Que loucura! Um Deus de fraldas deitado numa cocheira é um absurdo completo para a minha mente metida a racional. O Criador do universo vestindo o manequim de um bebê torna-se um contra senso universal. Mas, a verdade nua é que Deus se encarnou num neném pelado e veio habitar humildemente como homem entre os homens soberbos.
Deus, agora, tem um endereço insignificante numa biboca qualquer deste mundo cheia de pedras, espinhos e cardos. Há um Salvador para a arrogância humana, dormindo sossegadamente numa estrebaria, sem qualquer visibilidade pública. O Deus encolhido, o Deus nenê desceu do céu para expandir o amor na terra dos ensimesmados. Parece que esse Deus infantil gosta mesmo e muito de gente topetuda e suja de barro.
O nascimento de Deus na raça de Adão é o paradoxo dos paradoxos. Mas, também, é a maior demonstração de afeto por uma espécie saturada de autossuficiência. Como é grandioso ver o Deus Soberano e Onipotente se importar profundamente com gente que não vê qualquer importância nele! Gente obesa de si mesma!
Vejo em Jesus de Nazaré a assinatura humana de Deus num título de resgate de uma conta impagável de presunção desta pseudo independência. Vejo nele o preço da redenção, sem pechincha nem descontos, para uma turma altiva que se acha acima do panteão, e que prefere construir a sua lamentável história à custa da demolição do planeta azul.
Quero, nesta pequena reflexão, fora de época, já que Cristo Jesus, com certeza, não nasceu no mês de dezembro, desejar que você perceba o Natal, não como uma festa de alguns presentes, mas, como a Festa de Alguém, muito especial, presente nas vidas dos indignos que o recebem, fazendo a diferença nos corações dos indiferentes.
Feliz Natal é uma pobre frase sem sentido, criada pelos admiradores de “ho, ho, ho”. Embora, feliz será sempre aquele que celebrar o Natal, 365 dias por ano. Curta, com alegria, este ano 2012 com Cristo habitando no seu casebre de barro. Ele mesmo financiará o seu contentamento a cada dia, apesar das tribulações. O Criador veio para ser submisso à criatura, e, deste modo, fazer o maior milagre na terra: conceder à cria orgulhosa a condição de depender do Criador, que se acocorou com uma bacia e uma toalha, a fim de lavar os pés de uma “turminha” soberba ao extremo, indo até a cruz para libertar os que se acham “super deuses”.
No amor da Casa do Pão. (De Belém, ao monte do Calvário, você será saciado em sua fome de significado neste banquete diário de Amor incondicional). Glênio Fonseca Paranaguá e Família
"Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?" (1 João 5:5 ARA)
Ainda que ao olhar ao nosso redor, o mundo seja cruel - e é.
Ainda que pareça que não se pode vencer o sistema.
Ainda que para cada um de nós hajam 20 incrédulos.
Ainda que sejamos perseguidos diariamente.
Ainda que pareça que estamos perdendo terreno.
Ainda que a igreja local não seja o que gostaríamos.
Ainda que nossos pastores não sejam perfeitos.
Ainda que não compreendamos tudo que Bíblia diz.
Ainda que haja desavenças entre nós, irmãos.
Ainda que o diabo seja um inimigo astuto e poderoso.
Ainda que, às vezes, nos sintamos esquecidos, abandonados.
Ainda que tudo pareça desmoronar ao seu redor.
AINDA ASSIM....
Ainda assim os vencedores não são os valorosos, ou os bem instruídos, ou os bem vestidos, ou os bem comportados, ou os que oram mais, ou os adoradores. A vitória que vence o mundo é a fé no Filho de Deus, na manifestação visível e encarnada do Deus Vivo e Eterno - Jesus de Nazaré, o Dono de toda autoridade no céu e na Terra, cujo nome foi exaltado acima de todo nome e diante do qual todo joelho se dobrará.
Não se deixe impressionar pelas adversidades, não deixe que as situações ditem a sua fé. Foco no alvo, foco no alvo, foco no alvo - e o alvo é Jesus Cristo.
