestrita dependência do seu Pai.
Fraco não é aquele que lhe falta qualquer força física, mas aquele que, mesmo tendo muita força, abdicou-se dela para depender apenas do poder de Deus.
A fortificação da fé cristã encontra-se na dependência Divina. Essa dependência da Divindade está vinculada à fraqueza humana. A fraqueza da pessoa permanece atrelada à humilhação promovida pelo trono da graça. Quando somos humilhados nos tornamos fracos e consequentemente dependentes do poder absoluto de Deus.
Ser humilhado é a benção que nos leva à fraqueza. Conviver como fracos aqui na terra, mas na dependência de Abba é viver na fortaleza do poder integral do Deus Todo-Poderoso. Se você for um sujeito fraco de verdade, mas dependente totalmente do poder de Deus, então estamos diante de uma superpotência; de alguém com um poder descomunal, capaz de fazer qualquer coisa que Deus quiser.
Uma pessoa totalmente fraca, mas dependente completamente de Deus, acaba se tornando em um ser que pode tudo aqui na terra. A nossa real fraqueza sob a promoção absoluta de Deus se constitui na mostra da onipotência divina na impotência humana.
O nosso modelo existencial é Cristo, do começo ao fim. Uma vez que nós morremos e ressuscitamos juntamente com ele, toda a nossa história depende desta vida compartilhada. Porque, de fato, foi crucificado em fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos, com ele, para vós outros pelo poder de Deus. 2 Coríntios 13:4. Glória ao Pai. Amém.  Glenio Fonseca Paranaguá - www.palavradacruz.com.br