Talvez esta devocional não faça muito sentido para você neste momento, mas posso assegurar que no meu momento de vida faz todo sentido. Ou Jesus será meu foco ou ficarei literalmente desnorteado. Eu vencerei, creio nisso e não é frase de efeito. Junte-se a mim e vamos adorar àquele que venceu, mesmo em meio às nossas tempestades. Com fé, com firmeza, com clareza e com foco.
O mundo? O mundo passará, mas as Palavras Dele durarão para sempre. Vai apostar no eterno ou no passageiro?
"Pai, obrigado por abrir meus olhos para a vitória que o Senhor tem para cada um de nós mediante a fé no Teu filho. Fortalece-nos e ensina-nos a levar adiante nossa condição vitoriosa, para glória do Teu nome" Mário Fernandez
O GIGANTE GOLIAS E O COITADINHO DO MEFIBOSETE. 1 A história de Davi, o pastorzinho de ovelhas que virou rei de Israel, tem dois personagens curiosos em sua biografia. Um gigante, no prefácio, e um aleijadinho, na conclusão.
Os dois tipos são simbólicos e significativos. O primeiro é a representação daquilo que promove a nossa vanglória. Escalar os píncaros elevados é um obstáculo quase intransponível para quem deseja a vida simples e anônima. É complicado assentar-se num trono e ainda gozar o prazer de descansar num tamborete à sombra da invisibilidade pública.
A história dos grandes feitos requer uma narrativa heróica. Quando Davi venceu o gigante Golias, tornou-se um monstro sagrado para o seu povo. Daí para frente ele veio a cultivar e cultuar muitos aplausos, uma vez que os heróis normalmente são convertidos em ídolos das multidões ávidas por referência.
Nesta hora aparecem as tietes como fungos tóxicos, envenenando os rivais e causando, através da louvação, um verdadeiro esporão de arraia no íntimo dos invejosos.
O rei Saul foi vítima deste golpe ferino, quando as donzelas o compararam com aquele súdito pixote, aquele nanico; dando a Davi uma potência de dez vezes mais do que o rei. Foi aí que o seu reinado despencou morro a baixo.
O perigo do êxito é duplo: de um lado, a vaidade instigando a vanglória; do outro, a inveja instalando a sua perseguição e vingança astuta. O sucesso é uma sucessão de armadilhas ardilosas e sutis, por onde o orgulho financia a soberba, enquanto a inveja favorece a armação de uma arapuca para aprisionar o sujeito. De ambos os lados há conflitos gigantescos no íntimo da pessoa bem sucedida.
O meu gigante vanglorioso é um Drácula que suga o sangue na veia dos invejosos e ainda me deixa anêmico pela necessidade de reconhecimento da platéia. Se for admirado, acabo ficando pálido de tanto me admirar nesse espelho mágico, distante do sol da verdade. E, se não sou visto, sofro com a hemorragia nas minhas entranhas.
Porém, há outro personagem tipológico que requer cuidados especiais. Davi foi genro do rei Saul, seu arquiinimigo invejoso, que o quis matar a todo custo. O rei o detestava, mas o seu cunhado, Jônatas, era o seu amigo preferido. Davi e Jônatas, filho de Saul, se amavam no meio de um fogo cruzado da artilharia brutal dessa guerra nacionalista.
A dinastia de Saul havia chegado a um beco sem saída. O fim da aristocracia de Benjamim foi quase ao extermínio total da família. Quando Davi assumiu o trono, apareceu um descendente de Saul, um serzinho manco nos escombros dos benjamitas. Era o pobre Mefibosete, um aleijadinho que havia caído do caminhão da mudança.
Agora, no cenário da psique, pode brotar a autocomiseração como o outro lado da velha moeda do orgulho. A doença da alma, via de regra, faz da bondade um negócio para compensar a culpa que por vezes esculpe uma chaga dolorosa do "Auto da Compadecida".
Mefibosete significa: "exterminando o ídolo". Qual era o ídolo? Também, temos uma figura que tipifica a operação da graça aos miseráveis. Observem que ele é um deficiente indigno que foi convidado a tomar parte como príncipe, em lugar de honra, na mesa real. Mas a sua conduta não é totalmente ingênua.
A semana que vem eu vou considerar algumas estripulias desse meu gênero coitadinho. O orgulho camuflado de autocompadecimento é muito mais ameaçador do que desfilar na passarela destilando a arrogância às golfadas. Tenho muito mais receio do meu modelito esguio do que dessa tampa de poço do meu ego obeso. Até a próxima. Glênio Fonseca Paranaguá
A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios. 2 Coríntios 2:10-11.
A expressão: “atirando pedra no telhado” é uma figura de linguagem que ilustra a ofensa. Ninguém vive neste mundo sem algumas pedradas pela frente e por trás. Feridas e contusões fazem parte da tragédia no dia a dia de cada um de nós. Há sempre alguém com estilingues jogando algo escabroso em alguma pessoa distraída ou desprotegida.
As críticas ferinas, as acusações injustas e as traições inesperadas são muito mais frequentes do que realmente gostaríamos de admitir em nossa ingênua imaginação. Além de que, somos também atiradores disfarçados em pacientes bem espertos.
Os bastidores dos relacionamentos estão sempre cheios de lixo composto pelos seixos atirados das janelas dos vizinhos, parentes e de gente muito próxima. Mesmo nos encontros entre aqueles que ‘consideramos’ nossos amigos de verdade, encontramos restos de brita atirada, como se fosse apenas sujeira pelas calçadas.
Ninguém está isento de ser machucado, esfolado e ferido neste mundo de tantas pedreiras, de onde, com certeza, as pedradas virão de todos os lados. Entretanto, a questão básica, aqui, não é a ferida sangrando, mas o hematoma que nunca sara.
As pauladas nossas de cada dia, precisam ser tratadas cuidadosamente na sala cirúrgica do Calvário. A dor da alma carece de uma medicação radical sob a acurada terapêutica da cruz de Cristo Jesus. É preciso um perdão furioso para tratar o furúnculo da amargura que infecciona os tecidos dos relacionamentos interpessoais.
Jesus não suportaria tanta dor moral naquelas seis horas atrozes na estaca, se não estendesse o seu perdão a todos os seus algozes. Quando ele orou: Pai perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem, Lucas 23:34a, além de conceder o alvará de soltura aos seus ‘apedrejadores’, estava abrindo, para si mesmo, as portas de um cárcere muito apertado de sofrimento alucinante, decorrente de amargura. Perdoar é um imperativo do amor.
Com certeza, a dor aguda dos cravos, apesar de sua cruenta crueldade, não pode ser comparada com a dor sufocante e ininterrupta da amargura interior, consumindo a alma. O cálice da cruz seria mais amargo, se Jesus não tivesse perdoado aos seus inimigos.
O perdão tem mão dupla, mas a via principal é para quem o está liberando. Aquele que perdoa é o mais beneficiado no caso. Ele se livra da condição de ser transformado numa penitenciária de segurança máxima e de se converter num carcereiro apoquentador, sempre preocupado com a fuga do réu.
O perdão liberado liberta muito mais o que perdoa, do que aquele que é perdoado. O verdadeiro alforriado, neste caso, é quem exerce o perdão, uma vez que a amargura, de contínuo, cobra um imposto muito pesado do amargurado.
Temos na Bíblia alguns exemplos de pessoas magoadas que podem ser estudadas aqui, tanto no que diz respeito ao ressentimento armazenado, como também, pelo desprendimento em perdoar, financiado pelo amor perdoador de Deus.
Há uma dupla intransigente e cabeçuda que começou uma brigar feroz na barriga da mãe. Esaú e Jacó fizeram do útero de Rebeca, sua mãe, um ringue onde um tentava nocautear o outro. Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao SENHOR. Gênesis 25:22.
Essa perrenga histórica saiu do ventre da mãe tomando dimensões terríveis, com o mais novo pegando no pé do mais velho. A disputa entre os dois continuou até que se tornasse numa amargura crônica. Esaú foi vítima de um “golpe baixo” do irmão, em razão de sua própria mentalidade vulgar, no que diz respeito aos valores familiares às avessas.
A disputa dos gêmeos vem gemendo pelos bastidores da história de povos e nações que se engalfinham até hoje, nas cavernas do Oriente médio, por causa de uma amargura insidiosa que insiste em agredir as entranhas da alma de gerações em gerações.
Os irmãos briguentos, apesar de terem feito uma ‘reconciliação dramática’, não tiveram um relacionamento amistoso daí para frente. A Bíblia, falando num texto sobre Esaú, deixa claro: atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando- se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados; Hebreus 12:15.
Fica evidente, no contexto, que o assunto se refere ao desgostoso e amuado Esaú, quando, em seguida, diz com concisão: Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado. Hebreus 12:17.
Remorso, choro e lamento não quer dizer que houve verdadeiro arrependimento, nem reconciliação formal significa que houve perdão. Há muita gente agindo com diplomacia no palco, enquanto esconde uma mágoa no camarim da sua alma.
Não é possível vivermos na terra sem cotoveladas, pedradas e pauladas, mas também, não é possível vivermos com um mínimo de saúde mental, sem perdoar os nossos agressores. O ódio aos algozes é algo agonizante para as emoções benfazejas.
Na casa de Jacó, ainda temos um caso bem curioso a observar. O seu filho José, “figura ímpar da prole”, foi alvo da inveja dos seus irmãos ambiciosos, que suscitaram uma crise gravíssima, provocada por este sentimento mesquinho, no seio da família.
José foi vendido como um escravo e, em consequência de sua conduta irrepreensível, acabou comendo o pão que o diabo amassou com a cauda. Durante uns 13 anos de sua biografia, ele sofreu, injustamente, desprezo, acusações e prisões, sendo mantido como um criminoso numa masmorra. Ele foi vítima do ‘olho gordo’ dos seus irmãos.
Nada pode ser mais atroz para uma pessoa correta, do que o sofrimento causado por acusações e injustiças. A lama ácida e fétida atirada sobre o linho branco deixa uma mancha de difícil remoção. A dor da tirania é esmagadora. José tinha razão para se vingar.
Entretanto, quando os ventos mudaram de direção e ele passou de réu condenado na cadeia, a ser o segundo homem mais importante do reino, no Egito; com a faca e o queijo na mão para retaliar os seus irmãos invejosos, se quisesse; sua atitude foi bem diferente de quem nutre a vingança por debaixo dos panos.
A pessoa tratada pela graça de Deus não tem opção. Ou perdoa ou apodrece. José não se fez de coitadinho. O perdão era a sua única alternativa como filho de Deus. Favorecido pelo Cordeiro imolado, desde a fundação do mundo, ele espreme o carnegão e responde aos irmãos culpados: Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus? Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. Gênesis 50:19-20.
Não existe atalhos ou uma segunda via no caminho do perdão na vida dos filhos de Deus. Como também não existe pecado tão grave que a graça de Cristo não nos garanta a disposição de liberar o perdão de modo legítimo. Já falei: é a graça que nos habilita.
Se eu e você não estamos perdoando, de fato, os nossos ofensores, por mais grave que sejam as suas ofensas, com certeza, Satanás estará levando vantagens sobre nós e causando um barraco horroroso no meio da igreja de Cristo. É tudo o que ele mais gosta.
O perdão não é um opcional no desempenho da fé cristã. Corrie Ten Boom, que foi um exemplo cristão na defesa anti-sionista na época da segunda Guerra, disse: “não há outra forma de tocar o oceano do amor de Deus, senão perdoar e amar os inimigos”.
Não há escolha: ou perdoo ou pereço no meu mau humor. A agonia do magoado o atribula ao extremo e o mantém distante de verdadeiras amizades. Ninguém, minimamente sadio, gosta de conviver com gente feroz, ferina e fértil em fabricar lesões.
Os intrigantes vegetam entre o veneno que os consome intimamente e a dor que tenta inocular no próximo. Contudo, a toxina que é injetada no outro acaba também o intoxicando ainda mais. James Coulter afirmou: “o espírito que não perdoa como forma de orgulho é o assassino número um da sua vida espiritual”.
Para Jesus, a nossa oração só tem esta prioridade: perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos deixes cair em tentação. Lucas 11:4. Parece que a tensão da tentação, neste caso, é não querer perdoar.
O perdão é um dom maravilhoso da graça de Deus e o portal que conduz à sala da comunhão. Li a história de uma mãe que perdoou o assassino do seu filho e, durante o período da condenação, ela o visitou semanalmente cuidando dele na cadeia. O resultado foi a sua conversão a Cristo e a transformação de um inimigo, num amigo da família.
Nós sempre teremos alguém atirando pedra em nosso telhado de barro; cabe a cada um de nós, subsidiados pela graça do Pai, consertar todas as goteiras, sem, entretanto, jogar os cacos das telhas quebradas no quintal daquele que nos alvejou. Bendito seja para sempre Aquele que nos garante tão grande empreendimento. Aleluia! Amém.
Glenio Fonseca Paranaguá - palavradacruz.com.br
A vanglória e a autocomiseração são farinha do mesmo saco. As duas fazem parte de um único elenco e ambas chamam a atenção da platéia tonta. A primeira é o orgulho no pódio, enquanto a segunda é o orgulho no pó, com o rosto sujo, cheirando a poeira.
A vanglória gosta de exibir o seu sucesso, requerendo a boa imagem que nutre nos bastidores. A sua preferência é sempre falar das conquistas e demonstrar o valor majestoso do seu portfólio no palco. Vive à caça dos holofotes para a sua visibilidade pública.
Como são ricos os detalhes desse discurso vaidoso, que tenta esbanjar seus dotes, esnobando até mesmo os traços da humildade como se fossem integrantes de sua personalidade altiva. Ouvir atentamente esse tipo de conversa vangloriosa com quietude e mansidão é um exercício de profundo quebrantamento espiritual.
Por outro lado, na contramão da vanglória, embora ateado pelo mesmo fogo da arrogância, corre, com aparente discrição ou, tão somente, com a fisionomia anêmica, por falta de sangue nas veias, o autocompadecimento insuspeito. É o agiotismo do coitadinho.
Aqui é que mora um grande perigo. Aquilo que parece ser humildade, não passa de orgulho mascarado. A cara lavada, sem qualquer traço de maquiagem, com trapos e fiapos pendurados, pode ser o fio mais sutil da malha presunçosa.
Lutero, o reformador, disse, certa feita: "tenho mais medo do meu coração justo, do que do Papa e dos seus Cardeais". Eu também: tanto o meu gigante guloso e obeso que tento alimentar com banquetes espetaculares, quanto o meu pigmeu raquítico, aquele me sinto constrangido a fortalecer, chamando a atenção, são ferozes demais. Neste caso, eu sempre enfrento uma guerra mundial com inimigos poderosíssimos em meu íntimo.
A vanglória e a autocomiseração são aparentemente opostas, no entanto, formam um par idêntico de irmãs gêmeas e siamesas geradas pelo velho orgulho de sempre. Ser ilustre e não ser vaidoso é tão difícil como ser humilde sem ficar amarrotado pelos cantos.
A humildade é uma das mais raras de todas as virtudes do ser humano, porquanto, todo aquele que se reconhece humilde já se envolveu numa escandalosa empáfia. Como é complicado demonstrar uma humildade sem alarde!
Vou findar o texto com um enigma proverbial: Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos. Provérbios 16:19. Afinal das contas, cadê os humildes para que possa admitir minha arrogância e festejar com eles a humildade do Cordeiro como o dom da graça em nosso favor?
Se alguém pretende encontrá-los por aí, então se acocore com uma toalha e uma bacia nas mãos e ainda um bom microscópio; talvez haja algum pé que aceite ser lavado sem sapato alto ou timidez de inchado. Quem se propõe a tal façanha? Ai de mim! Não há alternativa para mim; só se for por Cristo em mim. GLÊNIO FONSECA PARANAGUÁ
A minha história na terra começou com um choro estridente, pois eu já cheguei ao mundo berrando. Mas, parece que esta é uma narrativa muito comum a todos nós. Se não estou equivocado, o bebê que não chora, quando nasce, morre. Além do que, diz um velho adágio popular: "quem não chora não mama".
Por outro lado, a cultura deste mundo velho privilegia o lamento, o queixume, a choradeira. A criança chorona e birrenta sempre é atendida e o nosso padrão de conduta é nos condoer de quem se lastima, fazendo da lamúria uma moeda valiosa nos negócios que pretendemos levar vantagens.
O gemido agrega mais adeptos ao partido dos coitadinhos do que o riso. O sofrimento desperta a compaixão de outros sofridos ao formatar o sindicato dos plangentes. Por isso, a ladainha é o estilo mais propalado na reza diária daqueles que querem chamar a atenção, e a dor de cotovelo é a cantiga número um dos chifrados.
Aí de mim é o discurso preferido das vítimas. Mas, o hinário dos filhos de Abba começa com Aleluia de Handel. Os alforriados, mesmo sofrendo, têm sempre um canto em tom maior a entoar. Ninguém neste mundo está isento da dor e do sofrimento, embora a sua permanência tenha um tempo de validade limitado.
O salmista canta com esperança: Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30:5. Segundo entendo, ele está dizendo que a correção é apenas por um instante, enquanto a graça é para sempre. Para os filhos repreendidos, as lágrimas secam rápido na face, ao passo que a festa da madrugada continua pelo dia eterno.
A minha tendência humana é lamentar. É chorar as pitangas. E sempre acho adeptos pela via da lamúria como companheiros neste coral dos sapos coaxando na lama, tão prontos a destoar da cantata dos redimidos.
Mas o culto dos alcançados pela graça cultiva o louvor em meio às chamas ardentes e dá concerto na cadeia escura, com os pés no tronco e os lombos lanhados. A turma da vida que nasce da morte costuma cantar no ardor do temporal, enquanto os descendentes do velho Adão só conseguem lamentar.
Pelo canto se descobre se a ave é do dia ou da noite. As canoras cantam à luz do Sol em espetáculo melódico de alegria. As noturnas são assombrações das trevas, além de serem agoureiras, quando grasnam, gritam e gemem os seus lamentos sombrios.
Assim, também, pela linguagem, se pode descobrir quem é filho de Deus ou quem é filho do Diabo. Lamento dizer, lamentavelmente, que a nossa fala lamentável, que se expressa sempre por lamentação ou lamúrias, não nos coloca na condição de membros efetivos do coral dos filhos de Abba.
Cantem filhinhos amados, cantem com alegria. Falem a linguagem da edificação. Louvem em plena tormenta, pois o nosso Pai é santo e reina entronizado entre os louvores dos seus filhos libertos e jubilosos. Aleluia. Glenio Fonseca Paranaguá
"Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez;" (Filipenses 4:12 RA)
Quase todos os cristãos sabem o próximo versículo na ponta da língua, ainda que nem todos saibam encontrá-lo na Bíblia. Mas, curiosamente, se perguntarmos, a maioria não saberá este. Abundância é bom, escassez não.
Vivemos dias de uma oferta igrejista (ou igrejeira, não sei) na qual o que é bom é de Deus e o que não é bom é do inferno. Mesmo que o conceito de bom seja obscuro e cinzento. Meu time de futebol ganhar o campeonato é bom? É de Deus? E os irmãos que torcem para o outro time? Como fica? E candidato político? E ganhar causa na justiça?
Meu irmão entenda uma coisa de uma vez por todas: Paulo usa o termo "tanto" justamente para dizer que, embora tendo passado por muitas coisas, ele sabe encontrar no Senhor a força. Tudo posso (depois de experimentar o bom e o ruim) no Senhor que me fortalece. Não é triunfalismo, é experiência de vida, maturidade.
Quem não aceita ser humilhado jamais será honrado. Quem nunca teve fome não valoriza a fartura. Quem só conhece abundância não sabe do que estou falando. Glória a Deus pela vida que levo, na qual não me falta nada do que preciso. Não tenho tudo que eu quero, mas tenho tudo de que preciso. Glória a Deus por que, quando passei aperto, o Senhor foi comigo e vivi e venci para poder hoje te dizer: a foça vem Daquele que traz sobre nós o dia de sol e o chuvoso, o frio e o quente, o abundante e o escasso.
Não estou declarando que Deus tenha prazer no nosso sofrimento, mas que a dor ensina a gemer não duvide. A abundância é melhor, a riqueza é melhor, a fartura é melhor. Mas a melhor abundância de todas é a da presença do Pai, é a da força do Pai sobre nós. O resto é tão fútil e vazio que dá pena.
"Pai, Te amo. Obrigado pelo que Tu és, independente do que já me deste e que não é pouco. Obrigado por me ensinar a depender de Ti como eu preciso. Eu te amo, por que Tu nunca me faltaste."